Pol Espargaró atrela crise da Ducati às concessões: “Mãos atadas há 4 anos”
Piloto de testes da KTM, Pol Espargaró avaliou que a perda de domínio da Ducati na temporada 2026 da MotoGP está relacionada ao fato de a casa de Borgo Panigale ter as maiores limitações previstas no regulamento. Catalão reconheceu que as demais fábricas jogam com vantagem
Pol Espargaró relacionou as dificuldades da Ducati na temporada 2026 da MotoGP ao regulamento de concessões. Na visão do catalão, enquanto as outras marcas, especialmente as japonesas “jogam com vantagem”, a casa de Borgo Panigale está “de mãos atadas” há quatro anos.
A classe rainha adotou um sistema de concessões ainda em 2014 para permitir um nivelamento de performance no grid. Dez anos depois, o formato foi revisado, criando o regulamento atual, que divide as fábricas em grupos de acordo com o percentual de pontos obtido em relação ao máximo possível no Mundial de Construtores.
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A performance das fábricas é avaliada em duas janelas ― do primeiro ao último evento da temporada e do primeiro evento após o veto de testes do verão até o primeiro antes da mesma proibição no ano seguinte. As construtoras, então, são divididas nos grupos A, B, C e D, que determinam as limitações e as benesses de cada um.
No grupo A desde o início do regulamento atual, a Ducati, que somou mais de 85% dos pontos disponíveis nos últimos anos, está limitada a usar 170 pneus para testes ao longo do ano, só pode provar com o piloto de testes, em três circuitos pré-selecionados, não pode fazer wild-cards, tem de usar até oito motores congelados no ano só pode fazer uma atualização aerodinâmica por temporada.

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No grupo C, onde estão Aprilia, KTM e Honda, são 220 pneus e até seis wild-cards. No D, onde está a Yamaha, são 260 pneus, os pilotos titulares estão liberados para testar em qualquer circuito do calendário, o total de motores chega a dez e eles tampouco são congelados e estão disponíveis duas atualizações aerodinâmicas.
Na visão de Pol Espargaró, é justamente esse regulamento que está afetando a Ducati, já que os italianos ficaram bastante limitados nos últimos anos, enquanto as rivais tiveram mais margem de manobra.
“É preciso dizer que todas as fábricas japonesas jogam com vantagem. Está certo dizer que a Ducati está com dificuldades, mas temos de ser conscientes de que a Ducati está limitada há muito tempo”, disse Pol em entrevista ao jornal espanhol AS. “Eles não puderam fazer modificações no motor, podem tocar na aerodinâmica de uma maneira muito limitada e os parâmetros que eles podem tocar são muito pouquinhos. Todas as demais, especialmente as japonesas, mas as europeias também, incluindo Aprilia e KTM, tiveram vantagens maiores do que eles, com muito mais dias de treino e melhoras evidentes que fomos vendo em todas as fábricas menos na Ducati”, seguiu.
“Eles melhoraram um pouquinho em aerodinâmica, mas muito pouquinho. O regulamento de concessões tratava disso, de colocar dificuldades para as fábricas que mais ganhavam para ajudar as que menos ganhavam”, reforçou.
O caçula dos irmãos Espargaró reconheceu, contudo, que há certo exagero quando se fala em crise da Ducati, mas defendeu que é preciso ser honesto e reconhecer as limitações impostas ao time de Bolonha.
“Sempre. No esporte de elite, sempre. Há muita gente assistindo ao que está acontecendo, a ação. Quando algo assim acontece, existe um exagero grande e também os meios de comunicação se deleitam um pouco ― nós nos deleitamos um pouquinho mais com as desgraças do que com as vitórias ―, mas é preciso ser justo com a situação”, disse Pol, que também atua como comentarista na tv espanhola. “É fato que a Ducati não está fazendo os resultados que fazia, mas isso é derivado das concessões. Acho que veremos em 2027, quando todo mundo parte do zero, com as mesmas vantagens e inconvenientes. Aí veremos se realmente a Ducati está com um problema ou não”, sugeriu.
“Mas eu creio que o que estão passando agora não é fruto deste ano, é fruto dos últimos quatro anos, em que eles estiveram de mãos atadas, sem concessões”, concluiu.
A MotoGP volta a acelerar entre os dias 24 e 26 de abril, para o GP da Espanha, direto de Jerez, para a 4ª etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das demais classes do Mundial de Motovelocidade.
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