Federação Inglesa rebate FIA e critica “falta de transparência e centralização de poder”

Presidente da Motorsport UK, David Richards voltou a tecer fortes críticas contra a FIA e disse que espera se reunir pessoalmente com Mohammed Ben Sulayem na próxima semana para encontrar um "desfecho aceitável" para as questões discutidas

Após ser proibido de participar de uma reunião do Conselho Mundial de Automobilismo no fim de fevereiro, David Richards voltou a se manifestar e disse que está totalmente insatisfeito com a resposta da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) às preocupações que foram levantadas por ele por meio de uma carta no mês passado. O presidente da Motorsport UK, autoridade que regula o esporte no Reino Unido — equivalente à Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) no Brasil —, criticou a centralização de poder e falta de transparência dentro da entidade.

Há pouco mais de um mês, enquanto pilotos e equipes de Fórmula 1 completavam os dias de pré-temporada no Bahrein, a emissora britânica BBC trouxe a informação de que membros importantes da federação que dirige o esporte a motor foram excluídos de uma reunião do Conselho porque se recusaram a assinar um acordo de confidencialidade (NDA) exigido por Mohammed Ben Sulayem, já que não concordavam com os termos estabelecidos no documento.

Como forma de protesto, Richards enviou uma carta aos membros da FIA expondo e questionando a gestão do emiradense. Na ocasião, afirmou ver “falta de responsabilidade e bom governo” dentro do órgão, além de uma tentativa de silenciar os integrantes com algumas manobras, como, por exemplo, o próprio termo de confidencialidade imposto na então reunião. O comandante da Motorsport UK ainda relembrou o grande número de demissões em altos cargos dentro da entidade e a limitação que os comitês de auditoria e ética têm passado por causa de medidas recentes.

Na última segunda-feira (7), Alberto Villarreal, gerente geral da FIA, manifestou-se sobre o caso e rebateu as acusações de Richards, declarando que “como membro responsável do Conselho e alguém que opera com integridade, confio que o senhor não teria nenhuma objeção razoável a um acordo que serve apenas para reforçar os deveres de confidencialidade existentes e que está em linha com as melhores práticas para uma organização com as responsabilidades e a posição da FIA. Não se trata de uma ‘ordem de silêncio’, como a sua carta a caracteriza”.

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Presidente da FIA excluiu membros de reunião por causa de acordo de confidencialidade (Foto: AFP)

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Nada satisfeito com o posicionamento da entidade máxima do esporte a motor, o presidente da Motorsport UK divulgou uma nova carta nesta quarta-feira e voltou a tecer fortes críticas. Além disso, deixou claro que espera se encontrar com Ben Sulayem pessoalmente na próxima semana para expressar melhor as opiniões que possui e “chegar a um acordo sobre um desfecho aceitável” para as questões discutidas.

“O que é decepcionante nesta carta do Alberto é o desrespeito às preocupações muito reais que foram expressas, não apenas por mim, mas por um número crescente de pessoas, de que a governança e a organização constitucional da FIA estão se tornando cada vez mais opacas e concentrando o poder apenas nas mãos do presidente”, começou.

“Meu problema atual é com a exigência de assinar um acordo de confidencialidade alterado que não contém um procedimento claro para avaliar uma violação, nem um processo independente em caso de disputa. Mantenho minha declaração de que isso é, na verdade, uma ordem de silêncio, e, no entanto, esses pontos são simplesmente ignorados por Alberto, o gerente geral da FIA. Além disso, a ação subsequente para me excluir da reunião do WMSC (sigla em inglês para Conselho Mundial de Automobilismo) viola os Estatutos da FIA e é ilegal segundo a lei francesa”, continuou.

David Richards, presidente da Motorsport UK, espera se encontrar com Mohammed Ben Sulayem (Foto: FIA)

“Há muitas coisas das quais nos orgulhamos que a equipe da FIA em Genebra conquistou nos últimos três anos. Mas não podemos permitir que a bússola moral da nossa liderança mude e simplesmente ignore qualquer pedido de transparência e discurso aberto. Estarei no Oriente Médio na próxima semana e espero poder me encontrar com o presidente da FIA para expressar minhas opiniões pessoalmente e chegar a um acordo sobre um desfecho aceitável”, concluiu Richards.

Fórmula 1 volta de 11 a 13 de abril para o GP do Bahrein, em Sakhir, quarta etapa da temporada 2025.

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