Por que Red Bull mudou de lado e deixou Mercedes sozinha em briga de motor de 2026

De início, acreditava-se que a Red Bull havia replicado o truque encontrado pela Mercedes para superar o limite da taxa de compressão dos cilindros do motor. Agora, porém, a equipe de Milton Keynes migrou para o outro lado desta disputa

A Red Bull abandonou a barca da Mercedes na disputa pela legalidade do truque encontrado pela equipe prateada na produção dos motores para a temporada 2026 da Fórmula 1. De início, ambas pareciam alinhadas nesta batalha fora das pistas, mas o projeto da unidade de potência do time de Milton Keynes esbarrou em um obstáculo que fez a esquadra mudar de lado.

Essa polêmica inicialmente estourou em meados de dezembro, quando o portal inglês The Race publicou uma reportagem afirmando que duas fabricantes — Mercedes e Red Bull — haviam encontrado uma solução inteligente para ampliar o limite da taxa de compressão, reduzida de 18:1 para 16:1 com a mudança no regulamento de 2026.

A taxa de compressão de um motor de Fórmula 1 é definida pela relação entre o volume máximo do cilindro — quando o pistão está no ponto mais baixo — e o volume mínimo — quando o pistão está no ponto mais alto. A questão, no entanto, é que isso é medido apenas com o motor fora da temperatura ideal de funcionamento na pista, mas a taxa de compressão do motor alemão aumenta quando ele está aquecido.

De acordo com o Motorsport Itália, a Red Bull descobriu esse truque do motor da Mercedes e tentou replicar no RB22, mas sem sucesso. Por isso, migrou de lado nesta disputa e se uniu a outras equipes, como Audi, Ferrari e Honda, que se recusam a ficar em segundo plano e estão bastante vocais na batalha levada até a Federação Internacional de Automobilismo (FIA).

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A Mercedes encontrou uma brecha no regulamento, e a Red Bull sabia disso (Foto: Mercedes)

No ano passado, o então chefe de equipe, Christian Horner, afirmou em entrevista ao canal britânico Channel 4 que a Red Bull havia tirado “mais de 200 pessoas” da Mercedes. Além disso, também salientou que a esquadra de Milton Keynes “contratou perto de 250 pessoas nos últimos 12 meses, para todo o projeto, para a área de sistemas de transmissão e para a nova oficina de motores”.

Logo, naturalmente, era de se imaginar que a Red Bull teve um primeiro contato com o truque da Mercedes ainda cedo no desenvolvimento das unidades de potência para 2026. Porém, ainda de acordo com a publicação italiana, a equipe não teve tempo hábil para implementá-lo no motor produzido em parceria com a Ford, mesmo tendo conhecimento do recurso “há muito tempo”.

Nesta semana, as equipes se encontraram novamente com a FIA para discutirem uma solução para a brecha encontrada pela Mercedes. Após reunião com a Fórmula 1, a entidade decidiu realizar a checagem da taxa de compressão da unidade de potência com os motores aquecidos, e não frios como determinado inicialmente pelo regulamento. A expectativa é que a mudança entre em vigor já a partir do GP da Austrália, que abre o campeonato em 8 de março, de acordo com a revista italiana Autosprint.

Segundo a versão italiana do portal Motorsport, a Mercedes cogita acionar a justiça caso a FIA, de fato, decida modificar o regulamento das novas unidades de potência.

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