“Estamos ferrados”: Mercedes se preocupa com alteração em regra de motores e cobra FIA

Toto Wolff criticou a postura das rivais na polêmica da taxa de compressão das unidades de potência e afirmou que mudança nas regras seria "bastante prejudicial" para a Mercedes

Embora tenha cutucado as rivais há alguns dias por causa das insistentes reclamações sobre a taxa de compressão da unidade de potência da Mercedes, Toto Wolff adotou uma postura mais defensiva ao comentar o assunto durante o primeiro dia de atividades da Fórmula 1 no Bahrein, nesta quarta-feira (11). Em coletiva acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO, o dirigente disse que a equipe alemã “está ferrada” caso a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decida alterar as regras de 2026.

O novo motor da principal categoria do automobilismo virou tema de debate antes mesmo do início oficial da temporada, já que a fabricante de Brackley encontrou uma solução inteligente para ampliar o limite da taxa de compressão, reduzida de 18:1 para 16:1 no atual regulamento. Desta forma, os carros movidos pelo propulsor alemão podem ganhar até 15 cv a mais de potência — ou aproximadamente 0s3 por volta.

Para evitar que isso aconteça, FerrariAudiHonda e até mesmo a Red Bull, que inicialmente adotou uma postura neutra na situação, exigiram uma atitude por parte da FIA. Diretor de monopostos da entidade, Nikolas Tombazis defendeu mudanças nas regras e prometeu uma solução para o caso antes do GP da Austrália, etapa que abre a temporada no início de março. A Mercedes, por sua vez, até ameaçou ir à justiça, mas voltou atrás e negou que seguirá por esse caminho.

Durante entrevista no circuito de Sakhir, Wolff admitiu que ficou supreso com a proporção que o caso tomou, já que, de acordo com ele, a equipe está tranquila em relação à legalidade do motor. “Estou um pouco mais confuso nas últimas semanas sobre como isso chegou ao ponto de, de repente, virar debate, porque até a sexta-feira passada me deram a impressão de que as coisas não mudariam”, começou.

Toto Wolff disse que a Mercedes não quer travar uma guerra judicial contra a FIA (Foto: AFP)

Na sequência, ao ser questionado se acredita que uma decisão por parte da FIA seja algo iminente, o dirigente explicou como acontece a votação nesse caso e criticou o lobby de outras fabricantes ao longo dos últimos meses — o que deve levar a uma mudança nas regras. “Não são apenas as equipes — precisamos dos votos do órgão regulador e dos votos do detentor dos direitos comerciais, e se eles decidirem compartilhar uma opinião e uma agenda, então estamos ferrados”, seguiu.

“Esse tipo de lobby dos outros fabricantes de motores aumentou enormemente nos últimos meses. Quero dizer, reuniões secretas, cartas secretas para a FIA, embora obviamente não exista nada realmente secreto a essa altura. E isso nos trouxe a esta situação”, apontou Toto, que ainda disse que está ansioso para ver qual será a postura da FIA caso realmente aconteça alguma mudança, já que a data para homologação dos motores é 1º de março, apenas uma semana antes da etapa em Melbourne.

“Bem, se isso virar um regulamento, você precisa segui-lo. E se não puder segui-lo, então a FIA precisa apresentar algum tipo de solução para ajustar isso, e isso não está claro para nós. Claro, você desenvolve um motor ao longo de muito tempo e há prazos de antecedência, e se disserem que você não pode operar o motor da maneira como o desenvolveu, isso pode ser bastante prejudicial para o desempenho”, encerrou.

Fórmula 1 retorna nesta quinta-feira (12), a partir das 4h (de Brasília, GMT-3), para o segundo dia da primeira bateria de testes coletivos no Bahrein. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades IN LOCO com o repórter Leonid Kliuev.

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