Pirelli concorda com críticas de Verstappen a pneus C6 e promete mudanças para 2026
Mario Isola, diretor de automobilismo da Pirelli, reconheceu que a fornecedora de pneus da Fórmula 1 precisa fazer algumas mudanças para 2026 e admitiu que quer se reunir com Max Verstappen
Diretor de automobilismo da Pirelli, Mario Isola concordou com as críticas feitas por Max Verstappen aos pneus C6, que estrearam na temporada 2025 da Fórmula 1. O dirigente ainda afirmou que espera ter a oportunidade de se reunir com o piloto da Red Bull para entender melhor em quais aspectos da borracha a empresa italiana precisa trabalhar para os próximos anos.
Produzido com a intenção de ser inicialmente utilizado em circuitos de rua, o composto mais macio ficou à disposição das equipes no Canadá, Mônaco, Emília-Romanha e, mais recentemente, no Azerbaijão. Foi em Baku, inclusive, que o tetracampeão mundial reclamou bastante do desempenho do calçado após a classificação e até pediu à fornecedora “para simplesmente deixar esse pneu em casa, porque torna o fim de semana todo muito complicado” — embora tenha anotado a pole-position naquela ocasião.
“Vi os comentários. Ainda não tive a oportunidade de conversar com Max, mas vou fazer isso. De qualquer forma, não é urgente, porque não há planos de levar o C6 para nenhuma outra corrida este ano”, disse Isola em entrevista ao Motorsport.com, explicando que, antes mesmo dos comentários do neerlandês, a Pirelli já havia decidido não levar o C6 para as etapas em Singapura e Las Vegas.
“A ideia original de levá-lo para Singapura e Las Vegas foi abandonada porque a energia é muito maior em Singapura, e em Las Vegas a temperatura também é um fator a se considerar. Com o C6, há risco de graining (formação de pequenos grãos de borracha na superfície do pneu), então não era realmente uma opção”, começou.

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Ao ser questionado sobre os motivos de os pneus serem descartados para a prova na ‘Cidade do Pecado’, já que o local normalmente apresenta baixas temperaturas, o diretor explicou. “Quanto mais macio o composto, menor também é a resistência mecânica. E isso significa que é mais fácil gerar graining, especialmente em condições frias”, destacou.
“Quando falamos de graining, você danifica o pneu principalmente na primeira fase de uso, quando sai das mantas térmicas aquecido, mas ainda não está totalmente na temperatura ideal. Nesse momento, o composto é um pouco mais frágil em termos de resistência mecânica. Isso quer dizer que o graining pode começar. E, se começa, claramente pode afetar o desempenho. Se temos um C5 funcionando bem, sem graining ou com baixa abrasão, então é melhor ficar com C3, C4 e C5”, detalhou.
“Se quisermos destacar algo positivo na escolha de pneus para Baku e outras corridas, é que isso criou uma certa incerteza na classificação. Alguns pilotos quiseram usar o C6, outros preferiram o C5. O que percebemos é que o desempenho do C6 ainda foi melhor que o do C5, mas não um salto enorme — provavelmente alguns décimos”, enfatizou Isola, contrariando a crítica de Verstappen, que disse que “esse composto é mais lento”.

“Não, ele continuou sendo o mais rápido, mas às vezes é mais difícil de usar para os pilotos. É um pouco mais sensível, imprevisível, então extrair a performance máxima do C6 não é algo superfácil”, respondeu. “Estamos plenamente cientes de que o C5 e o C6 estão muito próximos no momento. O objetivo para o próximo ano é espaçar um pouco mais esses dois compostos, criar um delta maior para que o C6 tenha uma posição mais clara”, garantiu.
“Foi a primeira vez que usamos o C6 este ano, quando decidimos introduzir um composto mais macio que o C5. Aprendemos com isso e sabemos que, quando formos homologar os compostos para o próximo ano, eles terão de ser diferentes. A questão é que no ano que vem todos os compostos serão diferentes de qualquer forma, já que os pneus serão diferentes. Mas entendo os comentários do Max. Eles não são muito diferentes do que nós mesmos analisamos, então não discordo dele”, encerrou.
A Fórmula 1 retorna entre os dias 17 e 19 de outubro no Circuito das Américas, em Austin, que é sede do GP dos Estados Unidos, a 19ª etapa da temporada 2025.
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