Jaguar vive êxtase, Andretti patina: quem sai em alta e em baixa do eP de Jedá
A rodada dupla em Jedá mostrou o contraste entre o equilíbrio na briga pelo Mundial de Pilotos com a tendência de Porsche e Jaguar controlarem a disputa entre Equipes. Das vitórias de Pascal Wehrlein e António Félix da Costa, até o caos vivido por Lola Yamaha e DS Penske, veja quem se destacou positiva e negativamente na Arábia Saudita
A rodada dupla em Jedá clareou ainda mais o cenário da temporada 2025/26 da Formula E. Entre demonstrações de força, reviravoltas e fins de semana para esquecer, o campeonato deixa a Arábia Saudita com sinais claros de quem ganhou tração na disputa e quem começa a ver o pelotão escapar.
A vitória de Pascal Wehrlein no eP de Jedá 1 o colocou na liderança do Mundial de Pilotos e reforçou a condição de favorita da Porsche pelo título de Equipes. Porém, o desempenho da Jaguar, coroado com a vitória de António Félix da Costa no eP de Jedá 2, colocou o time britânico como principal rival da escuderia alemã.
A rodada dupla também expôs como dinâmicas internas delicadas podem mexer com o desempenho nas pistas e reforçou os momentos negativos vividos no campeonato. Além disso, mostrou novamente que, na Fórmula E, pequenos detalhes seguem decidindo corridas e campeonatos. Em um grid cada vez mais equilibrado, sobreviver sem erros já é meio caminho andado.
Com o campeonato caminhando para a perna europeia do calendário, o GRANDE PRÊMIO separou quem saiu fortalecido do Oriente Médio e quem chega no Velho Continente com o sinal de alerta ligado.

Quem sai do eP de Jedá em alta:
Jaguar
Ninguém sai mais em alta da rodada dupla em Jedá do que a Jaguar. Após ficar zerada nas duas primeiras etapas do campeonato por incidentes que Mitch Evans e António Félix da Costa pouco puderam fazer para evitar, a equipe britânica começou a entregar grandes resultados e já pulou para o segundo lugar no Mundial de Equipes. Evans venceu em Miami e a equipe só não brigou forte por um pódio duplo pela abalroada de Felipe Drugovich na traseira de Da Costa. E o ponto alto da temporada até aqui veio na Arábia Saudita, com o terceiro lugar do neozelandês na sexta-feira e a vitória do português no dia seguinte. Como disse o chefe da equipe, Ian James, o potencial da Jaguar nunca esteve em questionamento. Logo na primeira etapa sem nenhum contratempo, o time britânico mostrou o nível de resultados que pode entregar. Se existe alguma equipe que pode ameaçar a Porsche nesta temporada, é a Jaguar. E, caso consigam se manter longe de problemas, Evans e Da Costa serão candidatos fortes ao Mundial de Pilotos.
Edoardo Mortara
Quem também se colocou como candidato ao título em Jedá foi Edoardo Mortara. A Mahindra saiu da pré-temporada como uma das principais forças do grid, e o suíço vem tirando o melhor do conjunto indiano. Após uma corrida totalmente caótica que terminou com abandono em São Paulo, subiu ao pódio na Cidade do México e em Jedá e teve como pior resultado o sexto lugar em Miami. Apesar da frustração de fazer ambas as pole-positions e ainda assim sair da Arábia Saudita sem vitória, Mortara foi indiscutivelmente o piloto mais forte no conjunto da rodada dupla — e é difícil imaginar que o triunfo não teria vindo não fosse o problema de tração que o fez despencar da pole para sétimo logo na largada de sexta-feira. Ainda assim, deixou o Oriente Médio na vice-liderança do campeonato, apenas 4 pontos atrás de Wehrlein. Na Fórmula E, ser consistente é tão importante quanto vencer — em muitos momentos, até mais. E, caso consiga manter esse nível, será quase impossível fechar o campeonato sem, ao menos, um triunfo. Esse pode ser o ano de coroar a reconstrução da Mahindra, e Mortara é o piloto mais preparado para comandar a equipe neste processo.
Sébastien Buemi
Tal qual uma fênix, Sébastien Buemi ressurge das cinzas para mostrar que ainda tem lenha para queimar na Fórmula E. Um dos únicos pilotos que disputou todas as temporadas da história do campeonato, vinha de alguns anos em que demonstrava sinal de esgotamento. Não apenas em termos de resultados, mas a impressão que se tinha ao vê-lo era de um piloto desmotivado, que parecia se conformar com a realidade de ter passado do auge e fadado a deixar o grid em pouco tempo. Eis que chegou a temporada 2025/26, exatas dez após o título do Mundial de Pilotos, trazendo vida nova. Em cinco corridas até aqui, foram quatro na zona de pontuação. E mesmo na Cidade do México, onde passou reto na largada e despencou no pelotão, cravou a pole-position e fazia boa recuperação até sofrer um furo de pneu que arruinou as chances de pontuar. Ou seja, até quando o resultado foi negativo, Buemi teve momentos de destaque. Além disso, em todas as aparições, parece mais leve, confiante e com astral renovado. Brigar pelo título pode estar acima do alcance, já que a Envision não demonstrou até aqui potencial para fazer frente às principais equipes. Mas o suíço prova que ainda é extremamente competitivo e, se tiver um carro capaz, pode voltar a fazer barulho na categoria.
Cupra Kiro
A Cupra Kiro quase viu todo o trabalho duro do fim de semana ir por água abaixo nos instantes finais do eP de Jedá 2, quando Pepe Martí — inexplicavelmente — partiu para cima de Dan Ticktum na chicane da reta oposta para tentar tomar a quinta posição do companheiro de equipe e levou uma fechada que quase resultou em batida e abandono de ambos. No calor do momento, o espanhol esbravejou no rádio e classificou como “movimento de retardado” a ação do britânico, que respondeu chamando o novato de “imaturo”. Ainda assim, a equipe americana sai fortalecida da etapa, tendo demonstrado uma grande evolução em ritmo de corrida da sexta-feira para sábado e vendo Ticktum finalmente romper com a má fase e marcar os primeiros pontos no campeonato, além de Martí seguir mostrando desempenho surpreendente para um novato que, até a pré-temporada, nunca havia entrado em um carro de Fórmula E. Se conseguir conter os ânimos dos dois e evitar a eclosão de uma guerra interna, a Cupra Kiro pode ser uma peça inesperada no xadrez da temporada e brigar para ser a melhor cliente no Mundial de Equipes — já que, ao contrário da temporada passada, possui dois pilotos capazes de marcar bons pontos.

Quem deixa o eP de Jedá em baixa:
Andretti
A Andretti não se encontrou em praticamente nenhum momento. Tanto Jake Dennis quanto Drugovich sofreram com a traseira instável do carro ao longo de todo o fim de semana. A classificação do sábado foi um oásis de esperança, com o britânico chegando até o duelo final e largando no 2º lugar. Mas na corrida, já vinha demonstrando não ter ritmo para brigar pela vitória quando um furo de pneu o jogou para 19º e o fez completar o fim de semana apenas com os 2 pontos que conseguiu salvar na véspera. Já Drugovich não conseguiu extrair absolutamente nada em nenhum dos dois dias e segue zerado no campeonato. A situação do brasileiro começa a ficar feia, principalmente comparando com Martí, que já pontuou três vezes na temporada, mesmo tendo ainda menos experiência nos modelos elétricos. Drugovich precisa começar a entregar resultados rapidamente para mostrar à Andretti que merece a confiança depositada nele e que pode entregar a consistência que a equipe americana busca há anos no segundo carro.
DS Penske
Quem também patinou sem parar em Jedá foi a DS Penske. Mesmo apresentando forte ritmo na classificação, o que permitiu a Maximilian Günther e Taylor Barnard avançarem aos duelos na sexta-feira — e ao alemão repetir a dose no dia seguinte —, a equipe americana só andou para trás nas corridas. Em nenhum momento foi capaz de se manter no pelotão dianteiro e deixou o território saudita com apenas 2 pontos, ambos conquistados pelo britânico, um em cada prova. Em nada vem lembrando a equipe que só venceu menos corridas que Jaguar e Nissan na temporada passada. Com o interesse da Stellantis em ter mais controle de uma segunda equipe no grid da Fórmula E — a Opel deve se juntar à Citroën como representantes da montadora na Gen4 —, tudo caminha para um fim de parceria sofrível entre fabricante neerlandesa e Penske.
Lola Yamaha
A situação da Lola Yamaha não surpreende ninguém. Apenas no segundo ano na Fórmula E, a marca britânica entrou na categoria em um momento em que todas as outras montadoras já estavam bem avançadas no desenvolvimento da atual geração. Ainda assim, não deixa de chamar atenção ver uma equipe tão destacada — negativamente — do resto do pelotão. Por isso, a Lola Yamaha aposta todas as fichas na preparação para a Gen4 — a decisão de se separar da Abt e controlar toda a operação da base em Silverstone mostra a ambição de ser uma força na próxima era. Enquanto isso, a única coisa que resta a Lucas di Grassi e Zane Maloney nesta temporada é apostar em estratégias diferentes e torcer por algum incidente que beneficie ambos para salvar algum resultado milagroso.
Nyck de Vries
O fim de semana de Nyck de Vries é prova de que nada é tão ruim que não possa piorar. Após chegar a São Paulo sonhando em brigar pelo bicampeonato da Fórmula E, teve atuação desastrosa no Anhembi — que contou com contatos que atrapalharam Mortara e Ticktum — e cometeu um erro que colocou ponto final precocemente em uma prova totalmente discreta no México. Apenas em Miami conseguiu ter uma corrida tranquila e chegou em 5º. Em Jedá, não conseguiu largar na sexta-feira por um problema no trem de força da Mahindra, que precisou trocar diversos componentes do conjunto antes do TL3, resultando em 60 posições de punição no grid de largada e um stop-and-go de 10s. O neerlandês ficou de mãos atadas e deixou o Oriente Médio zerado. Definitivamente, uma etapa para De Vries esquecer.
A Fórmula E agora faz pausa de pouco mais de um mês antes da próxima etapa, o eP de Madri, entre os dias 20 e 21 de março. Em Jarama, a capital espanhola estreia no calendário da categoria elétrica e abre a perna europeia da temporada 2025/26. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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