McLaren se coloca como única certeza em sexta-feira dramática de treinos no Japão
Em uma sexta-feira (4) das mais tumultuadas, a McLaren foi capaz de se isolar e é o maior ponto de equilíbrio até aqui no Japão. Veloz a todo instante, dividiu a liderança nas duas sessões entre seus pilotos e, de novo, se coloca como favorita. Mas o cenário geral em Suzuka ainda segue incerto, porque o primeiro dia de treinos livres foi marcado não só por acidentes fortes, mas também pelo fogo. Assim, a tarefa de determinar a ordem de forças do grid se mostra mais difícil do que o habitual
A Fórmula 1 viveu de um tudo nesta sexta-feira (4) em Suzuka, palco do GP do Japão. De fogo na grama a um sério acidente, foram quatro bandeiras vermelhas apenas no treino livre 2 — normalmente o mais representativo do fim de semana —, o que acabou por reduzir as ações de pilotos e equipes na preparação para a terceira etapa da temporada 2025, além de tornar a análise da ordem de forças do grid uma tarefa inglória. Mas há um ponto de certeza neste cenário: a McLaren soube como blindar o trabalho neste primeiro dia de treinos livres e é, sem hesitar, a favorita para a rodada nipônica do Mundial. Oscar Piastri terminou a sessão vespertina na frente, acompanhado de perto pelo colega Lando Norris, que já havia liderado o TL1. Quem mais perto chegou dos carros papaia foi Isack Hadjar, a bordo do foguetinho da Racing Bulls. Só que os 0s4 de diferença entre a equipe inglesa e o restante do pelotão já acende a luz de alerta.
Mas antes de chegar ao desempenho da McLaren, é importante colocar aqui a ordem dos acontecimentos, porque também ajuda a explicar a razão da confortável posição — ao menos até aqui — da líder do campeonato. Com apenas quatro voltas completadas nos primeiros minutos do segundo treino, Jack Doohan estampou a Alpine na barreira de pneus na curva 1. O impacto foi tão forte que o piloto precisou de ajuda para deixar o cockpit, mas ficou tudo bem com ele.
O problema foi que a batida aconteceu por conta do DRS aberto — de acordo com o time francês, foi “erro de julgamento” do australiano. No fim das contas, o carro ficou destruído, enquanto os demais tiveram de esperar pouco mais de 20 minutos até a liberação da pista.
Foi nesse ponto que Norris assumiu a dianteira. Durou pouco, porque Fernando Alonso também cometeu um pequeno erro ao tocar na grama. O Aston Martin do espanhol escapou e acabou na brita. Nova interrupção. E mais tempo de garagem. Os pilotos ainda teriam de lidar com mais duas bandeiras vermelhas, ambas causadas por fogo na grama que circunda a pista em alguns trechos — as fagulhas que se formam no toque do fundo dos carros com o asfalto acabaram provocando o incidente. A Federação Internacional de Automobilismo prometeu providências. Com isso, o tempo de treinos foi limitadíssimo, cerca de 30 minutos só, o que prejudicou o tradicional programa técnico das equipes às sextas. Mas a McLaren passou ilesa e não enfrentou dificuldades para se impor.
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Praticamente, só a McLaren conseguiu simular, ainda que de maneira breve, o ritmo de classificação — no entanto, no TL1, foi possível andar em condições de corrida e ninguém se mostrou páreo para os laranjinhas. Ainda, é essencial dizer que o MCL39 exibiu enorme performance no primeiro trecho de Suzuka, a parte recapeada do traçado que exibiu belo nível de aderência. Além disso, Oscar comandou o segundo setor, enquanto Lando foi o dono do trecho final do circuito, o que explica bem a forma como Piastri alcançou o topo da tabela, ao virar 1min28s114 — apenas 0s049 mais rápido que Norris.
A única ressalva que pode ser feita à performance dos britânicos tem a ver com os pneus — que apresentaram certo desgaste em um acerto de alta pressão aerodinâmica. Já as fortes rajadas de vento se tornaram um problema para todos. “No geral, gostaria de ter olhado um pouco mais para o comportamento dos pneus, mas é a mesma coisa para todo mundo, então agora vamos tentar reunir todas as informações que acumulamos para nos prepararmos para a classificação e a corrida”, disse o chefe Andrea Stella.
Piastri elaborou um pouco mais. “Parte da pista foi recapeada e os ventos estavam muito fortes, o que tem sido um desafio. Aqui é um lugar em que o vento muda muito, o que altera o equilíbrio. Acho que não consegui dar duas voltas seguidas com o carro igual. Um dia bastante complicado”, comentou o australiano. “Foi difícil encontrar o ritmo no TL1 e me senti mais confortável no TL2, só não encontrei um melhor desempenho com os pneus macios. A Mercedes pareceu muito rápida, porém, é difícil ter uma leitura com essas sessões. Estou confiante, mas é complicado dizer que temos ritmo para todo o fim de semana neste momento.”
De fato, a Mercedes se mostrou veloz pela manhã, quando George Russell liderou boa parte das ações antes de Norris pular à frente. Com uma configuração de médio downforce, o W16 parece ter se adaptado bem ao clima frio de Suzuka e, ainda que o TL2 tenha sido caótico, os alemães tentaram impor um ritmo mais consistente. “Foi um começo decente. Conseguimos testar os três tipos de pneus, entendemos o asfalto novo do primeiro setor e conseguimos uma direção no equilíbrio do carro. George pegou a mão rapidamente e entregou voltas competitivas no TL1, além de uma simulação sólida de corrida. O TL2 foi bem mais quebrado, foram quatro bandeiras vermelhas, não tivemos muito o que aprender”, afirmou Andrew Shovlin, diretor da esquadra preto e prata.

“Os ventos tendem a mudar totalmente amanhã, e isso deve impactar fortemente no equilíbrio do carro, mas vamos trabalhar a noite toda no simulador para trazer o equilíbrio do carro de novo. Ainda tem a chance de chuva no domingo. A McLaren parece ser a força a ser batida, mas foi um começo de fim de semana promissor para a gente. Esperamos estar em posição de briga por pódio no domingo”, emendou.
Foi ainda mais interessante ver a Racing Bulls tentando alcançar a McLaren. Mesmo em uma sessão limitada e tendo a sensação de que a equipe caçula dos energéticos adotou um mapeamento de motor mais agressivo, chamou a atenção a velocidade do carro branquinho de Hadjar e agora de Liam Lawson. O francês fechou o dia em terceiro, enquanto o neozelandês conquistou o quinto tempo. Ambos à frente da Red Bull de Max Verstappen, que segue tentando entender como tirar desempenho de um carro tão complexo, ainda que os taurinos tenham promovido uma série de atualizações no Japão. O neerlandês concluiu as atividades apenas em oitavo, a mais de 0s5 atrás da McLaren, e admitiu a dificuldade em completar boas voltas.
“Hoje foi um dia bem difícil para mim. Tentamos muitas coisas diferentes com o carro, mas parece que nada realmente está encaixando neste momento, então foi bem difícil registrar uma volta”, disse Verstappen aos repórteres logo após o fim dos treinos. “É preciso muita confiança e comprometimento aqui, mas não sinto isso no momento. Ainda temos muito trabalho a fazer”, decretou o tetracampeão, que viu o novo companheiro de equipe, Yuki Tsunoda, em 18º.
Mas se a Red Bull ainda enfrenta seus demônios e procura encontrar solução para um carro difícil, especialmente depois da troca de pilotos, a Ferrari viveu uma sexta-feira discreta, mas sem drama. Lewis Hamilton achou velocidade rapidamente e parece mais confortável na SF-25. Fechou o dia com uma interessante quarta colocação, atrás apenas da dupla da McLaren e de Hadjar. Charles Leclerc se viu um pouco mais atrás, em sétimo, perdendo para a Mercedes de Russell. Mesmo assim, os italianos entendem que há um potencial a ser explorado.

“Foi difícil montar uma volta, tinha muito tráfego e outras coisas. Charles e Lewis estavam felizes com o equilíbrio, então não acho que ficamos muito atrás hoje. Provavelmente será assim amanhã também”, avaliou Frédéric Vasseur. “Em curvas de alta velocidade, temos muita dificuldade em nos recuperarmos no meio do tráfego. Vimos que faltou algo nas curvas 9 e 11, aquelas de baixa velocidade. É verdade que o TL2 não foi tão produtivo, conseguimos alguma coisa.”
Como os demais, o chefe ferrarista também vê a McLaren à frente. “Com certeza estamos muito próximos. Talvez a McLaren esteja um pequeno passo à frente dos outros, mas estamos bem perto da Red Bull e da Mercedes. Vai depender de encaixarmos tudo amanhã, também pensando na corrida de domingo, onde esperamos chuva”, explicou o francês, que ainda alertou sobre os ventos. “A coisa mais importante é que o vento vai mudar amanhã e vai se deslocar 180°. Isso significa que o equilíbrio do carro mudará completamente, então teremos vento a favor na parte de alta velocidade e contra na reta. Será o oposto do que vimos hoje e será muito difícil de administrar.”
A verdade é que, apesar do caos e das condições do clima, a McLaren segue como referência em Suzuka, mas o sábado deve, ao menos, tornar mais clara a ordem de forças. E a se a chuva realmente se fizer presente, aí é um outro cenário. De novo.
A Fórmula 1 realiza o GP do Japão, em Suzuka, entre os dias 3 e 6 de abril, terceira etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. Ainda na sexta, às 23h30, os pilotos retornam à pista para o terceiro treino livre, ao passo que a classificação será na madrugada de sábado (5), às 3h. Por fim, no domingo (6), os pilotos disputam o GP do Japão às 2h. O Briefing chega para comentar na GPTV após o fim de cada dia de atividades.
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