Ducati justifica apoio às concessões: “Se a Honda saísse, teríamos problemas”

Chefe da Ducati, Gigi Dall'Igna justificou o apoio à regra de concessões para as fábricas japonesas na MotoGP

A mudança no sistema de concessões da MotoGP não incomodou a Ducati, de acordo com o chefe da equipe italiana, Gigi Dall’Igna. Em entrevista ao Motorsport.com, o dirigente afirmou que a Desmosedici jamais foi contra a alteração no regulamento, ainda que essa modificação resulte em restrições ao desenvolvimento das motos.

Em meio a dificuldades de performance de Yamaha Honda, a Dorna, promotora do Mundial de Motovelocidade, buscou maneiras de ajudar as gigantes japonesas a acelerarem a evolução. Depois de muita negociação, a empresa espanhola conseguiu convencer os construtores a aceitar uma alteração na regra de concessões.

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“Não éramos contra. Na verdade, sempre fomos a favor de ajudá-los. Do meu ponto de vista, sempre que um fabricante está em apuros, é sempre correto ajudá-la a crescer, ajudá-la a alcançar aqueles que estão ganhando. Sou totalmente contra fazer concessões à Aprilia e à KTM. A primeira venceu duas corridas e a segunda subiu ao pódio em quase todos os GPs na última parte da temporada. Não entendo por que temos de lhes dar uma carona fácil”, disse ele.

A Ducati, assim como a ApriliaKTM Suzuki, contaram com o sistema de concessões para se desenvolverem e alcançarem o status atual. E a medida contou com o aval de Honda e Yamaha em 2014.

Ducati terá restrições para desenvolver a moto (Foto: Ducati)

“Aceitamos as concessões porque pensamos que era mais importante ajudar a Yamaha e a Honda do que a nossa insatisfação com as vantagens que a Aprilia e a KTM tiveram na recuperação. Se a Honda decidisse deixar a MotoGP, seria um problema para todos. Para ajudar a Yamaha e a Honda tivemos de aceitar concessões às outras, foi para isso que nos inscrevemos. Quanto mais competitivas forem as marcas, melhor será a MotoGP”, seguiu.

Pelo novo sistema, as fábricas serão divididas em quatro grupos, com a separação baseada na pontuação do campeonato. E, de acordo com esse ranking, as marcas ficam sujeitas a restrições ou vantagens. Campeã dos Mundiais de Construtores e Pilotos — o Mundial de Equipes ficou com a Pramac, uma equipe satélite da Ducati —, a casa de Bolonha é a única fábrica no Grupo A, o que a deixa sem direito a wild-cards e com uma única atualização aerodinâmica ao longo do ano. Além disso, os italianos precisam listar três circuitos para teste, mas estarão limitados a 85 pares de pneus — 30 a menos do que na regra atual.

Honda e Yamaha, por outro lado, ficam no Grupo D e, assim, terão 130 jogos de pneus, podendo até mesmo escalar os pilotos titulares para testes em qualquer circuito do calendário. Elas podem fazer até seis wil-cards, tem direito a duas atualizações aerodinâmicas e motores descongelados, o que permite evolução ao longo da temporada.

Na opinião de Dall’Igna, o maior benefício em ter as concessões é corrigir os erros e aproveitar as oportunidades dadas para reanalisar o funcionamento da equipe.

“Por exemplo, eles podem abrir e modificar o motor. Nós não. Quem tem as concessões pode voltar com o motor se tiver algum problema. Temos de terminar o campeonato com o motor que homologamos no início. É por isso que temos de ser muito mais conservadores. Não é apenas uma questão de testar, é uma questão de poder correr muito mais riscos. Eles, em termos de aerodinâmica, têm uma atualização a mais que nós. Se errarmos, temos um problema”, encerrou .

MotoGP volta a acelerar entre 6 e 8 de fevereiro de 2024, com os testes de pré-temporada na Malásia, no circuito de Sepang. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.

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