Nissan admite cobrança à Fórmula E por 2º time da Porsche: “Muitas preocupações”
Chefe da Nissan, Tommaso Volpe revelou que montadoras não foram informadas pela Fórmula E da entrada da segunda equipe da Porsche e levantou preocupações com separação das operações dos times
Tommaso Volpe revelou que ainda aguarda esclarecimentos da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e da Fórmula E sobre a decisão da Porsche de inscrever uma segunda equipe de fábrica a partir da era Gen4. O chefe da Nissan revelou que não houve comunicação oficial da categoria com as outras montadoras e que existem preocupações sobre a operação dos dois times, para evitar um cenário de domínio amplo da montadora alemã.
Em novembro do ano passado, a Porsche anunciou que passará a operar dois times oficiais na categoria elétrica a partir da próxima geração de carros. A nova estrutura deve funcionar como equipe júnior, em modelo semelhante ao adotado pela Red Bull na Fórmula 1 nas últimas duas décadas. Caso obtenha a licença, o atual campeão do DTM, Ayhancan Güven, é apontado como favorito a ocupar um dos assentos.
A possibilidade de uma fabricante alinhar duas equipes oficiais sob a mesma marca representa uma mudança significativa no modelo operacional da Fórmula E. Na prática, seriam dois times distintos competindo com o mesmo carro e sob o mesmo guarda-chuva estrutural — algo inédito na história da categoria.
Segundo Volpe, a forma como a novidade foi comunicada também causou surpresa. O dirigente destacou que, se a entrada ocorresse sob outra marca pertencente ao Grupo Volkswagen — conglomerado do qual a Porsche faz parte — e possivelmente com operação em base diferente, o impacto seria menor.

“Soube pela imprensa, pelo comunicado oficial. Não tinha sido informado antes. Para mim, é uma mudança de modelo na forma como o campeonato opera, porque isso nunca aconteceu antes — especificamente porque eles usarão a mesma marca de carro em duas equipes”, afirmou em entrevista ao RacingNews365.
“Se fosse um fabricante utilizando duas marcas diferentes, ainda seria uma mudança, mas menos radical”, pontuou.
Volpe indicou que não apenas a Nissan, mas outras montadoras também manifestaram preocupações às autoridades do campeonato. O dirigente ressaltou que o temor central gira em torno do equilíbrio competitivo da categoria, especialmente diante da possibilidade de concentração de recursos sob uma única estrutura.
“Inevitavelmente isso levanta muitas perguntas e preocupações, que compartilhamos com FIA e Fórmula E. Não só nós, mas muitos outros. Eles precisam trabalhar para fornecer respostas. Seria ingênuo esperar que, com uma mudança tão importante, não houvesse questionamentos”, disse.

“Esperamos que todas essas perguntas tenham resposta. Não é do interesse de ninguém ter domínio no campeonato”, declarou.
Ao mesmo tempo, Volpe reconheceu que parte das incertezas está ligada ao fato de que o formato completo da Gen4 ainda não foi definido. Segundo ele, diversos cenários permanecem difíceis de antecipar enquanto as discussões sobre o formato dos fins de semana seguem em andamento.
“Nem tudo é fácil de responder neste momento, porque há situações difíceis de prever. O próprio formato da Gen4 ainda não está claro, então muitos cenários são complicados de antecipar”, concluiu o chefe da Nissan.
A Fórmula E está em uma pausa antes da próxima etapa, o eP de Madri, entre os dias 20 e 21 de março. Em Jarama, a capital espanhola estreia no calendário da categoria elétrica e abre a perna europeia da temporada 2025/26. Emissora oficial no Brasil, o GRANDE PRÊMIO transmite todas as atividades de pista AO VIVO e COM IMAGENS no YouTube e na GPTV.
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