FIA promete guerra contra abuso online na F1 e divulga relatório com ações detalhadas
FIA quer unir várias organizações esportivas na luta contra o preconceito e pretende implementar mecanismos de inteligência artificial para ocultar comentários odiosos
A FIA [Federação Internacional de Automobilismo] divulgou, nesta quinta-feira (2), um relatório que detalha ações contra o abuso online. Em dezembro de 2022, na assembleia geral anual da entidade, o presidente Mohammed Ben Sulayem revelou que um estudo estava sendo realizado e que uma parceria seria firmada com a empresa de IA [Inteligência Artificial] Arwen tinha como objetivo reduzir os comentários tóxicos feitos por usuários na internet.
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Inicialmente, foi feita uma pesquisa, liderada pela FIA University [programa de estudos relacionados ao automobilismo] e pela Arwen, para medir o impacto dos ataques. De acordo com a apuração, o volume de comentários odiosos cresceu 40% desde 2019 e os spams aumentaram em 350%. Além disso, 80% das pessoas entrevistadas relataram que tiveram acesso a esses comentários, sendo que 40% ficaram assustadas com o teor. No geral, as mensagens contêm ofensas racistas, homofóbicas, misóginas, de violência de gênero, de intolerância religiosa ou étnica, e outras demarcações sociais.
Isso assustou a equipe de estudos, já que foi constatado que 38% dos usuários de internet se desconectam quando se deparam com esses discursos de ódio. A Arwen, então, implementou alguns mecanismos de IA nos canais oficiais do presidente da FIA e da própria federação como parte dos estudos para uma futura abordagem em grande escala.
O balanço foi de que os comentários tóxicos reduziram em 30,12% nas redes sociais de Mohammed Ben Sulayem, com 379 mensagens ocultadas (1,29% do total), e em 38,65% nas mídias da FIA, com 3.162 comentários excluídos (0,84% do total). A redução total de postagens “não seguras”, segundo a Arwen, foi de 66,6%.

Com os progressos verificados, a FIA lançou, no relatório publicado nesta quinta, um plano para expandir as ações. A federação quer criar um grupo com a participação de diversas entidades esportivas, entre elas a FIM (Federação Internacional de Motociclismo), o COI (Comitê Olímpico Internacional) e a FIFA (Federação Internacional de Futebol), para que os mecanismos de IA sejam testados em larga escala. Algumas campanhas de conscientização também estão previstas.
Além disso, a FIA University terá um núcleo de estudo próprio sobre o assunto, com a nomeação de pesquisadores e com a criação de bolsas e de cursos de pós-doutorado voltados para o discurso de ódio. Com mais dados teóricos sobre o tema, a federação estudará possibilidades de suporte às pessoas atingidas pelos ataques. No relatório, a entidade diz que quer liderar os trabalhos de combate ao ódio digital e que nos próximos meses novos passos serão divulgados.
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“A contínua toxicidade online atingiu níveis deploráveis. Nós não toleraremos mais que voluntários, funcionários, funcionários e motoristas da FIA sejam submetidos a esse abuso extremo. Não tem lugar no nosso esporte e se continuar, pode destruí-lo. Adotaremos uma abordagem colaborativa no combate a esse flagelo em nosso esporte e em outros”, comentou Mohammed Ben Sulayem.
O objetivo da FIA é que a longo prazo todas as organizações esportivas estejam engajadas nesta iniciativa e que os comentários odiosos tenham ações imediatas de forma “a constranger quem escreve”. Não foi revelado um prazo para a implementação de todas as ações.

Ódio nas redes sociais são um problema antigo
Apesar das ações coordenadas desde o segundo semestre de 2022, a FIA demorou a tomar medidas efetivas quanto aos comentários odiosos nas redes sociais das categorias automobilísticas. Desde 2018, Lewis Hamilton, um dos pilotos mais ativos na luta contra as diversas formas de preconceito, tem atentado para o crescimento da violência digital.
Em novembro de 2022, o heptacampeão mundial chegou a desacreditar publicamente da promessa de Ben Sulayem de combater o abuso online e demonstrou preocupação sobretudo com as crianças.
“Fico preocupado com as crianças de hoje, que estão experimentando coisas que… Nós estamos falando de adultos enfrentando bullying, mas as crianças, especialmente, isso pode ser muito prejudicial para o futuro delas”, disse.
Hamilton também liderou, entre os pilotos da Fórmula 1, um movimento antirracista de boicote às redes sociais em abril de 2021. A iniciativa teve início com a comunidade de futebol da Inglaterra, motivada por comentários racistas direcionados ao jogador Romaine Sawyers, na época West Bromwich. O piloto inglês aderiu à ação e foi acompanhado por outros companheiros de categoria.
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