Retrospectiva 2025: Yamaha até avança, mas vê limite de projeto e muda rumo para V4
Não dá para dizer que a Yamaha não cresceu na temporada 2025 da MotoGP, mas a evolução da YZR-M1 ficou aquém do desejado. Ainda presa no gripo D de concessões, a casa de Iwata bateu o martelo e decidiu abandonar o motor de quatro cilindros em linha
2025 MARCOU O FIM DE UMA ERA PARA A YAMAHA. Depois de muito tentar, a casa de Iwata decidiu jogar a tolha e se despedir do motor de quatro cilindros em linha com uma campanha que terminou na lanterna do Mundial de Construtores da MotoGP.
Longe do título desde a vitória de Fabio Quartararo em 2021, a montadora dos três diapasões assistiu a YZR-M1 ficar mais distante das rivais com o passar dos anos. Pressionada, especialmente pelas constantes ameaças de ‘El Diablo’ de ir procurar abrigo em outra equipe, a fábrica começou a se movimentar, adotando um estilo de gestão mais europeu e contratando Max Bartolini para comandar o desenvolvimento técnico.
Tudo isso trouxe avanços, mas não o bastante para transformar a M1 em uma ameaça ao poderio da Ducati. Disposta a estudar se o limite estava no motor de quatro cilindros em linha ― que, com a saída da Suzuki, só ela usava ― a Yamaha passou a desenvolver um novo protótipo com motor V4. E foi nesse cenário que ela encarou a temporada 2025.
A tarefa da Yamaha não era simples. A MotoGP vive um momento de transição, já que, a partir de 2027, vai adotar motores de 850cc, com motos menos aerodinâmicas e sem os rebaixadores de suspensão. Então, ao mesmo tempo, a casa japonesa precisou pensar nas motos de 2025, na V4 e também na 2027.

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É fato que o empenho em melhorar deu frutos. A M1 de 2025 é mais competitiva. Tanto é assim que Quartararo conseguiu cinco poles no ano, mas não é sem justiça que a moto japonesa fechou o ano como a pior das cinco do grid. Ela ainda tem fragilidades importantes. Ainda que tenha flertado com a vitória no GP da Grã-Bretanha, quando ‘El Diablo’ amargou uma quebra de partir o coração depois de dominar parte da corrida.
Mas é fato, também, que só o #20 conseguiu tirar alguma coisa dessa moto. Ainda que Jack Miller tenha se mostrado razoável em alguns momentos ― especialmente em treinos ―, Álex Rins e Miguel Oliveira tiveram um ano muito ruim. O português, inclusive, perdeu a vaga na MotoGP, mesmo que tenha iniciado o ano com o lugar aparentemente seguro.
Rins teve um único momento de alívio, quando foi competitivo na Indonésia, mas, no restante do tempo, não conseguiu acompanhar o ritmo de Quartararo.
Ainda assim, a Yamaha fecha 2025 com certo alívio: a marca japonesa somou 123 pontos mais do que no ano anterior, um aumento de 99,2% na pontuação. Na média, foram 11,22 pontos por etapa, contra 6,2 pontos no ano passado.
Mas isso não foi suficiente para satisfazer a Yamaha. A marca de Iwata decidiu mudar o rumo e passar por um transplante de coração. A partir de 2026, a M1 vai usar um motor V4, abandonando a decisão de usar um propulsor de quatro cilindros em linha.
A moto, porém, ainda está em fase de desenvolvimento. Por conta do desenho novo do motor, é preciso fazer uma moto completamente nova ― o propulsor V4 não encaixa no protótipo quatro em linha ― e isso significa que é preciso ajustar todos os pontos. Forças e fraquezas.
A Yamaha vai para 2026 para lutar para a concorrência, mas, mais do que isso, para testar, mais uma vez, o limite da paciência de Quartararo. Mas já dando sinais de que ela própria já está descontente com a maneira como ele tem lidado com a situação.
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