5 coisas que aprendemos com o GP de Long Beach da Indy

Etapa em Long Beach da Indy expõe força de Palou, frustrações de Kirkwood, limitações de pista e novas dúvidas sobre o push-to-pass.

O GP de Long Beach entregou muito mais do que apenas a vitória de Álex Palou. Em um dos palcos mais tradicionais da Indy, a etapa na Califórnia escancarou tendências importantes para o restante da temporada 2026.

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Ao mesmo tempo, a corrida deixou questões incômodas no ar. A dificuldade extrema de ultrapassagens transformou a prova em um evento travado, enquanto episódios extrapista, como a falha no push-to-pass, voltaram a colocar a categoria sob escrutínio em termos de transparência e controle técnico.

Entre desempenhos que merecem destaque, oportunidades perdidas e problemas que a Indy precisa resolver com urgência, Long Beach funciona como um retrato fiel deste início de campeonato: mais equilibrado no papel, mas com um protagonista que começa, novamente, a se destacar. Confira cinco coisas que aprendemos com o GP de Long Beach:

Tem de lamentar, Kirkwood!

Kyle Kirkwood (Foto: Indycar)

Kyle Kirkwood chegou com banca de favorito em Long Beach, mas sofreu um duro golpe diante de Álex Palou. Em vez de aumentar a liderança do campeonato, saiu da Califórnia 17 pontos atrás do espanhol, que venceu pela primeira vez no circuito de rua. O norte-americano admitiu que tinha o favoritismo na pista onde já ganhou duas vezes e onde a Andretti havia faturado cinco das sete edições anteriores até então, mas ressaltou que não poderia reclamar do quarto lugar.

É verdade que a consistência vai ser chave na disputa pelo título e se manter entre os cinco primeiros em todas as corridas é um trunfo para Kirkwood, mas havia muito a lamentar com o resultado deste domingo (19). Ainda há muita temporada pela frente, mas certamente não estava nos planos perder para Palou na Califórnia.

Pela frente, vem o GP de Indianápolis. Nas últimas três edições disputadas no misto de Indianápolis no mês de maio, Palou venceu com sobras. Por isso, Kirkwood tem, sim, muito a lamentar.

Correu como nunca, perdeu como sempre — mas Rosenqvist é digno de nota em Long Beach

Felix Rosenqvist (Foto: Indycar)

Felix Rosenqvist correu como nunca, perdeu como sempre na Indy. A frase pode soar até como provocação, mas o fato é que o sueco apresentou um ritmo que talvez nunca tenha mostrado na carreira nos Estados Unidos.

Rosenqvist cravou a pole do GP de Long Beach, surpreendendo muita gente, e o desempenho na corrida foi digno de nota. É verdade que se beneficiou das características do circuito de rua, que desta vez dificultou ainda mais as ultrapassagens, mas controlou Palou enquanto pôde — ou melhor, até a parada final, quando a Ganassi deu uma aula nos boxes e colocou o espanhol na frente.

Em 2024, Rosenqvist também fez a pole com a Meyer Shank em Long Beach, mas não durou uma curva. Uma evolução e tanto. Além disso, viu Marcus Armstrong enfrentar problemas e superou o companheiro no campeonato, que começou o ano com muito mais destaque. Que seja uma virada de chave para que, ao menos, o #60 se torne um ingrediente interessante nesse caldo chamado Indy 2026.

Só eficiência não é suficiente para superar Palou

Álex Palou (Foto: Indycar)

Felix Rosenqvist lamentou ter perdido a vitória para Álex Palou no GP de Long Beach, mas trouxe um ponto importante: a troca de pneus e o reabastecimento não foram lentos no último pit-stop. O time de Mike Shank, Jim Meyer e Helio Castroneves foi eficiente, assim como Kyle Kirkwood, que novamente terminou no top-5 — só que eficiência não basta para superar o espanhol.

A temporada 2026 da Indy começou mais equilibrada do que o imaginado, mas quando Palou começa a vencer, mesmo em uma pista em que não era apontado como favorito, surge a sensação de que o espanhol sempre tem uma carta na manga — ainda mais quando a próxima etapa é no misto de Indianápolis, onde ele tem reinado.

O discurso pode soar repetitivo, mas as equipes da Indy — principalmente a Andretti e Kirkwood — precisam encontrar algo para impedir que o espanhol dispare e transforme o restante da temporada em uma apoteose rumo ao penta.

Monotonia carece análise

O GP de Long Beach de 2026 não foi o mais chato da temporada, mas deve ter sido a etapa mais difícil de assistir desde o All-Star do Thermal Club de 2024. É fato que há maior dificuldade de ultrapassagem em circuitos de rua, mas foram apenas 69 ultrapassagens por posição.

A Indy precisa analisar o que tornou a etapa deste ano uma verdadeira procissão em comparação com 2025, quando houve 764 mudanças de posição — ambos os números divulgados pela própria categoria.

A desculpa do híbrido não se sustenta, já que a motorização era a mesma em 2025. O foco talvez deva estar nos compostos de pneus, que tiveram novidades neste ano. A categoria precisa esmiuçar o que aconteceu em Long Beach para evitar que essa monotonia se repita não apenas em 2027, no segundo maior evento do calendário, mas também nos demais circuitos de rua desta temporada.

Faltou transparência em nova falha de push-to-pass

Marcus Armstrong (Foto: Indycar)

A Indy viveu um novo episódio envolvendo o push-to-pass. Depois do caso da Penske em St. Pete, em 2024, 12 pilotos conseguiram adicionar potência antes da linha de chegada na relargada da volta 61 em Long Beach, quando o sistema não deveria permitir o uso do recurso. A IndyCar Officiating, comissão de arbitragem da categoria, revelou a falha de software em nota e assumiu a responsabilidade, isentando pilotos e equipes e mantendo o resultado da prova.

Até aí, tudo bem, mas faltou transparência no episódio. Entre os envolvidos, apenas Marcus Armstrong e Santino Ferrucci foram citados, já que o neozelandês ultrapassou o norte-americano naquela volta. A direção de prova, com base nos dados, entendeu que ambos usaram o push-to-pass de forma semelhante e, por isso, não puniu o carro #66.

O comunicado deixa claro que a responsabilidade é da categoria, mas a ausência de nomes dos demais envolvidos não ajuda no momento atual — com início de temporada agitado, atenção da mídia e movimentos importantes fora das pistas, como a visita a Goiânia. Quem mais acionou o sistema? De quais equipes? O recurso esteve disponível para outros competidores?

Não parece um caso de encobrir irregularidades, mas a transparência total evitaria dúvidas. Sem isso, uma nuvem volta a pairar sobre a categoria — lembrando os bastidores da classificação das 500 Milhas de Indianápolis, quando uma denúncia anônima expôs a questão dos atenuadores adulterados da Penske. Aliás, a própria comissão de arbitragem surgiu como resposta àquele episódio.

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