Cadillac tem início discreto por noviciado e dupla de pilotos enferrujados na F1
Começando o projeto na Fórmula em 2026 com uma estrutura completamente nova, é natural que a Cadillac enfrente alguns desafios. Porém, a opção de começar a caminhada com Valtteri Bottas e Sergio Pérez, pilotos que estavam fora do grid em 2025, pode cobrar um alto preço
Após inúmeras resistências por parte das demais equipes do grid, a Fórmula 1 finalmente abriu as portas para a Cadillac, que estreou no GP da Austrália de 2026 depois de montar uma estrutura totalmente do zero. E, como era de se esperar, o início da trajetória tem sido marcado por algumas adversidades — algo extremamente natural, visto que boa parte do time é inexperiente. Ainda assim, não dá para negar que a dupla de pilotos formada por Valtteri Bottas e Sergio Pérez, que estavam fora do grid, contribui de forma considerável para o ritmo mais lento de evolução.
Depois de ter a tentativa de entrada frustrada, a Andretti firmou uma parceria com a Cadillac. Assim, a marca norte-americana utiliza como base a estrutura que a Andretti preparou ao longo dos últimos anos, que inclui uma fábrica em Indianápolis e uma sub-sede em Silverstone. A própria montadora também investiu US$ 150 milhões (aproximadamente R$ 747 milhões na cotação da época) em uma fábrica de motores na Carolina do Norte.
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Em meio a todos os preparativos, a Cadillac recebeu o sinal verde da FIA e da Fórmula 1 apenas em março do ano passado. A partir daí, iniciou-se uma corrida contra o tempo para concluir a contratação e o treinamento de funcionários, finalizar o projeto do carro e compreender a dinâmica de um fim de semana de corrida na F1. Para isso, a equipe inclusive realizou simulações reais na pista.
Com tanta coisa para resolver em tão pouco tempo, ninguém esperava que a Cadillac estreasse na Fórmula 1 brigando por pontos. Apesar de o carro não ser dos mais competitivos, o simples fato de a equipe ter conseguido se organizar a ponto de o MAC-26 estar pronto para o início dos testes em Barcelona já é algo a ser considerado. Afinal, sob esse aspecto, Aston Martin e Williams — equipes com ampla bagagem na categoria — falharam nesse quesito.
No entanto, ainda que seja uma equipe novata, o rendimento da Cadillac está bem abaixo do restante do grid. Na classificação, aparece em décimo lugar no Mundial de Construtores, sem pontos, à frente apenas da Aston Martin, que, além da falta de desempenho, enfrenta inúmeros problemas de confiabilidade.

Fica a sensação de que a Cadillac poderia estar em um patamar um pouco mais elevado caso tivesse planejado melhor a formação da dupla de pilotos. Por ser um time totalmente inexperiente, a organização optou por nomes experientes e contratou Pérez e Bottas. De fato, é uma decisão razoável escolher pilotos com passagens por equipes vitoriosas para conduzir o início de um projeto na F1. No entanto, há ressalvas em relação às escolhas do mexicano e do finlandês.
Questionamentos sobre o desempenho de Bottas já existiam desde sua passagem pela Mercedes entre 2017 e 2021, quando, mesmo com o melhor carro do grid, teve diversas atuações discretas. A situação se agravou a partir de 2022, quando se juntou à Alfa Romeo (posteriormente Sauber), encerrando 2024 sem pontuar e atrás do companheiro Guanyu Zhou. Apesar da experiência, a Alfa Romeo/Sauber não apresentou evolução significativa sob a liderança do finlandês. Assim, após um ano fora do grid, é válido questionar o que levou a Cadillac a acreditar que o cenário seria diferente em 2026.
A situação de Pérez, por outro lado, é um pouco mais compreensível. Tão experiente quanto Bottas, o mexicano teve passagens por diversas equipes de meio de pelotão e frequentemente entregou resultados acima das expectativas. É verdade que o fim de sua trajetória na Red Bull foi turbulento. No entanto, é importante considerar que parte das dificuldades estava relacionada às características do segundo carro da equipe — com o qual poucos pilotos conseguiram se adaptar plenamente — e não exclusivamente ao desempenho do piloto.
Ainda assim, o fato de ter ficado fora do grid em 2025 não pode ser ignorado. E quem levantou esse ponto foi o próprio Mario Andretti, que classificou os pilotos como “enferrujados”.

“O que mais me interessa é ouvir a opinião dos pilotos, é disso que se trata. E, para ser sincero, os dois estão um pouco enferrujados. Ambos estão fora das pistas há pelo menos uma temporada. Eles estão sendo bem cautelosos com o novo carro e tudo mais, buscando ao menos completar as provas sem causar problemas ou gerar mais trabalho do que o necessário”, disse Andretti.
Pérez rebateu o comentário e afirmou que a dupla segue atuando em alto nível, além de demonstrar satisfação com o próprio desempenho. Ainda assim, é difícil ignorar que contar com dois pilotos que passaram um ano fora do grid, por mais experientes que sejam, cobra um preço para uma equipe que está apenas no início de sua trajetória na F1. Resta saber se serão capazes de reverter esse cenário e apresentar uma evolução significativa até o fim da temporada.
A Fórmula 1 entrou em hiato após a suspensão dos GPs do Bahrein e da Arábia Saudita e retorna no fim de semana de 1º a 3 de maio com o GP de Miami.
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