Chefes criticam proposta de 2 pit-stops obrigatórios em 2026: “Pode ter efeito oposto”
Andrea Stella, James Vowles e Alan Permane criticaram a proposta de dois pit-stops obrigatórios em 2026. Comissão da F1 ainda não tomou uma decisão a respeito
A comissão da Fórmula 1 estuda a possibilidade de adotar duas paradas obrigatórias em todas as corridas da temporada 2026. Na última sexta-feira (14), em Londres, ocorreu a última reunião deste ano para discutir a pauta, mas uma decisão não foi tomada. Para alguns chefes de equipes, a obrigação de fazer dois pit-stops pode prejudicar as corridas.
A ideia ganhou força nos bastidores porque muitas corridas deste ano foram vencidas com apenas uma troca de pneus, já que o regulamento atual obriga os pilotos a utilizarem dois compostos diferentes — com exceção das provas realizadas com chuva.
Os engenheiros justificam a preferência pela tática mais conservadora por motivos de segurança, confiabilidade e menor risco estratégico. Os softwares de simulação das equipes apontam que a diferença entre uma parada e duas é pequena, e a opção mais lenta costuma favorecer a gestão de temperatura e desgaste dos pneus, além de reduzir riscos de erros ou congestionamentos no pit-lane.
A ideia de impor duas paradas obrigatórias ganhou força após o GP do Catar de 2023, quando a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) determinou um limite máximo de voltas por jogo de pneus por motivos de segurança. O resultado foi uma corrida mais movimentada, com pilotos podendo atacar constantemente sem a preocupação de poupar os compostos.

Em contrapartida, a medida também foi adotada para o GP de Mônaco deste ano, justamente para tentar melhorar a dinâmica da prova. Porém, não gerou o efeito esperado e foi alvo de muitas críticas dos pilotos e do público. Apesar disso, a categoria decidiu manter a obrigatoriedade para a prova de 2026.
“Acho que todos gostam de duas paradas ou mais, mas temos de ter cuidado”, afirmou Alan Permane, chefe da Racing Bulls. “Nossa equipe de estratégia e pneus está analisando isso de perto. Acho que uma das coisas que torna uma corrida de duas paradas complicada é quando os pneus não são realmente adequados para isso. Então, você precisa ter compostos que exijam uma corrida de duas trocas”, seguiu.
“Se você forçar duas paradas, pode acabar com todos adotando a mesma estratégia e, na verdade, ter o efeito oposto”, apontou. Andrea Stella, comandante da McLaren, segue a mesma linha de raciocínio. Para ele, o regulamento atual permite uma variação maior de táticas diferentes.
“Já vimos muitas corridas com um piloto fazendo uma parada e outro fazendo duas, e então o que fez uma parada acaba sendo perseguido pelo que fez duas – mas isso obviamente desapareceria. Então, acho que precisamos pensar com muito cuidado, e é o que estamos fazendo. Tenho certeza de que a Comissão da F1 vai debater isso e que chegaremos à resposta certa”, analisou.

“Para 2026, temos muitas mudanças em andamento e acho que devemos observar também que tipo de corrida teremos antes de alterarmos o aspecto técnico e também as regras do jogo. Portanto, eu recomendaria um pouco de prudência nesse sentido”, salientou.
“Vamos observar o que acontecerá no ano que vem e, então, poderemos nos adaptar do ponto de vista esportivo para garantir que o entretenimento e as corridas estejam no nível certo”, pontuou Stella.
James Vowles, chefe da Williams e ex-estrategista da Mercedes, concordou com Stella e Permane: “Minha maior preocupação seria que todos nós acabássemos adotando a mesma estratégia, com uma diferença de apenas uma volta entre nós, porque somos forçados a isso devido às duas paradas”, ressaltou.
“Vamos acertar os fundamentos básicos, que são o desgaste dos pneus e as diferenças entre eles. Não me importo com uma regra imposta que nos coloque nessa situação, mas tenho a preocupação de que, no ponto onde estamos agora, acho que haverá menos variação nas corridas do próximo ano, e isso me preocupa”, encerrou.

Após a passagem pelo Brasil, a Fórmula 1 só retorna no fim do mês, para mais uma edição do GP de Las Vegas. A antepenúltima etapa da temporada 2025 acontece entre os dias 21 e 23 de novembro, com cobertura completa do GRANDE PRÊMIO. Depois, restarão apenas as passagens por Catar e Abu Dhabi.
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