Ferrari e Red Bull dividem qualidades na Arábia Saudita. Mercedes ainda é pega no pulo

Mais uma vez, a Ferrari confirma a boa performance do Bahrein e é favorita. Os carros vermelhos são rápidos em classificação, mas a Red Bull prepara o contra-ataque na simulação de corrida. Enquanto isso, a Mercedes segue tentando aliviar os saltos

Assim como acontecera no Bahrein, a Ferrari se colocou na ponta da tabela de tempos novamente. Charles Leclerc cravou o melhor tempo em um dos dias mais tensos da história recente da Fórmula 1. A explosão de uma refinaria de petróleo próxima à pista, alvo de um atentado de rebeldes do Iêmen, quase provocou o cancelamento do fim de semana na Arábia Saudita. Os pilotos questionaram a continuidade das atividades, mas, no fim, acabaram acatando a direção do Mundial. Sendo assim, a etapa saudita caminha novamente para uma disputa entre os italianos e a Red Bull.

Os carros vermelhos se mostraram velocíssimos no rápido circuito de Jedá. O ritmo de classificação já coloca a dupla ferrarista, sobretudo Leclerc, como favorita à pole-position neste sábado. Mesmo com temperaturas mais baixas à noite, a F1-75 não perdeu em aderência e exibiu equilíbrio nos trechos de alta velocidade. A Ferrari conseguiu mesmo controlar o ‘porpoising’ sem comprometer a configuração geral.

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A única pergunta sem resposta do dia foi: o desempenho em corrida. A escuderia não foi capaz de conduzir a simulação de GP. E isso nunca é bom. Os problemas de Leclerc e também de Carlos Sainz, que tocaram nos muros da apertada pista urbana árabe, acabaram prejudicando o programa técnico da Ferrari, que vai quase no escuro para a corrida de domingo, muito diferente do aconteceu no Bahrein.

Charles Leclerc deu uma batidinha no muro que acabou o seu TL2 (Foto: Ferrari)

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“Foi um final infeliz para um dia bom. No TL2, cometi um pequeno erro, mas não foi aquele que me fez perder confiança. Esperava que a parte dianteira escorregaria mais e acertei o muro na curva 4. Pensando em amanhã, acho que temos ritmo, uma pena que não pudemos dar mais voltas de tanque cheio, mas estamos no bolo para amanhã”, contou o monegasco.

Sainz manifestou preocupação também com o ritmo de corrida e vê na escolha dos pneus o ponto chave para as ambições dos italianos em Jedá. “Como esperado, os carros estão se comportando de forma diferente na comparação com o Bahrein, então temos de seguir aprendendo. Como no ano passado, entender qual o melhor pneu para a corrida é importante na estratégia. Infelizmente, não fizemos stints longos no fim do TL2 depois que acertei o muro. Tivemos de ficar na garagem, mas vamos ver o que amanhã traz”, completou o espanhol.

A Red Bull também chamou a atenção na noite saudita. O RB18 continua muito rápido em ritmo de classificação. Max Verstappen ficou a só 0s140 da marca do líder do campeonato, e isso o coloca em uma posição de força para a disputa da pole neste sábado. O carro taurino se dá bem nos trechos de velocidade – o Bahrein também havia mostrado essa faceta. Mas talvez a maior arma agora seja a performance em corrida. Diferentemente do Bahrein, onde a Ferrari foi melhor, agora Verstappen teve um desempenho consistente e foi muito sólido na comparação com os restante.

Em cima dos pneus médios, o campeão do mundo foi quem teve o melhor ritmo, andando na casa de 1min35s2. O companheiro Sergio Pérez foi quem mais se aproximou, com 1min35s4. Como efeito de comparação, a Mercedes foi a equipe que mais perto chegou: Lewis Hamilton virou em torno de 1min36s0. George Russell acompanhou o heptacampeão, em 1min36s1. É importante considerar que os amarelos são os compostos de prova. A Pirelli levou a gama intermediária para a Arábia Saudita.

“Os dois treinos livres foram bem tranquilos, hoje completamos nosso programa e tentamos todos os pneus diferentes. Pareceu de novo que a Ferrari esteve muito competitiva e nós precisaremos trabalhar mais um pouco para alcançar eles. Mas temos boa margem para evolução”, avaliou Verstappen.

Câmera onboard mostra como carro da Mercedes balança em alta velocidade no circuito de Jedá (Vìdeo: F1)

Falando na esquadra alemã, o W13 segue dando trabalho aos multicampeões. De novo, os engenheiros tiveram de mexer no acerto geral para encontrar um mínimo de equilíbrio entre velocidade e eficiência aerodinâmica. O carro permanece sofrendo com os pulos, e isso ficou mais visível no ritmo de classificação. A compensação para encontrar esse desempenho também cobra um preço alto. “Foi um dia OK, ainda temos muitos dos mesmos problemas da última corrida, mas estamos trabalhando com eles. Tem sido um pouco mais difícil com as curvas de alta velocidade, mas a aderência na pista é boa e só precisamos arranjar mais velocidade nas retas”, declarou o inglês do carro #44.

Andrew Shovlin, engenheiro da Mercedes, foi na mesma linha de Lewis, acrescentando que o equilíbrio parece melhor que no Bahrein. De fato, a simulação de corrida foi mais sólida, embora a distância para as duas rivais continue significativa. “Tentamos mais alguns experimentos para entender o problema do salto aqui, alguns que pioraram, alguns que ajudaram, mas ainda não temos uma solução para fazer o problema desaparecer. Podemos reduzir isso um pouco para amanhã, pois está afetando os pilotos em algumas curvas e custando tempo”, afirmou Shovlin.

“Comparado com o Bahrein, o equilíbrio do carro está melhor e em termos de degradação estamos muito felizes com o que vimos hoje. Nossa única volta ainda precisa de um pouco de trabalho, mas temos a sessão de amanhã para fazer isso. No geral, porém, foi um dia razoável, mas claramente ainda temos um pouco de trabalho a fazer antes de incomodar a Red Bull ou a Ferrari”, concluiu.

No sábado, o terceiro treino livre está marcado para as 11h (horário de Brasília). A classificação começa às 14h. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do GP da Arábia Saudita AO VIVO e EM TEMPO REAL.

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