Ducati se refestela no primeiro dia na Áustria. Quartararo finca pé para acompanhar
Sete das oito Desmosedici do grid garantiram espaço dentro do top-10 no primeiro dia de treinos da MotoGP no Red Bull Ring. Mas em uma pista onde tradicionalmente o domínio é vermelho, Fabio Quartararo perdeu só 0s40 para ficar na quarta colocação
A Ducati fez uma demonstração de vigor no primeiro dia de treinos livres para o GP da Áustria de MotoGP. Nesta sexta-feira (19), a casa de Bolonha colocou sete das oito motos que tem no grid de 2022 no top-10 combinado das atividades e comprovou que nem mesmo a chicane que deixou o Red Bull Ring faz implodir o reinado das motos de Bolonha no traçado de propriedade da marca dos energéticos.
Neste primeiro dia de contato com a pista, foi Johann Zarco quem levou a melhor. Depois de uma manhã em pista úmida, mas que permitiu a aparição dos slicks na parte final dos trabalhos, o treino da tarde aconteceu na maior parte do tempo com o asfalto seco. A chegada da chuva no terço final da sessão, porém, deu um clima de classificação à sessão, o que serviu para aproximar o pelotão.
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Com 1min29s837, Zarco ficou com a liderança, mas apenas 0s024 à frente de Jack Miller, o líder. Jorge Martín formou a trinca das GP22 e ficou com o terceiro posto, só mais 0s005 atrás do australiano.
O primeiro a quebrar a hegemonia vermelha foi Fabio Quartararo. Líder do Mundial, o francês foi para Spielberg sabendo que o traçado não favorece a moto da Yamaha, mas conseguiu colocar a YZR-M1 na quarta colocação, só 0s040 atrás do ponteiro.
A força das Ducati, porém, voltou a imperar entre as posições cinco e oito, com Francesco Bagnaia, Luca Marini, Marco Bezzecchi e Enea Bastianini aparecendo a seguir. Maverick Viñales colocou a Aprilia na nona colocação, distante 0s276 de Zarco, com Brad Binder fechando top-10, 0s291 atrás do ponteiro.
Líder dos trabalhos, Zarco considerou que a chicane, ao invés de beneficiar a concorrência, permitiu que a Ducati explore ainda mais as forças da moto.

“Acho que a chicane é muito lenta, então dá mais possibilidades de utilizar os pontos fortes da moto. Não é uma chicane rápida o suficiente para dar vantagem a Fabio Quartararo”, avaliou Johann. “Seguimos utilizando melhor a nossa moto”, avaliou.
Na visão do francês, o novo layout da pista, além de valorizar a freada forte e a aceleração da Desmosedici, ainda tira proveito do dispositivo que regula a altura da moto.
“Serve muito. Este circuito foi quase desenhado para ele. Com a chicane, funciona muito bem”, comentou. “Seria bom se fosse uma vantagem. Vamos pensar essa noite em como configurar melhor a moto para que seja”, frisou.
Johann não espera, porém, que a nova chicane atue como um ponto de ultrapassagens. “Será um pouco difícil”, opinou.
O titular da Pramac avaliou, ainda, que a mudança na pista não deve alterar o consumo do pneu, apesar de ser uma nova freada e um ponto de aceleração.
“Não acho. Antes era uma reta e forçávamos do lado esquerdo, mas agora, não. O bom é que o pneu dianteiro fica mais na temperatura”, comentou.
Colado no ponteiro, Jack Miller celebrou o fato de, mais uma vez, o acerto base ter funcionado bem e considerou que pode mostrar bom ritmo também no sábado.
“Fiquei imediatamente à vontade desde as primeiras voltas molhado e, mesmo no seco, nosso acerto base mais uma vez mostrou que funciona muito bem”, disse Miller. “Na verdade, não tocamos em nada na moto e trabalhamos apenas na escolha de pneus e na eletrônica”, apontou.

“Gosto da nova chicane e gosto muito: ela permite deslizar a moto e ser agressivo tanto na mudança de direção como na abertura do acelerador ao sair da curva”, detalhou. “Estou satisfeito com o primeiro dia e confiante em poder ir bem amanhã também”, completou.
Terceiro no Red Bull Ring, Martín fechou o dia animado e confiante de que pode melhorar ainda mais no sábado.
“Estou satisfeito com este primeiro dia de atividades. Melhoramos na sessão da tarde, dando importantes passos à frente”, comentou. “É uma pista de que gosto muito e na qual me sinto particularmente bem”, seguiu.
“Amanhã podemos fazer ainda melhor”, garantiu.
Pertinho do ritmo dos ponteiros, Fabio Quartararo também fez um balanço super positivo do dia. Mesmo lamentado que não tenha aproveitado o melhor do pneu macio, o francês de Nice sentiu que tem um bom potencial no traçado de Spielberg.
“O ritmo parece bom, mas é verdade que fizemos essas voltas rodando sozinho. Em grupo, é diferente”, considerou. “É uma pena que tenhamos tido algumas bandeiras amarelas e também não passamos sem erros hoje. Fiz a minha volta mais rápida na terceira ou quarta volta do pneu traseiro macio hoje, então acho que temos um pouco de margem para melhorar”, indicou.
“Essa nova chicane no setor 1 é muito melhor. Deixa as coisas um pouco mais fáceis, embora pareça um pouco menor na moto do que quando você anda pela pista, mas tudo bem para nós”, avaliou. “Estou no limite, me forçando ao limite. Não vai ser fácil, mas sinto que temos um bom potencial”, completou.
Vindo de duas vitórias, Francesco Bagnaia reconheceu que teve sorte com as adversidades de Quartararo e Aleix Espargaró nas últimas duas etapas, mas quer seguir a tendência de roubas pontos dos ponteiros para ganhar fôlego na classificação.
“Vou tentar pressionar Quartararo, ganhando alguns pontos nestas corridas, mas preciso dizer que tive sorte nas últimas corridas, pois os meus rivais tiveram problemas”, assumiu. “Mas agora preciso me concentrar apenas em trabalhar na pista, sem esquecer que Aleix Espargaró está perto de Quartararo na classificação”, alertou.
Pecco, contudo, destacou a força da Ducati no Red Bull Ring e salientou que todas as motos da casa de Bolonha conseguiram ser fortes no traçado.
“Esta pista é positiva para nós. Mostramos que somos competitivos aqui”, defendeu. “Este ano, todas as motos estão em boa forma, por isso, podemos ver qualquer um na frente. A Ducati está em boa forma e pode lutar para ficar na frente”, completou.
Empatado com Marco Bezzecchi em 1min30s066, Enea Bastianini ficou com o oitavo melhor registro do dia e satisfeito por ter encontrado rapidamente um bom ritmo em cima da GP21, o modelo do ano passado da Desmosedici.
“Foi um dia positivo: atingimos a velocidade desde o início e mostramos bom ritmo”, opinou. “A sensação é boa e tudo sai fácil. Não acho que faremos um grande ajuste para amanhã, exceto algumas mudanças eletrônicas para explorar a potência da moto”, indicou.
“A nova chicane não é tão ruim, mas é um lugar bem desafiador, também por causa do tipo diferente de asfalto”, falou. “Deixando de lado a volta cancelada, não estou preocupado. Podemos nos sair bem amanhã”, garantiu.
Vice-líder do campeonato, Aleix Espargaró ficou na 11ª colocação e terá de aproveitar a manhã de sábado para buscar uma vaga direto no Q2 da classificação. Ainda assim, o piloto da Aprilia foi apenas 0s310 mais lento do que o líder do dia. Aliás, são 19 pilotos no mesmo segundo.
Vindo de lesão, Aleix considerou que a grande dificuldade foi em dominar a passagem pela nova chicane do Red Bull Ring.
“Fizeram um trabalho muito bom com a chicane, é muito mais segura do que a curva anterior e, mesmo que os asfaltos sejam diferentes, fizeram um bom trabalho e a aderência não é tão diferente”, disse Aleix. “Mas, para mim, me prejudica, porque não sou capaz de entender como fazer a chicane, mas isso não significa que a moto vai mal. Hoje não fui brilhante até o final, quando pude me aproximar três décimos dos melhores, então acredito que posso melhorar amanhã. Mas a verdade é que não acabei de entender como ser rápido nesse circuito”, assumiu.
“Estou a 0s3 do primeiro, então se consigo melhorar neste ponto, não digo que poderia estar no top-10, mas poderia perfeitamente estar em primeiro. Não tenho dúvidas de que se amanhã eu conseguir melhorar um pouco, estaremos lá. Nos setores três e quatro, não estou nada atrás do primeiro, então posso estar entre os ponteiros”, considerou.
A MotoGP disputa neste fim de semana o GP da Áustria, no Red Bull Ring. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2022.
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