GUIA 2023: Sprints chegam para mudar formato na expectativa de apimentar MotoGP

A partir desta temporada, a classe rainha do Mundial de Motovelocidade passa a ser disputada em formato de rodadas duplas, com corridas mais curtas acontecendo aos sábados. A ideia é dar mais dinamismo ao campeonato e atrair mais público

A TEMPORADA 2023 SERÁ TRANSFORMADORA PARA A MOTOGP. A partir deste ano, a classe rainha será disputada em um formato diferente, com rodadas duplas: uma corrida mais curta aos sábados e o GP tradicional, daquele jeitinho que nós já conhecemos aos domingos. É um caminho intermediário entre Fórmula 1 e Mundial de Superbike que tem por objetivo apimentar o Mundial de Motovelocidade.

Antes de a disputa efetivamente começar, ninguém sabe se, de fato, a ideia é boa ou ruim. Mas, verdade seja dita, o anúncio destrambelhado não passou a melhor das impressões. Em agosto do ano passado, quando confirmaram a mudança de formato, FIM (Federação Internacional de Motociclismo) e Dorna deixaram a impressão de que alguém sonhou com isso e, ao acordar, decidiu implantar.

Pilotos vão disputar 42 corridas em 2023 (Foto: Aprilia)

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O primeiro grande erro foi não ter os pilotos a bordo. Os protagonistas do espetáculo foram pegos de surpresa, informados pela imprensa de que teriam de fazer o dobro de corridas em 2023. E a justifica oficial tampouco foi boa: a Dorna se isentou de responsabilidade, alegando que a obrigação dela é falar com as equipes. A IRTA (Associação Internacional das Equipes de Corrida) justificou que, com muitos pilotos mudando de endereço, a informação acabou não sendo transmitida.

Mas não parou por aí. O próprio anúncio tinha lá suas imperfeições, já que não trazia exatidão nas informações. Ou seja: a primeira imagem das corridas sprint foi ruim, de algo feito no desespero e sem planejamento.

É importante entender o momento da MotoGP. Grande ídolo e um dos grandes responsáveis pela popularização do esporte, Valentino Rossi deixou a categoria no fim de 2021, encerrando uma importante era para o campeonato. Aliado a isso, Marc Márquez, que é outro ímã do motociclismo, também não vivia um bom momento, ainda pagando o preço de uma desastrosa tentativa de voltar à ativa antes da hora após uma fratura no braço.

Neste cenário, a audiência das corridas caiu na TV da Europa, assim como a presença do público nos autódromos — muita gente aponta, porém, que a alta nos valores dos ingressos foi expressiva —, o que motivou essa ânsia por uma resposta do campeonato.

É bom lembrar também que a F1 vive um momento diferente, fruto do bom trabalho da Liberty Media na conquista de um novo público. ‘Drive to Survive’, mesmo que seja alvo de críticas do fã mais purista de automobilismo, desempenhou um importante papel na conquista de uma nova geração de torcedores. E a MotoGP falhou nessa missão. A série ‘MotoGP Unlimited’, além de ter tido falhas na distribuição global, foi feita tendo em mente quem já conhecia a categoria, mas não era esse o público que precisava ser alcançado.

A MotoGP hoje tem um problema de propaganda. Ela precisa se vender melhor. Ou, pelo menos, tão bem quanto as categorias com que divide as atenções. Mas não e só isso. O avanço da aerodinâmica interferiu na competitividade. Hoje, as equipes estão todas muito próximas, mas ultrapassar não é mais tão simples quanto costumava ser. O que interferiu no espetáculo.

A introdução das corridas sprint foi uma tentativa de gerar este interesse necessário. Mas elas chegam sem teste: as provas curtas serão realizadas em todas as 21 etapas previstas para 2023, o que leva a um total de 42 corridas no ano. O WSBK é composto por rodadas triplas e vai fazer 36 corridas divididas em 12 etapas. A F1, por sua vez, terá seis sprints em um calendário de 23 etapas, totalizando 29 provas.

Mas as sprint não vão substituir a classificação da MotoGP. O grid segue sendo definido pelo treino classificatório, naquele mesmo formato de Q1 e Q2 já conhecido. O resultado define as posições de partida das duas provas.

Mas, já que se trata de uma disputa mais curta, a prova de sábado também vale menos. O vencedor leva 12 pontos — contra os 25 de quem ganha no domingo — e apenas o top-9 pontua — no GP mais longo, são 15 os bonificados.

 SprintGP
P11225
P2920
P3716
P4613
P5511
P6410
P739
P828
P917
P10 6
P11 5
P12 4
P13 3
P14 2
P15 1

Bom ressaltar, também, que, para efeitos históricos, as estatísticas das corridas sprint serão contadas separadamente. Originalmente, este não era o plano, mas o campeonato mudou de ideia após a reação negativa da comunidade que temia a desvalorização dos feitos de pilotos do passado.

Por conta da adoção deste novo formato, o restante do fim de semana foi modificado. A MotoGP deixou de ter dois treinos de 45 minutos de sexta-feira para ter uma sessão de 45 e outra de 1h. Enquanto isso, a Moto2 fica com dois treinos de 40 minutos e a Moto3 passa a ter duas atividades de 35 minutos.

No sábado, um treino livre — o único com esta nomenclatura, já que esta é a única sessão que não conta para a divisão de Q1 e Q2 da classificação —, de 30 minutos e, depois, a classificação dividida em 15 minutos para o Q1 e outros 15 minutos para o Q2.

Na sequência, Moto2 e Moto3 fazem o terceiro treino, com duração de 30 minutos, que, combinado com as sessões de sexta-feira, selecionam quem vai ao Q1 e quem passa direto para o Q2. A prova curta encerra a programação de sábado.

No domingo, só a MotoGP realiza warm-up, já que agora a classe rainha terá uma parada para os fãs, cortando ainda mais o tempo de pista da classes menores, que também terão tempo de corrida menor. A meta é que a Moto2 tenha cerca de 36 minutos de duração, enquanto a corrida da Moto3 dure aproximadamente 34 minutos.

Até agora, alguns dirigentes já manifestaram preocupação em relação ao desgaste dos competidores e também do corpo técnico das equipes. Também existe um debate em torno da remuneração dos pilotos, já que os contratos feitos por temporada não previam um volume tão grande de corridas. Mesmo assim, as sprint são a realidade de 2023. Resta saber se vão ou não agregar ao espetáculo.

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