Yamaha tira pilotos do foco e põe diretor para explicar declínio no início da temporada 2026
Lanterna entre as cinco fábricas da MotoGP no GP da Tailândia, a Yamaha retirou os pilotos das tradicionais entrevistas pós-corridas e colocou Paolo Pavesio diante da imprensa para dar explicações. O diretor da marca dos três diapasões reconheceu o momento ruim e frisou que a montadora japonesa tem um longo caminho pela frente para voltar a ser competitiva
A Yamaha precisou encarar a realidade no GP da Tailândia de domingo (1): a YZR-M1 2026 ainda está longe de ser uma moto competitiva. A falta de performance em Buriram foi tamanha que a montadora japonesa optou por tirar os pilotos do foco e colocar Paolo Pavesio, o diretor da divisão de corridas, para dar explicações à imprensa.
Em declínio desde a conquista do título de 2021, a marca dos três diapasões optou por uma mudança radical neste ano: abandonar a tradição do motor de quatro cilindros em linha e se alinhar à concorrência com um propulsor V4. A mudança, porém, exigiu a construção de uma moto completamente nova, o que fez a M1 caminhar para trás ao invés de progredir.
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Depois de uma pré-temporada difícil, o GP da Tailândia evidenciou um declínio na performance em comparação com o ano passado, já que os pilotos, ao invés de se aproximarem dos ponteiros, ficaram ainda mais distantes.
| Fabio Quartararo | ||
| 2025 | 2026 | |
| TL1 | 3º | 1:29.765 | +0.342 | 18º | 1:30.470 | +1.124 |
| Treino | 8º | 1:29.485 | +0.465 | 16º | 1:29.884 | +1.358 |
| TL2 | 10º | 1:30.369 | +0.740 | 18º | 1:30.793 | +1.139 |
| Q1 | – | 6º | 1:29.683 | +0.899 |
| Q2 | 10º | 1:29.389 | +0.607 | – |
| Sprint | 7º | +13.437 | 16º | +15.079 |
| Warm-up | 8º | 1:30.417 | +0.957 | 18º | 1:30.713 | +1.068 |
| GP | 15º | +26.456 | 14º | 30.823 |
| Álex Rins | ||
| 2025 | 2026 | |
| TL1 | 19º | 1:30.696 | +1.273 | 13º | 1:30.268 | +0.922 |
| Treino | – | 20º | 1:30.302 | +1.776 |
| TL2 | 21º | 1:30.995 | +1.366 | 21º | 1:31.282 | +1.628 |
| Q1 | 9º | 1:29.733 | +0.553 | 9º | 1:30.067 | +1.283 |
| Q2 | – | – |
| Sprint | 17º | +20.140 | 18º | +15.876 |
| Warm-up | 14º | 1:30.675 | +1.215 | 21º | 1:30.924 | +1.279 |
| GP | 17º | +31.095 | 15º | +32.955 |
| Jack Miller | ||
| 2025 | 2026 | |
| TL1 | 4º | 1:29.840 | +0.417 | 20º | 1:30.839 | +1.493 |
| Treino | 14º | 1:29.746 | +0.726 | 19º | 1:30.134 | + 1.608 |
| TL2 | 16º | 1:30.510 | +0.881 | 20º | 1:31.130 | +1.476 |
| Q1 | 2º | 1:29.186 | +0.006 | 8º | 1:29.834 | +1.050 |
| Q2 | 4º | 1:29.090 | +0.308 | – |
| Sprint | Abandonou | 15º | +13.467 |
| Warm-up | 10º | 1:30.449 | +0.989 | 16º | 1:30.640 | +0.995 |
| GP | 11º | +22.315 | 18º | +47.848 |
Em meio à uma evidente insatisfação dos pilotos, a Yamaha retirou Fabio Quartararo, Álex Rins, Jack Miller e Toprak Razgatlioglu das tradicionais entrevistas pós-corrida em Buriram e enviou Pavesio para explicar o momento atual da marca. O dirigente reconheceu o momento ruim e admitiu que existe uma montanha íngreme a ser escalada.
“Como vocês bem sabem, este é o início de uma nova jornada. Depois de nossos pilotos darem tudo na pista, era certo que eu viesse aqui explicar nossa situação atual e onde estamos com o projeto”, disse Pavesio.
Questionado se o desempenho no GP da Tailândia foi pior do que o esperado, Pavesio respondeu: “É difícil dizer que foi melhor. Nós embarcamos nessa jornada no ano passado, antecipando um projeto completamente novo baseado em um novo motor. Desde o primeiro fim de semana de corrida, a diferença entre nós e o melhor estava clara. Sabemos que temos uma montanha alta para escalar, mas, quando decidimos dar esse passo, sabíamos do desafio que tínhamos pela frente. Nós todos estamos dando 110%, assim como a companhia, e vamos seguir assim. Não há uma fórmula mágica: estamos indo passo a passo, segundo a segundo. Estamos determinados a desenvolver o projeto até que sejamos competitivos outra vez”.
O dirigente, porém, avaliou que é difícil dizer quanto tempo vai demorar para que a YZR-M1 volte a ser uma moto competitiva na MotoGP.
“Neste momento, é muito difícil falar em termos de meses. Cada vez que vamos para a pista, temos aspectos para melhorar e entender. Ainda estamos pegando a mão das coisas básicas do projeto, incluindo a moto como um todo”, apontou. “Felizmente, graças às concessões, podemos trabalhar mais do que os outros. Esta será uma temporada de aprendizado, entendimento, mudanças e melhora. Espero a mais rápida trajetória de crescimento possível”, torceu.
“Sabíamos que, no início, perderíamos algo em comparação com o nível que atingimos no ano passado. Foi um sacrifício consciente para atingir mais consistência na corrida”, frisou. “Sábado, só para dar um exemplo, não foi ruim, pois o intervalo entre a primeira Yamaha e o vencedor foi o mesmo do ano passado, mas nós sofremos mais na corrida de hoje”, indicou.
Pavesio admitiu, ainda, que a situação é “emocionalmente desafiadora” para todos os integrantes da equipe.
“É emocionalmente desafiador para todos. Os pilotos são os mais expostos, mas têm muitas pessoas que estão trabalhando dia e noite há meses neste projeto. Temos de lembrar que este é o desafio que temos de encarar para voltarmos ao lugar em que queremos estar, que é a ponta. Não é fácil, mas não há outro jeito, pois é uma questão de trabalhar duro”, defendeu. “Esta semana, nós tivemos a visita do presidente, que veio do Japão até Buriram. Em um momento como este, é de se esperar algum tipo de inspeção, mas, ao invés disso, ele veio confirmar o apoio total da matriz. Nós estamos totalmente comprometidos em encontrar a química certa para este projeto para levar a Yamaha de volta ao nível a que ela pertence. Não houve nenhuma ruptura com o passado: estamos simplesmente trabalhando de forma diferente e tentando entender a situação em profundidade”, acrescentou.
Pavesio não quis detalhar um cronograma de desenvolvimento para a YZR-M1, mas destacou que a moto já evoluiu muito desde a estreia como wild-card em Misano.
“A verdade será revelada nas corridas, mas a moto mudou muito desde o wild-card do ano passado em Misano. Só estamos na terceira corrida e ainda estamos planejando, tentando entender a melhor maneira de integrar esses novos componentes. Não é apenas uma questão de introduzir novidades, mas de fazê-las trabalhar juntas. Ainda estamos definindo o melhor pacote básico. Aí, uma vez que conseguirmos, vamos poder trabalhar com mais continuidade”, contou.
Pavesio explicou que o desenvolvimento da Yamaha se dá em duas frentes, uma que trabalha na sede da divisão esportiva, na Itália, e outra que está na fábrica da companhia, no Japão, o que permite um trabalho quase ininterrupto.
“É um desenvolvimento conjunto entre o Japão e a Itália. Não é segredo que também colaboramos com um engenheiro externo. Na Itália, em Gerno di Lesmo, temos mais de 30 engenheiros trabalhando em diferentes áreas da MotoGP, mas o desenvolvimento principal segue no Japão”, afirmou. “Quando tudo funciona bem, nós basicamente trabalhamos em dois turnos: enquanto parte do time termina o dia, a outra parte começa na Ásia. Em algumas áreas, o trabalho é paralelo. Em outras, é complementar”, seguiu.
Enquanto o motor segue sendo o assunto mais falado no que diz respeito à M1, Pavesio mostrou satisfação no que diz respeito à aerodinâmica da moto.
“Nós escolhemos uma direção específica para a aerodinâmica, e hoje é, provavelmente, a área em que nos sentimos mais fortes”, revelou.
O diretor explicou, ainda, que o desenvolvimento da moto de 2026 não é um empecilho para 2027, já que o trabalho deste ano vai ajudar com o próximo regulamento. No ano que vem, a MotoGP vai trocar as motos de 1000cc por protótipos de 850cc.
“Conforme desenvolvemos as motos de 2026, estamos aprendendo conceitos fundamentais que também serão cruciais em 2027. Ir de um motor de quatro cilindros em linha para um V4 muda profundamente o equilíbrio da moto, a configuração, a posição do piloto, as medidas. Estes são todos elementos que nós agora estamos entendendo e que serão decisivos para o futuro”, observou.
Questionado se os problemas que forçaram a Yamaha a perder um dia de testes em Sepang resultaram em uma mudança no plano de trabalho, Pavesio respondeu: “Não. Nós não planejamos chegar à primeira corrida com uma especificação diferente de Sepang. Vários motores foram construídos com aquela configuração. Em Sepang, nós tivemos um problema que não estava relacionado ao conceito de design do nosso motor, mas a um componente especifico que conseguimos identificar e corrigir. Esta é a situação atual”.
A MotoGP volta a acelerar entre os dias 20 e 22 de março, com o GP do Brasil, em Goiânia, para a 2ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das demais classes do Mundial de Motovelocidade.
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