Verstappen mira sobrevivência na luta por título e reza pelo replay de 2024 em Interlagos

Dono de uma das maiores vitórias da história da Fórmula 1 no GP de São Paulo de 2024, Max Verstappen sabe que Interlagos pode ser a última grande oportunidade de causar uma reviravolta na busca pelo título. E na briga contra Lando Norris e Oscar Piastri, o clima instável pode jogar a favor do tetracampeão mais uma vez

Ao desembarcar em São Paulo neste fim de semana para a 21ª etapa da temporada 2025 da Fórmula 1, Max Verstappen pode até se deparar com condições similares de clima e pista em comparação ao que foi visto no ano passado, embora a situação no campeonato seja totalmente diferente. E se quiser ir para as três corridas pós-Interlagos — além de uma sprint, no Catar — com chances reais de almejar o pentacampeonato, o piloto da Red Bull vai precisar orar aos céus para que a chuva realmente dê o ar da graça, já que historicamente sobressai entre adversários nessas condições.

Há exatos 12 meses, o evento em solo brasileiro também carregava o potencial de ser uma enorme virada de chave na briga pelo título individual da categoria, ainda que os papéis estivessem invertidos na ocasião: o neerlandês era a caça, não o caçador. Depois de começar 2024 imprimindo um domínio semelhante àquele visto no certame anterior e vencendo nada menos que sete vezes nas primeiras dez provas, o dono do #1 passou a sofrer com a queda de rendimento do carro taurino, amplamente influenciada pela crise que abalou as estruturas internas da equipe desde que o caso envolvendo o então comandante Christian Horner veio à tona.

Em contrapartida, a McLaren, que trilhava um caminho tremendo de recuperação sob o comando de Andrea Stella e Zak Brown, chefe e CEO, respectivamente, passou a ter o bólido mais rápido do grid e entregou a Lando Norris a oportunidade de perseguir Verstappen no segundo semestre. E o fim de semana em São Paulo começou da maneira que o britânico precisava: com vitória na sprint — com direito à inversão de posições no time papaia — e pole-position em classificação realizada no mesmo dia da corrida, quando a chuva deu uma trégua. Vale lembrar que o tetracampeão, por outro lado, chegou a Interlagos com uma punição de cinco posições no grid por troca de motor e, para piorar ainda mais o trágico cenário, foi eliminado logo no Q2.

Mas nem mesmo o melhor dramaturgo poderia escrever um roteiro tão fascinante quanto o que foi preparado cautelosamente pelos deuses do automobilismo naquele domingo, 3 de novembro. Ao sair da 17ª posição, em pista bastante molhada, Max ultrapassou cinco pilotos somente na largada. Daí em diante, o que se viu foi a mistura de ritmo forte, dureza implacável, coragem e uma pitada de sorte, já que a troca de pneus foi realizada durante a bandeira vermelha causada por Franco Colapinto — ao contrário dos principais adversários, que visitaram os boxes antes de a corrida ser interrompida. Por fim, precisou apenas superar Esteban Ocon nas voltas seguintes para conquistar uma vitória apoteótica e abrir mais de 60 pontos de vantagem sobre Norris, aproximando-se muito da taça de 2024, que foi alcançada na prova seguinte, em Las Vegas.

Max Verstappen sonha com nova vitória apoteótica para ter chances de título em 2025 (Foto: Rodrigo Berton/Warm Up)

O automobilismo, entretanto, é implacável na hora de criar novas histórias. Dono de uma sequência das mais impressionantes nas últimas cinco etapas da temporada 2025, Verstappen se colocou em uma briga que parecia impossível após o GP dos Países Baixos, quando Oscar Piastri venceu e construiu uma vantagem na liderança de 104 pontos em relação ao titular da Red Bull, que também permanecia 75 tentos atrás de Norris, segundo colocado naquele momento. Mas os triunfos na Itália, Azerbaijão e Estados Unidos, além de um segundo lugar valioso em Singapura, serviram de lenha para reacender o fogo da esperança.

Mesmo que o GP da Cidade do México não tenha acontecido conforme o esperado, Max ficou, pelo menos, com a sensação de que limitou bem os danos na briga contra a dupla da McLaren, principalmente porque diminuiu de 40 para 36 pontos a desvantagem em relação ao líder, que passou a ser Norris. De qualquer forma, como a situação ainda é das mais difíceis, pois com 116 tentos em jogo (100 das corridas e 16 Sprints), precisa descontar 9 em cada fim de semana, o GP de São Paulo volta a ter status decisivo e pode ser o último embalo na busca por um pentacampeonato improvável.

O histórico do tetracampeão na pista paulista, no entanto, pode servir de motivação. Nas nove edições disputadas (em 2020 a prova não aconteceu devido à pandemia da Covid-19) desde que estreou na F1, em 2015, recebeu a bandeira quadriculada na primeira posição em três oportunidades (2019, 2023 e 2024) e colecionou performances memoráveis em uma época em que ainda era inexperiente e não tinha o melhor carro, como foi em 2016, quando, sob forte chuva, efetuou ultrapassagens incríveis e só terminou atrás de Lewis Hamilton e Nico Rosberg, que disputavam o troféu com a poderosa Mercedes.

E se é na chuva que Verstappen se sente bem, então ele pode ficar animado. De acordo com o The Weather Channel, existe a possibilidade de precipitação nos três dias, embora o alerta maior seja para sábado (8), que contará com a sprint e a classificação do GP de São Paulo, com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitindo um aviso de tempestade e até de granizo. Claro, a categoria não permite que os pilotos vão à pista em condições consideradas perigosas, mas o asfalto molhado representa o tipo de cenário que o dono do RB21 #1 gosta de enfrentar.

A chuva representa o cenário ideal para Max Verstappen contra as McLaren (Foto: Rodrigo Berton/Agência WarmUp)

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Mas há um ponto óbvio que precisa ser analisado: será que a Red Bull terá condições de entregar um carro verdadeiramente competitivo no Autódromo José Carlos Pace? A pista é relativamente curta (4,309 km), com muitas mudanças de direção e trechos de média/alta carga aerodinâmica, o que cobra uma boa performance em frenagem e tração, além de desempenho nas curvas. Em outras palavras, um traçado que premia a equipe que possui boa estabilidade e downforce ao longo dos setores — algo que, com base no que foi visto até aqui na temporada 2025, tende a ser mais vantajoso para a McLaren.

No entanto, isso não quer dizer que tudo está perdido para a Red Bull. O time liderado por Laurent Mekies apresentou sinais claros de evolução desde as atualizações na asa dianteira e no assoalho, que começaram lá no GP da Itália. Os taurinos ainda aplicaram novas mudanças no GP do Azerbaijão, incluindo uma revisão na modularidade do freio traseiro, e no México, quando uma versão reciclada do piso não impediu Verstappen de sofrer bastante com a falta de equilíbrio entre os eixos dianteiro e traseiro e com a baixa aderência no Autódromo Hermanos Rodríguez.

Com apenas um treino livre disponível, já que o fim de semana conta com o formato sprint, a escuderia dos energéticos terá de encontrar a melhor configuração logo de cara se quiser somar pontos cruciais em São Paulo. Mas o mesmo vale para todas as participantes do grid, diga-se. Por isso a chuva se tornou um fator tão importante, pois pode neutralizar os pontos fortes da McLaren, ajudar o neerlandês a superar Norris e Piastri em condições adversas e, por fim, colocar Ferrari e Mercedes na briga — com ambas desempenhando um papel importante nessa briga do Mundial de Pilotos.

Lando Norris, Max Verstappen e Oscar Piastri brigam pelo título na F1 2025 (Foto: AFP)

Como a F1 ainda carimba passagens por Las Vegas, Catar e Abu Dhabi, é difícil imaginar outro lugar em que as condições climáticas possam jogar tanto a favor de Verstappen como no Brasil. Por isso, se ainda sonha com a possibilidade de levantar o quinto troféu da carreira em 2025, o neerlandês precisa torcer por um cenário similar ao do ano passado. Até porque, caso os resultados de 2024 se repitam, o #1 deixará Interlagos com uma desvantagem de somente 21 pontos em relação a Norris.

Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 7 a 9 de novembro, em São Paulo, 21ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificações, sprint e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Interlagos para acompanhar todas as emoções da etapa com os repórteres Pedro Henrique Marum, Evelyn GuimarãesLuana Marino e Daniel Balsa.

GP de São Paulo de F1: veja os horários em Brasil, Cabo Verde, Portugal, Angola e Moçambique:

SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre11:3013:3015:3016:30
Classificação sprint15:3017:3019:3020:30
Corrida sprint11:0013:0015:0016:00
Classificação15:0017:0019:0020:00
Corrida14:0016:0018:0019:00

*Horário de Brasília

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