Russell ataca direção de prova após GP do Japão: “É simples: sem tratores na pista”
Diretor da Associação de Pilotos da F1, George Russell não mediu palavras para criticar decisão da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) em Suzuka. Segundo piloto da Mercedes, "se você de fato precisa de um trator na pista, dê bandeira vermelha"
Diretor da GPDA, a Associação de Pilotos da Fórmula 1, George Russell adicionou importante voz ao debate sobre a presença de um trator na pista durante o GP do Japão. Após acidente de Carlos Sainz na primeira volta da corrida em Suzuka, a direção de prova da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) permitiu a entrada de tal veículo.
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O problema é que, em meio às condições de chuva pesada, a pista encontrava-se evidentemente mais escorregadia e a visibilidade, baixa. A corrida sequer ainda havia recebido bandeira vermelha e os pilotos seguiam atrás do safety-car. Pierre Gasly, que entrou na segunda volta da prova muito atrás do demais — após ter acertado placa de publicidade no giro inicial —, viveu situação de extremo perigo: em alta velocidade, o francês passou muito perto do trator, que já se encontrava no traçado de Suzuka.

A FIA se isentou e transferiu a responsabilidade para o piloto da AlphaTauri, inclusive punindo-o. Mas, para Russell, o órgão regulador da categoria não pode fugir de sua parcela de culpa — até porque, segundo o britânico, há um elemento de reincidência a ser incluído no contexto do ocorrido.
“Acho que falamos um pouco sobre isso na reunião de pilotos essa semana, porque havia um trator na pista em Singapura com o acidente de Yuki Tsunoda, enquanto o safety-car estava na pista — e foi neste ponto que nós estávamos mudando para os pneus slicks“, revelou Russell.

“Nós expressamos nosso ponto de vista, de que nunca mais queríamos ver isso acontecer. Isso, obviamente, foi semana passada. Ver isso uma semana depois, dada as circunstâncias e a história, claro, é muito decepcionante. Todos nós iremos falar com a FIA, claro. Na nossa visão, é muito simples: sem tratores na pista. E se você precisa, de fato, de um trator na pista, dê bandeira vermelha”, resumiu o piloto da Mercedes.
O livro de regras da Fórmula 1 prevê que um veículo de remoção — tratores, guindastes, etc — pode ser utilizado em condições de safety-car. Isso aconteceu, por exemplo, no GP da Itália: Daniel Ricciardo ficou parado na lateral da pista na volta 47, quando o motor de sua McLaren apagou. Isso aconteceu, no entanto, em traçado seco de um dia ensolarado em Monza.
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Questionado se partilhava da opinião de que um trator só deveria ser enviado à pista em tais condições, Russell argumentou.
“Não sei. Com pista molhada, definitivamente não, 100% não. Mas não vejo razão para termos um trator na pista. E se houver, talvez precisamos de um limite de velocidade. Porém, na minha opinião, não vale a pena o risco. Como dissemos antes, estes carros são, por vezes, mais difíceis de controlar quando estamos sob safety-car do que se estivéssemos andando rápido. Então nós falamos de segurança, de como ir mais devagar é mais seguro — mas isso é, se alguma coisa, quase que contraintuitivo”, analisou, por fim, o piloto da Mercedes.
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