McLaren prega “cautela” e descarta “táticas aventureiras” como da Mercedes na Bélgica
De acordo com Andrea Stella, o fato de a McLaren estar disputando o título do Mundial de Construtores contra a Red Bull não permite que a equipe se dê ao luxo de arriscar nas estratégias, assim como a Mercedes fez com George Russell em Spa-Francorchamps
Depois de ver George Russell surpreendendo a todos ao optar pela estratégia de uma única parada nos boxes para cruzar a linha de chegada em primeiro lugar — embora tenha sido desclassificado horas depois — no GP da Bélgica, realizado no domingo (28), Andrea Stella afirmou que a McLaren não se pode dar ao luxo de apostar em “estratégias aventureiras”, já que a equipe está brigando pelo título do Mundial de Construtores contra a Red Bull.
Em Spa-Francorchamps, o #63 da Mercedes largou em sexto, trocou os pneus médios pelos duros na décima volta e foi até o final, segurando heroicamente Lewis Hamilton nas últimas curvas e recebendo a bandeira quadriculada. Após a 14ª etapa da temporada 2024 da Fórmula 1, outros pilotos, como o próprio heptacampeão e também Carlos Sainz, da Ferrari, admitiram que os respectivos times poderiam ter sido mais ousados e replicado a estratégia adotada por Russell.
A McLaren, por sua vez, que viu Oscar Piastri fazer duas paradas e herdar a segunda posição, admitiu que chegou a cogitar tal ideia, mas afirmou que ninguém estava confiante de que a estratégia poderia funcionar. “Poderíamos [ter tentado], mas, naquele momento, consideramos que não estávamos convencidos de que iria funcionar. E caso esse tipo de estratégia não funcione, pode ser muito, muito doloroso, porque aí é tarde demais para parar novamente e, portanto, podemos perder muitas posições”, disse Stella.
“Acho que se nos comprometermos [com a estratégia] e não funcionar, provavelmente podemos estragar a corrida inteira. Com o Oscar, achamos que tínhamos um ritmo forte e estávamos em condições de usar uma parada mais convencional para recuperar posições”, continuou. “Acho que dois fatores aconteceram de maneira diferente do que esperávamos: o desgaste dos pneus foi menor, mas acima de tudo, estava mais difícil de ultrapassar”, explicou o chefe da McLaren.

Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
LEIA TAMBÉM: Mercedes pavimenta volta na F1 e entrega imprevisibilidade (até para si mesma)
“Isso nos surpreendeu, pois mesmo quando o piloto tinha um pouco de vantagem com os pneus, ainda não era o suficiente para ultrapassar, e vimos isso com Lewis e Russell [no fim da corrida]. Foi então que entendi, simplesmente por causa do efeito do ar sujo, que não era possível ultrapassar tão facilmente quanto pensávamos”, lembrou.
No entanto, Stella admitiu que o motivo principal de a McLaren não ter arriscado na estratégia foi por causa da posição da equipe no campeonato. Atrás somente do time de Max Verstappen e Sergio Pérez e diminuindo a desvantagem corrida após corrida, o dirigente deixou claro que os papaias não podem inventar muito.
“Acho que na posição de Russell, havia potencialmente mais motivação para adotar uma abordagem arriscada. Mas, para nós, queremos pensar de forma um pouco mais robusta, e vimos que pontuamos mais do que a Red Bull outra vez, agora estamos 43 pontos [42, na verdade] atrás. Acho que precisamos ser um pouco cautelosos com estratégias aventureiras, que, em retrospectiva, realmente provaram ser boas”, declarou o italiano.

Lando Norris, por outro lado, largou em quarto e perdeu muitas posições, caindo para sétimo. Com o britânico, talvez a McLaren pudesse ter sido um pouco mais ousada, considerando que precisaria fazer algo diferente das rivais para recuperar terreno? “Para ser sincero, precisamos rever [a situação do Norris]. Potencialmente, preciso entender se Lando estava na posição certa para fazer isso, porque, obviamente, quando se estende o stint, o piloto tende a perder algumas posições na pista”, respondeu Stella.
“Para nós, o plano com Lando era robusto. Só que ficamos um pouco surpresos por não conseguirmos ultrapassar. Também ficamos surpresos ao ver o quão bom Verstappen é como piloto. A maneira como ele fez os pneus médios durarem no último stint, outros pilotos não conseguiram fazer. Estávamos esperando que os pneus dele perdessem rendimento, mas não aconteceu”, apontou.
“Pensamos que ultrapassar Verstappen seria fácil, mas não foi o caso. Terei de avaliar se com Lando teria sido uma boa ideia simplesmente seguir o que Russell estava fazendo”, finalizou o dirigente da McLaren.
A Fórmula 1 agora faz a tradicional pausa para as férias de verão na Europa e volta de 23 a 25 de agosto em Zandvoort, para a disputa do GP dos Países Baixos.
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!