Bezzecchi vai à forra na Índia. E erro de Bagnaia põe fogo na MotoGP 2023

Depois de ter um excelente ritmo de prova abafado por um incidente com Luca Marini na corrida sprint, Marco Bezzecchi foi à forra no GP da Índia deste domingo (24) e garantiu uma vitória dominante. A prova em Buddh, porém, não foi apenas de festa, mas também de polêmica e um campeonato incendiado

Apesar dos pesares que marcaram o caminho até Buddh, a Índia entregou um primeiro GP de qualidade. Se faltou gente nas arquibancadas — uma marca negativa desta corrida de estreia —, não faltou impacto no desenrolar do campeonato.

O GP da Índia estreou cercado de desconfianças: primeiro, a falta de homologação prévia da FIM (Federação Internacional de Motociclismo), algo que sempre foi comum antes da estreia de novos traçados. Depois, a dificuldade na obtenção de vistos. Mas, salvo um pequeno imprevisto na sexta-feira, com a dificuldade de entrega de água e comida aos fiscais de pista causando um grande atraso nos treinos, a prova transcorreu sem maiores percalços.

Marco Bezzecchi deu volta por cima após revés na sprint (Foto: VR46)

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Na pista, as coisas foram ainda melhores. O traçado de Buddh agradou aos pilotos, que o rotularam como o mais técnico do calendário. Ainda que tenham feito observações em relação à proximidade de alguns muros. E, mesmo com muitas quedas e acidentes, a pista não teve responsabilidade direta nas lesões sofridas.

A dinâmica da corrida, porém, colocou fogo no campeonato. Na sprint de sábado, Marco Bezzecchi teve o excelente ritmo minimizado por um incidente com Luca Marini. O #72 caiu para o fundo do grid e conseguiu recuperar apenas para ser quinto colocado. Neste domingo, entretanto, o piloto da VR46 colocou todo o potencial para jogo.

Depois de uma boa largada, Bezzecchi se instalou na ponta e não deu mais atenção aos adversários. Com 8s649 de margem para Jorge Martín, o italiano somou a terceira vitória do ano. Para completar o cenário, Francesco Bagnaia caiu quando rodava em segundo, tentando escapar de Martín, o que permitiu a Marco recuperar 25 pontos do atraso que tinha em relação ao líder do campeonato.

“Desta vez, foi uma corrida bonita. Ontem fiquei um pouco triste pelo incidente com Luca e porque a quinta posição não era o resultado que eu esperava”, comentou. “Sabia que Pecco e Jorge Martín podiam me ultrapassar na largada, mas fiquei com eles para poder devolver a ultrapassagem na primeira oportunidade que tivesse”, indicou. “Sempre que me vi nessa situação de domínio, que não foram muitas, pensei que a melhor maneira de manter a concentração era seguir forçando ao limite. Sabia que estava bem no quesito gestão de pneus, então forcei quase até o final”, contou.

Mas, mesmo que a distância de Bez tenha baixado para 44 pontos, é a situação de Martín que incendeia o Mundial de Pilotos. Vice-líder da MotoGP e vencedor da corrida sprint em Buddh, o espanhol de Madri agora aparece a só 13 pontos de Bagnaia, que vê a luta pelo bicampeonato mais apertada.

Bagnaia caiu e abandonou quando era o segundo (Foto: Reprodução/MotoGP)

“Hoje era uma situação bastante complicada, porque trabalhamos o fim de semana todo sem encontrar uma solução para os problemas”, contou Bagnaia em entrevista ao streaming espanhol DAZN. “Temos de olhar bem as coisas antes do GP do Japão, porque já algo que não gosto nas freadas. Me parece que é mecânico”, apontou.

“Escolhemos o pneu duro na dianteira e não sei como os outros puderam rodar com o médio, pois, para mim, [a dianteira] travava demais. Foi por isso que tivemos de correr com o dianteiro duro. Sabia que tinha de forçar muito o pneu dianteiro, porque a temperatura era muito alta. Eu freei forte, mas foi uma carga muito forte depois de derrapar. Foi erro que eu cometi”, assumiu. “Quis frear forte, pois sabia que era importante por causa da temperatura, mas perdi a frente. Me desculpei com a equipe, porque foi um erro meu, mas era a única maneira de lutar na frente. Tinha de ir ao limite e, quando é assim, a possibilidade de queda é inevitável. É algo que pode acontecer”, comentou.

Ciente da enorme perda de pontos, Bagnaia reconheceu um forte impacto na tabela de classificação, mas se mostrou mais preocupado com as dificuldades que têm sofrido na moto.

“No final, os pontos são muito importantes, mas temos de prestar mais atenção no fato de que não me encontro bem naquilo em que somos fortes, que é a freada e a entrada de curva”, frisou. “Sem estar bem nisso, como já aconteceu em Misano, tem uma vibração atrás que não me ajuda em nada e não sabemos a razão. Se não solucionarmos isso, será muito difícil lutar contra Bez, que está muito forte no momento, e Martín, que está melhor do que eu”, reconheceu.

A corrida, entretanto, não ficou marcada só por isso, já que duas situações com Jorge Martín roubaram a cena. Durante a corrida, o piloto da Pramac apareceu com o macacão aberto, o que é expressamente proibido pelo regulamento da FIM e já causou punição a Fabio Quartararo em 2021. Desta vez, ainda que inexplicavelmente, o Painel de Comissários viu o lance se desenrolar sem tomar nenhuma atitude.

Jorge Martín enfrentou problemas com o macacão na prova (Vídeo: MotoGP)

Ao final da corrida, depois de ser pressionado por Quartararo, que tentou tomar o segundo posto depois de um erro do rival, Martín seguiu para os boxes e não para o parque fechado, e chegou implorando por água. Depois de alguns minutos, seguiu ao encontrou dos outros integrantes do top-3 e lá mesmo foi atendido pelo Dr. Ángel Charte, o diretor-médico da MotoGP, em uma das cenas mais incomuns já vistas no Mundial de Motovelocidade. Jorge terminou a prova esgotado pelo forte calor na Índia, algo que já tinha feito a MotoGP reduzir a distância da corrida.

“Dei 100% de mim e foi muito difícil acabar a corrida”, disse Martín em declarações divulgadas pela equipe, já que ele não compareceu à coletiva de imprensa para ir ao centro médico. “Tinha um bom ritmo, mas, na última volta, cometi um grande erro ao mudar marcha, escapei, Fabio me passou e logo o passei, então acabei na segunda colocação, o que me deixa muito satisfeito”, frisou.

“Fico superfeliz pela equipe e por termos recuperado pontos no campeonato”, comentou. “Agora temos de manter a mesma mentalidade que nos trouxe até essa posição e tentar vencer e ser competitivo a cada saída para a pista. É a maneira de cortar a diferença em relação a Pecco”, encerrou.

MotoGP retoma as atividades no fim de semana do dia 1º de outubro, com o GP do Japão, a ser disputado em Motegi. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade.

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