Evans quebra recorde, Nissan paga por Nato: quem sai do eP de Miami em alta e em baixa
O eP de Miami começou a separar quem é quem na temporada 2025/26 da Fórmula E. Da vitória histórica de Mitch Evans à Nissan colhendo os frutos podres da péssima escolha por Norman Nato, confira quem se destacou positiva e negativamente no Circuito Internacional de Miami
O eP de Miami, disputado no último sábado (31), marcou um ponto de virada na temporada 2025/26 da Fórmula E. Em uma corrida marcada por disputas diretas e consequências relevantes para o campeonato, alguns nomes aproveitaram a oportunidade para mudar o rumo do ano, enquanto outros deixaram os Estados Unidos com motivos claros para preocupação.
A prova na Flórida teve peso simbólico e prático. Além de redefinir lideranças históricas, com Mitch Evans se tornando o maior vencedor da história da categoria, também separou quem faz um bom início de campeonato e pode sonhar com mais de quem segue não conseguindo entregar resultados e já desenha uma temporada decepcionante, como Dan Ticktum e Taylor Barnard.
O desempenho coletivo das equipes também falou alto. Jaguar e Porsche finalmente mostraram força após iniciarem abaixo das próprias expectativas — por motivos diferentes —, enquanto a Nissan já começa a sentir o preço de apostar na permanência de Norman Nato, que segue sem justificar a confiança recebida.
Com isso, o eP de Miami deixou claros os contrastes da temporada até aqui. Entre altas que reforçam status, valorizam nomes no mercado e reacendem disputas por títulos, e baixas que exigem reação imediata, o GRANDE PRÊMIO separou quem saiu fortalecido e quem volta para casa pressionado após mais uma etapa da Fórmula E.

Quem sai do eP de Miami em Alta
Mitch Evans
O triunfo de Evans em Miami foi muito representativo. Não apenas por ser o primeiro da temporada 2025/26 após duas etapas sem sequer pontuar, mas também por colocar o neozelandês como maior vencedor da história da Fórmula E. A marca não é definitiva, já que Sébastien Buemi — segundo na lista — segue em atividade e pode tranquilamente empatar ou até passar novamente. Mas certamente reforça a importância do piloto da Jaguar na categoria elétrica, já que por vezes fica ofuscado por não ser campeão mundial. Além disso, o contrato com a equipe britânica se encerra ao fim do atual campeonato e a renovação ainda não foi acertada. Então, todo resultado expressivo aumenta o poder de barganha de Evans na negociação e as chances de se manter em uma equipe competitiva na Gen4.
Joel Eriksson
Apesar de não ser, oficialmente, novato por ter disputado corridas como substituto em anos anteriores, Joel Eriksson disputa a primeira temporada como titular na Fórmula E. A Envision passa longe de ser uma das forças do campeonato, mas as performances do sueco não podem passar despercebidas. Pontuou em duas das três etapas até aqui — só não marcou ponto nas três por uma punição de 10s que o tirou do top-10 na Cidade do México. Além disso, superou Buemi — que, como citado anteriormente, é um dos maiores vencedores da história da Fórmula E — em todas as provas e quase subiu ao pódio pela primeira vez com o quarto lugar em Miami. Se mantiver o nível de atuação, pode ser a melhor surpresa do campeonato e se colocar como alvo de equipes de ponta que pensem em mexer na dupla de pilotos — falaremos de um forte candidato mais à frente.
Jaguar
A temporada 2025/26 finalmente começou para a Jaguar. Após duas etapas em que viu tanto Evans quanto António Félix da Costa se envolverem em incidentes que arruinaram as chances de pontuar, o time britânico conquistou a primeira vitória no ano. E só não brigou fortemente por um pódio duplo graças à batida de Felipe Drugovich na traseira do português — esse, sim, segue na maré de azar —, que ainda assim conseguiu salvar alguns pontos. O ritmo sempre esteve lá, e o time britânico precisou apenas de uma oportunidade para mostrar força. Caso a sequência do campeonato prove que a corrida em Miami foi um divisor de águas, a Jaguar tem tudo para brigar pelo Mundial de Equipes.
Porsche
Única equipe a pontuar com os dois pilotos em rodadas as etapas até aqui, a Porsche enfim colocou as garras para fora em Miami e mostrou o nível de resultado que pode conquistar caso nada jogue contra. Pole-position, briga pela vitória até o fim e pódio duplo. A corrida só não foi melhor porque Nico Müller deixou o triunfo escapar para Evans. E esse pode ser justamente o calcanhar de Aquiles do time alemão. Foi a segunda prova consecutiva que o suíço teve o primeiro lugar nas mãos, mas não foi capaz de selar o resultado. Em uma temporada que começou entregando a promessa de equilíbrio, cada ponto será valioso para definir os três Mundiais. Caso Müller consiga manter a peteca no ar, a Porsche tem tudo para levar as conquistas de Equipes e Construtores — e ainda ajudar Pascal Wehrlein entre os Pilotos para completar a “varrida”.

Quem deixa o eP de Miami em baixa
Dan Ticktum
Para qualquer piloto, seria frustrante iniciar o campeonato com três abandonos. Para alguém que viu o nome ligado a uma vaga na Porsche e podia estar tranquilamente na disputa pelo título — até mesmo na Cupra Kiro —, o sabor certamente é ainda mais amargo. Dan Ticktum não teve nenhuma culpa nos incidentes que o tiraram dos ePs de São Paulo e Cidade do México, tampouco no furo de pneu que arruinou a prova em Miami. Ainda assim, o britânico segura a tão indesejada lanterna da classificação e pode esquecer qualquer ambição de ser campeão nesta temporada. O que parece restar a Ticktum é correr atrás do prejuízo na disputa interna com Pepe Martí e acumular atuações convincentes o bastante para que alguma equipe de topo decida apostar nele apesar da personalidade difícil de lidar.
Taylor Barnard
Quem também tem vida complicada até aqui é Taylor Barnard. O britânico chegou ao eP de São Paulo falando em brigar pelo título, mas em nada lembra o furacão que espantou a Fórmula E com três pódios nas primeiras quatro corridas na última temporada. Bem verdade que trocar de equipe sempre carrega desafios — ainda mais quando envolve também se adaptar a um novo trem de força. Mas considerando que a DS Penske venceu duas corridas e terminou o Mundial de Equipes melhor colocada que a McLaren em 2024/25, é inegável que esse foi um passo à frente. E não há transferência que justifique o erro na Cidade do México, quando perdeu tempo ao não passar por toda a zona de ativação do Modo Ataque na reta final da corrida e ficar fora da briga pela vitória. Após mais uma prova em que passou totalmente despercebido em Miami — como já havia acontecido no Brasil —, Barnard já se vê quase 30 pontos atrás de Cassidy no campeonato e precisa de uma sequência de resultados altamente improvável para concretizar a meta estabelecida no Anhembi.
Norman Nato
Mais uma vez, Norman Nato mostrou ser o elo fraco da Nissan. Miami foi uma das raras vezes em que o francês superou Oliver Rowland em classificações — curiosamente, pela segunda vez em três etapas, já empatando o total da temporada passada —, mas novamente não foi capaz de entregar um bom resultado quando a equipe precisou dele. Nato largou no oitavo lugar — enquanto Rowland partiu de 14º — e, mesmo em uma pista que já era esperado menos ultrapassagens que nas anteriores, conseguiu ter uma atuação patética o bastante para cruzar a linha de chegada em 18º, uma volta atrás do vencedor. A permanência para 2025/26 já foi uma escolha altamente duvidosa por parte da Nissan. E Nato parece fazer questão de, a cada prova, acabar com essa dúvida e tornar a decisão absurda. Difícil imaginar o francês permanecendo para a Gen4 — não só no time japonês, mas no grid como um todo.
Nissan
Ninguém consegue ser campeão do Mundial de Equipes na Fórmula E com apenas um piloto entregando resultados. A própria Nissan foi prova disso no ano passado, quando nem mesmo o domínio impressionante de Rowland foi o bastante para colocar os nipônicos acima do terceiro lugar. Além de não contar com outra campanha fora da curva do britânico — que já está claro que não acontecerá —, ainda paga o preço pelo erro que foi manter Nato. Por isso, a Nissan deixou Miami no quinto lugar, com Envision e Jaguar logo na cola — e com duplas muito mais equilibradas. Tudo leva a crer que o time da terra do Sol nascente vai passar longe de briga pelo título desta vez.
Com o término da perna americana do calendário, a Fórmula E agora parte para a Arábia Saudita, onde realiza a primeira rodada dupla da temporada no eP de Jedá, entre os dias 12 e 14 de fevereiro. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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