GUIA 2026: MotoGP se despede das 1000cc em ano que Ducati mira reafirmar soberania
A temporada 2026 marca o fim de uma era para a MotoGP, já que é a despedida do atual regulamento, com as motos 1000cc. Neste derradeiro campeonato, a classe rainha congelou o desenvolvimento dos motores, mas isso não impediu as marcas de evoluírem. Nem mesmo a Ducati, que entra em cena para reafirmar a soberania dos últimos anos
A TEMPORADA 2026 MARCA O FIM DE UM CICLO PARA A MOTOGP. O campeonato deste ano será o último do atual regulamento e, portanto, a despedida das motos de 1000cc. Por conta desta fase de transição, a FIM (Federação Internacional de Motociclismo) congelou o desenvolvimento dos motores ― exceto da Yamaha, que segue no degrau mais baixo das concessões ―, mas isso não impediu o avanço das equipes. Ainda assim, é a Ducati quem vem aí para reafirmar a soberania.
Sob a alegação de reduzir as crescentes velocidades, a MotoGP anunciou em maio de 2024 a adoção de motores 850cc a partir de 2027. Além disso, a categoria vai contar com motos ligeiramente mais leves ― apenas 4 kg ―, eliminar os dispositivos de ajuste de altura da suspensão, reduzir a capacidade dos tanques e o tipo combustível ― que passa a ser 100% sustentável ―, e a limitar a aerodinâmica. Como este é um processo que ainda está em desenvolvimento, a FIM, em uma medida de contenção de custos, decidiu congelar os motores. Assim, em suma, as equipes correm em 2026 com os mesmos propulsores usados no ano passado.
Existe, porém, uma exceção: quem está no grupo D de concessões. No caso, apenas a Yamaha. Diferente da Honda, que conseguiu avançar para o nível C na última etapa do ano passado, a marca dos três diapasões somou menos de 35% dos pontos disponíveis no Mundial de Construtores e, por isso, pode seguir desenvolvendo os motores.
Assim, a Yamaha é quem vem com a moto mais diferente para 2025, especialmente porque tomou a decisão de trocar os motores de quatro cilindros em linha pelo V4, o que exigiu uma mudança completa na YZR-M1. A Honda vai homologar um motor no início do ano e seguir com ele por todo 2026 ― pelo regulamento, esse propulsor não precisa ter sido usado em nenhum momento no ano passado. As demais fábricas ― Ducati, Aprilia e KTM ― devem utilizar os motores que foram homologados no início de 2025.

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Vale ressaltar, porém, o caso da Ducati. A casa de Bolonha tinha dois motores diferentes homologados ― o da GP24 e o da GP25. Assim, mesmo com o veto ao desenvolvimento, os italianos têm essas duas possibilidades para a atual temporada.
A limitação, contudo, não significa falta de evolução. Apesar das barreiras, as fábricas todas apontaram para melhorias nas motos, inclusive no âmbito dos motores.
“Nem todo o motor está completamente congelado. Têm partes, como, por exemplo, o escapamento ou as entradas de ar, em que é possível trabalhar”, explicou Gigi Dall’Igna, chefe da Ducati Corse, a divisão de corridas da marca de Bolonha. “Nós trabalhamos nessas possibilidades”, sublinhou.
O que se viu nos testes foi meio que uma sequência do que tinha aparecido na reta final de 2025: evolução de Aprilia, KTM e Honda. A própria Yamaha deu sinais positivos, ainda que tenha tido problemas ao longo da pré-temporada. No entanto, ficou evidente que a Ducati conseguiu cumprir a meta anunciada por David Barana, diretor-técnico da montadora vermelha, no lançamento da Desmosedici: “Melhorar a moto para aumentar a diferença”.
No campo dos pilotos, o cenário é quase o mesmo do ano passado. Apenas dois nomes estão ausentes: Miguel Oliveira e Somkiat Chantra. O português ficou sem espaço na Pramac e migrou para a BMW no Mundial de Superbike, dando lugar a Toprak Razgatlioglu. O tailandês, por outro lado, foi transferido pela Honda para a série das motos de produção após não conseguir apresentar desempenho na MotoGP e substituído por Diogo Moreira.
Os dois únicos estreantes da classe rainha chegam em cenários completamente diferentes. Razgatlioglu traz na bagagem um tricampeonato no WSBK, mas nenhuma experiencia com protótipos. Além disso, o turco vai guiar uma Yamaha, que ainda está em processo de desenvolvimento dada a juventude do novo projeto da M1. Diogo, por outro lado, fez carreira nas motos desenvolvidas para corrida, sobe como campeão da Moto2 e encontra na LCR uma Honda em fase ascendente.
O restante do grid é composto por pilotos que ficam onde estavam. Campeão vigente, Marc Márquez vai para o segundo ano com a equipe de fábrica da Ducati e agora tentando fazer ainda mais história: chegar ao décimo título no Mundial de Motovelocidade e o oitavo na MotoGP ― o que o colocaria à frente de Valentino Rossi e lado a lado com Giacomo Agostini, o recordista absoluto.

Vice no ano passado, Álex Márquez começa 2026 com um status completamente novo. Além de ter mostrado mais performance em 2025 do que em qualquer outro momento da carreira, o #73 agora tem nas mãos uma Ducati do ano e a pressão de manter o mesmo bom nível na elite do campeonato.
Grande destaque da reta final de 2025, Marco Bezzecchi também abre o ano sob os holofotes. Afinal, a expectativa é alta em torno de uma Aprilia que sonha abertamente com o título. O italiano mostrou força no ano passado, mas repetir a performance vai exigir um combinado de coisas, começando pela performance constante da RS-GP.
Pedro Acosta é outro que entra neste ano despertando curiosidade. O espanhol cresceu de desempenho na segunda metade do ano passado, mas ainda não alcançou a sonhada primeira vitória. O que o ajuda, contudo, é que a KTM conseguiu avançar com a RC16.
Francesco Bagnaia, por outro lado, vive um cenário diferente. O #63 tenta espantar os fantasmas que o assombraram em 2025 e retomar a performance que lhe rendeu dois títulos e até mesmo um vice-campeonato na MotoGP. A pré-temporada mostrou que a falta de entrosamento com a Desmosedici parece ter ficado no passado, mas falta saber se restaram danos permanentes na relação entre o piloto de Torino e Borgo Panigale.
No terreno das novidades, o calendário traz uma única: o retorno do Brasil. Depois de muita espera e duas tentativas frustradas, a MotoGP volta ao país após mais de 20 anos, justamente para correr em uma praça que a acolheu nos anos 1980: o Autódromo Internacional Ayrton Senna.

O circuito localizado em Goiânia passou por uma reforma completa e ainda está em fase de finalização, mas recebe neste fim de semana um evento teste para garantir a homologação da pista no grau máximo da FIM para sediar a segunda etapa da temporada.
Outra novidade, que promete afetar os bastidores, é o desembarque de Guenther Steiner no campeonato. O ex-chefe da Haas na F1 lidera um consórcio que comprou a Tech3 das mãos de Hervé Poncharal ― do qual também faz parte Pierre Gasly, piloto da Alpine na Fórmula 1. O alemão, que ganhou fama com ‘Drive to Survive’, a série da Netflix, promete ser um chamariz de público ao longo do ano.
A temporada 2026 começa neste fim de semana, com o GP da Tailândia, em Buriram. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da MotoGP, assim como das demais classes do Mundial de Motovelocidade.

GUIA MOTOGP 2026
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