Bagnaia junta cacos e entrega reação na Tailândia. Mas ganha pouco com Martín em 2º

Depois de fechar o sábado abatido, Francesco Bagnaia se reergueu, mostrou força na pista molhada de Buriram e alcançou a nova vitória da temporada 2024. A boa resposta, porém, foi minimizada pelo segundo lugar de Jorge Martín, que limitou os danos a menos cinco pontos

Depois de fechar o sábado de sprint abatido e cercado por uma galera carrancuda, Francesco Bagnaia fez jus a Buriram — que no idioma tailandês significa Cidade da Felicidade — e voltou a sorrir neste domingo (27). O italiano exibiu a já conhecida capacidade de reação, venceu o GP da Tailândia e recuperou fôlego na briga pelo título. Infelizmente para ele, porém, Jorge Martín conseguiu o segundo posto e limitou ao mínimo as perdas na classificação do campeonato.

Na sprint da Tailândia, apesar de ter cedido só dois pontos para Martín, Pecco saiu abatido, especialmente porque o resultado já garantiu ao espanhol da Pramac a possibilidade de ser segundo em todas as demais corridas do ano — sprints e GPs — e, mesmo assim, ser campeão. Não é um passo decisivo, mas é um fator importante a ser considerado.

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Bagnaia admitiu após a corrida que não podia se dar ao luxo de ceder pontos a Jorge. Antes, antes mesmo do pódio, os rostos da equipe de Pecco já eram o retrato da dificuldade daquele momento. O abatimento ali era claro.

A caminho da penúltima etapa da temporada, a reação ainda na Tailândia era mandatória. Mas a chuva apareceu para dificultar o cenário. Mesmo em condições traiçoeiras, Pecco soube se impor: reagiu quando necessário, defendeu quando o teve de fazer e controlou sempre que pode. O que lhe cabia, Bagnaia fez sem falhas.

Francesco Bagnaia fez a festa no pódio em Buriram (Foto: AFP)

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Mas, de certa forma, faltou um pouco de sorte. Marc Márquez esteve ali na briga do top-3. E se é verdade que o #93 poderia muito bem tê-lo superado e ficado com o topo do pódio, não é menos verdade que um segundo lugar do espanhol, à frente de Martín, ajudaria e muito. Mas o piloto da Gresini caiu perseguindo Pecco e, assim, Jorge foi promovido ao segundo posto e de lá não mais saiu.

Mas não foi só isso. Foi uma corrida de muitas quedas. Enea Bastianini, por exemplo. O vencedor da sprint tombou quando vinha tentando escalar o pelotão e, quem sabe, poderia ter sido uma ajuda extra na batalha do companheiro de Ducati. Martín passou parte da corrida sendo seguido pelas KTM, mas Jack Miller e Brad Binder pouco fizeram para se aproximar.

No fim da corrida, Pedro Acosta, que vem de uma lesão no ombro e caiu em sete das últimas 11 corridas, até começou a se aproximar de Martín, mas já era tarde demais para ameaçar o piloto da Pramac. O mesmo aconteceu com Fabio Di Giannantonio, que só cresceu no fim.

Com mais rivais na briga, Pecco poderia ter descontado mais pontos e ganhado um fôlego maior no campeonato. Mas, sem eles, a vitória ajuda, mas faz pouco no plano geral.

Mesmo assim, a Tailândia mostra, mais uma vez, a impressionante capacidade de reação de Bagnaia. E mantém uma temporada de altíssimo nível do italiano — o piloto da Ducati venceu 50% dos GPs da temporada (contra só 16,6% de Martín) e pouco mais de 33% das sprints de 2024 (mesmo aproveitamento do rival). Os erros, contudo, seguem falando alto.

“De manhã, eu não estava tão feliz depois do warm-up, mas quero agradecer a minha equipe, pois fizemos um trabalho incrível. Olhamos os dados e entendemos o que fazer”, contou Pecco logo depois da corrida. “Também foi porque tinha mais água no asfalto, o que foi melhor para mim. Mas, de qualquer forma, estou muito, muito feliz, e quero dedicar à minha equipe, que sempre faz um trabalho fantástico”, frisou.

Após o pódio, Pecco explicou a tática da prova mais detalhadamente e reconheceu que Marc Márquez era mais forte no molhado, mas precisava do futuro companheiro entre ele e Martín.

“Eu só queria fazer o máximo das minhas possibilidades. Sabia que Marc era o mais rápido na água, e também que tinha de deixá-lo atrás para metê-lo entre eu e Jorge, para somar mais pontos. Jorge não arriscaria tanto. Então esperei até me sentir bem e depois forcei”, contou.

Além de cortar a vantagem de Martín, a vitória na Tailândia tem outro importante aspecto motivacional: é a primeira de Pecco na chuva desde que começou a competir.

“Esta é a mina melhor temporada, mas também é a que mais erros cometi e que caí mais vezes. Ganhar era muito importante e fazer isso na água dá muitíssima força e motivação. É preciso ganhar pontos assim, não perdê-los como ontem”, defendeu.

Agora, Martín vai para a Malásia com o primeiro mathc-point do título nas mãos, mas em um cenário complexo: ele precisa somar 21 pontos mais do que Pecco para abrir 38 de frente, já que o critério de desempate, que é o número de vitória, favorece ao italiano.

“A motivação é muito alta. Nós sabemos onde erramos este fim de semana e não vamos errar outra vez. Ao mesmo tempo, também somos conscientes de que Jorge está em um estado de forma especial”, encerrou.

MotoGP volta já no próximo fim de semana com o GP da Malásia, em Sepang, penúltima etapa da temporada 2024. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.

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