Retrospectiva 2025: Ferrari afunda junto a Hamilton e vive temporada para esquecer
Em temporada que prometia ser histórica, o primeiro ano de união entre Ferrari e Lewis Hamilton foi torturante para os torcedores italianos, com um carro sofrível e um piloto desanimado. Charles Leclerc até conseguiu sorrir aqui e ali, mas o saldo do time italiano em 2025 é absolutamente negativo e cobra resultados em 2026
A primeira grande bomba da Fórmula 1 em 2024 veio antes mesmo de o campeonato começar: no dia 1º de fevereiro, Lewis Hamilton foi anunciado na Ferrari e balançou o mundo do esporte a motor, com análises sobre a parceria e infinitos prognósticos sobre a enorme união. Pois, ao fim de 2025, o que fica sobre a primeira temporada juntos é decepção de ambos os lados, entre um piloto desanimado com as dificuldades que encontrou e um carro terrível — que também gerou calafrios em Charles Leclerc.
Vice do Mundial de Construtores do ano passado, a Ferrari se desviou completamente do desenvolvimento que a permitiu brigar com a McLaren até o GP de Abu Dhabi de 2024. O resultado foi um carro completamente desequilibrado, com dificuldades imensas de controle no meio das curvas e imprevisibilidade geral para os pilotos. Desde cedo, ficou claro que não daria para brigar.
Logo na segunda etapa do campeonato, no GP da China, a Ferrari foi do céu ao inferno e viu o ano virar de cabeça para baixo. Hamilton venceu a sprint no sábado, celebrou com tudo e indicou um belo início de parceria, mas foi desclassificado junto a Leclerc na corrida do dia seguinte por um problema antigo: desgaste excessivo na prancha do assoalho. Ou seja: o carro até funcionava, mas a uma altura que o deixaria fora das regras. Com o monoposto mais alto, acabou a competitividade.
Na comparação interna, Leclerc — já acostumado a lidar com algumas deficiências do projeto italiano — se colocou à frente de Hamilton desde o início, principalmente nas classificações. Mas o heptacampeão foi figura constante na zona de pontos e ajudou a manter a Ferrari na briga dos Construtores, algo fortalecido pelas dificuldades da concorrência.

Enquanto a Mercedes sofria com um Andrea Kimi Antonelli oscilante e a Red Bull deixava pontos na mesa com Yuki Tsunoda, Lewis pontuou em todas as etapas entre a terceira, no Japão, e a 13ª, na Bélgica. Neste mesmo intervalo, Charles — que somou mais tentos no período — só ficou fora do top-10 na Inglaterra. Com os dois no top-10, a Ferrari, mesmo capenga, mantinha-se na briga pelo vice.
E assim transcorreu o ano da Ferrari até as férias, com o foco totalmente virado para 2026. Ciente desde as primeiras etapas que a briga pelo título estava fora de cogitação, Frédéric Vasseur decidiu esquecer 2025 e concentrar esforços no novo regulamento. A partir daí, a competitividade caiu ainda mais, o time teve um fim de ano sofrível e viu tudo escorrer por entre os dedos.
O fundo do poço veio no GP dos Países Baixos, com um abandono duplo e nenhum ponto conquistado. Mas os pontos baixos foram muitos: Austrália, Azerbaijão, Brasil e Catar, que consegue rivalizar com o desastre de Zandvoort. Sem nenhuma competitividade em Lusail, a Ferrari virou piada em imagens onboard que mostram as enormes dificuldades de Leclerc e Hamilton para sequer manter o carro na pista. Outro triste capítulo de um ano melancólico.
Ainda houve tempo para o presidente da Ferrari, John Elkann, botar fogo no parquinho. Insatisfeito com os resultados medíocres da equipe na pista, o dirigente disparou contra os pilotos e sugeriu uma suposta falta de foco. Cobrou, inclusive, que Leclerc e Hamilton prestassem atenção em pilotar. Nem é preciso dizer que não pegou nada bem, além de servir como comprovação de que o problema vai muito além da dupla.

No saldo final, Hamilton terminou a temporada sem um pódio sequer pela primeira vez na carreira, iniciada em 2007. Foi, ainda, o primeiro piloto desde 1981 a disputar um ano inteiro com a Ferrari e não subir ao palco. Leclerc conseguiu sete e, apesar dos finais de semana ruins, saiu fortalecido em termos individuais. E com as primeiras reclamações públicas de que está na hora de receber um carro capaz de vencer. Afinal de contas, há olhares sobre o monegasco no grid.
A queda na reta final do campeonato custou caro e, além de ver a McLaren levar o bi, a Ferrari terminou atrás de Mercedes e Red Bull, respectivamente vice e terceira colocada. Pior equipe da ‘F1 A‘, a esquadra de Maranello precisa acertar urgentemente no renovado regulamento de 2026 para dar fôlego a Vasseur no cargo. Ou a renovação de contrato, que surgiu como voto de confiança, pode terminar à la Sérgio Pérez na Red Bull.
Em temporada que prometia ser histórica, com a união entre piloto e equipe mais vencedores de todos os tempos, Ferrari e Hamilton viveram um pesadelo completo, do qual Leclerc também sentiu o gosto. O último ano do regulamento técnico iniciado em 2022 foi de regressão completa em Maranello e mostrou que o trabalho se faz dentro da fábrica. Urge que o carro de 2026 brigue por vitórias — ou os nomes nas garagens podem ser bem diferentes nos anos seguintes.
▶️ Inscreva-se no canal do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!