F1 apressa debate com equipes para reduzir potência elétrica de motor já em 2027
Vários ajustes no regulamento de 2026 foram aprovados para o GP de Miami para amenizar a dependência da parte elétrica, mas o pacote representa cerca de 20% do que precisa ser feito
Antes mesmo de pôr em prática os ajustes aprovados para o regulamento de 2026, válidos a partir do GP de Miami, a Fórmula 1 já deu início ao debate com as equipes para implementar mudança ainda mais radical para eliminar a atual divisão igualitária de potência entre motor de combustão interna (ICE) e bateria. E a expectativa é que a dependência da parte elétrica seja reduzida já para 2027, ou o mais tardar 2028.
A informação é do portal inglês The Race deste sábado (25). O assunto foi posto em pauta nos encontros que definiram uma série de alterações no regulamento para amenizar tanto as diferenças de potência entre os carros em trechos de longa aceleração — situação que provocou o forte acidente de Oliver Bearman no GP do Japão —, bem como a reclamação constante dos pilotos pela impossibilidade de levar o carro ao limite nas classificações por conta do gerenciamento da bateria.
Após várias reuniões em abril, Federação Internacional de Automobilismo (FIA), F1 e equipes definiram por unanimidade a limitação do Boost a +150 kW, a redução da recarga máxima de 9 MJ para 7MJ e o super clipping gerando 350 kW em vez de 250 kW, todas em vigor no próximo fim de semana. Só que a preocupação ainda é pulsante, tanto que fontes afirmaram à publicação inglesa que as mudanças para Miami representam somente 20% do que precisa ser feito.
O problema, na verdade, é a divisão 50/50 entre motor de combustão interna e bateria, uma vez que tal concepção é o que realmente impede, por exemplo, voltas de classificação mais agressivas. Ainda que a recuperação de energia com o super clipping (o acelerador pisado até o fim) aumente, não significa que os pilotos deixarão de se preocupar com a recarga da bateria ao longo da volta.
Isso só acontecerá se a dependência da parte elétrica diminuir e, consequentemente, a potência do ICE aumentar por meio de um maior fluxo de combustível. O The Race afirma que está em curso o seguinte cenário: aumento em 50 kW no motor de combustão interna e redução de 50 kW a 100 kW da bateria, o que deixaria a unidade de potência com uma divisão de aproximadamente 60/40. A F1 ainda poderia criar regras específicas para as corridas para manter a distribuição entre motor de combustão e bateria mais equilibrada, em 55/45 — o que agradaria as montadoras atraídas pela eletrificação.

Mas pela forma como os motores de combustão interna foram projetados dentro do atual regulamento, a implementação ainda em 2026 é inviável, pois mexeria na vida útil dos componentes da unidade de potência, causando problemas de confiabilidade.
O prazo trabalhado, portanto, é 2027 ou 2028, e o ponto interessante levantado pela publicação é que tal reformulação exigiria o apoio de quatro das cinco montadoras inscritas (Mercedes, Red Bull Ford, Ferrari, Audi e Honda), além da FIA e da FOM, que responde pela parte comercial da F1. O que significa que, por exemplo, o time chefiado por Toto Wolff, ainda que não fosse favorável à mudança pela vantagem técnica construída em 2026, não conseguiria sozinho barrar a revisão.
Andrea Stella, Laurent Mekies e Mattia Binotto são alguns chefes que já declararam publicamente serem a favor de uma mudança no hardware da unidade de potência. O líder da Audi, inclusive, enfatizou que a divisão 50/50 não foi o que atraiu a marca das quatro argolas para a principal categoria do automobilismo mundial. Uma decisão, porém, tem de ser tomada nas próximas semanas para que as fabricantes comecem a desenvolver o novo projeto.
A Fórmula 1 retorna no próximo fim de semana, de 1º a 3 de maio, com o GP de Miami.
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