McLaren dita ritmo na Arábia Saudita, mas não está só: Verstappen é ameaça real desta vez
Lando Norris puxou o 1-2 da McLaren em uma sexta-feira agitada de treinos livres na Arábia Saudita, confirmando o favoritismo do carro laranja, mesmo em uma pista veloz e manhosa como essa de Jedá. Só que o cenário se desenha mais parelho do que aquele visto na semana passada e, para esquentar ainda mais as coisas, Max Verstappen mostrou menos irritação com o enigmático RB21. Enquanto isso, a Ferrari tenta capitalizar em cima da Mercedes — ao menos em ritmo de classificação
Um danado Pierre Gasly tentou criar um suspense na abertura dos trabalhos da Fórmula 1 na Arábia Saudita, palco da quinta etapa de 2025, mas a McLaren retomou as rédeas da narrativa e fechou a sexta-feira (18) na frente, em uma dobradinha que promete emoções fortes ao longo do fim de semana. Isso porque Lando Norris liderou o dia, com Oscar Piastri em segundo. A diferença entre eles ficou em 0s163, fruto de um segundo setor assombroso. Quer dizer, os papaias seguem firmes e fortes na ponta e são favoritos de novo. Só que, desta vez, a concorrência parece um pouco mais próxima — embora seja corriqueira a ideia de que o carro laranja sempre pode mais. De todo o jeito, Max Verstappen surgiu ali em terceiro, a 0s280 do britânico, como um alerta.
Mas é preciso dizer: a equipe comandada por Andrea Stella viveu uma sexta-feira de muitos testes em que os dois pilotos se concentraram em diferentes configurações. Piastri foi o escolhido para experimentar as novidades que os engenheiros prepararam para Jedá. Entre as mudanças, o MCL39 do australiano ganhou um novo difusor traseiro, com o objetivo de “melhorar o condicionamento geral do fluxo nesta área, com o objetivo de obter desempenho aerodinâmico”, além de uma versão revisada do duto de resfriamento do freio traseiro. Esse foi o primeiro grande pacote de atualizações do time de Woking. E tudo pareceu funcionar a contento.
“Foi um primeiro dia positivo aqui em Jedá, onde conseguimos completar vários itens importantes e estabelecer uma performance base razoável”, disse Stella. “Completamos um bom número de voltas, permitindo que os pilotos construíssem confiança, o que é particularmente importante com essa alta velocidade, mas em um circuito desafiador”, seguiu.
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Já Lando focou mais na própria adaptação ao carro. O inglês tem falado sobre o quanto precisa mudar o estilo de pilotagem para encontrar performance. E esse foi o ponto central do trabalho de Norris. “Hoje foi um dia em que tentei melhorar a pilotagem, tentei me dedicar mais a mim mesmo do que ao carro. Tenho encontrado cada vez mais confiança com o MCL39, então é uma boa maneira de começar a ser produtivo. Ganhar confiança, ser produtivo. Acho que estou no caminho certo”, afirmou o líder do Mundial após o TL2, em que virou 1min28s267.
“Estamos confiantes para a classificação, mas nossos rivais estão muito próximos. Provavelmente esperávamos ter uma vantagem maior. E pelo que vimos hoje, não temos. Somos rápidos, sabemos que temos um ótimo carro, mas certamente não estamos em uma posição confortável, não tão confortável quanto gostaríamos”, completou.
De fato, o grid parece realmente mais parelho, embora a McLaren possa se apegar a pontos fortíssimos, como a eficiência aerodinâmica em todos os setores do circuito. É claro que as curvas de baixa velocidade continuam sendo a arma mais poderosa dos papaias, mas foi igualmente interessante perceber que Norris foi capaz de voar nos setores mais velozes — ainda que tenha cometido diversos erros em voltas rápidas. Há um arrasto ainda, mas que, por ora, a equipe conseguiu minimizar com um carro dos mais equilibrados. No entanto, Verstappen não ficou tão longe.
É que a Red Bull se dá bem em Jedá. O circuito de piso liso, rápido e fluido ajuda a compensar os defeitos do RB21. Além disso, os taurinos também trabalharam bem a eficiência da asa traseira. E tornaram o arrasto em uma vantagem na comparação com a McLaren. Também fez diferença o fato de que os pneus macios apresentaram um melhor comportamento na simulação de volta única. O neerlandês foi capaz de encontrar rapidamente uma boa janela de operação, equilibrando as altas temperaturas. O carro ainda sai muito de frente — Max reclamou novamente durante os treinos, mas parece bem menos problemático que no Bahrein.

“Fizemos mudanças significativas no carro entre os treinos e testamos uma nova configuração. Funcionou muito bem em uma única volta, mesmo perdendo de 0s2 a 0s3 para a McLaren. Estávamos muito lentos nos stints longos. Foi aí que nosso antigo problema nos pegou: os pneus superaqueceram. Agora precisamos encontrar um meio-termo entre manter a velocidade em uma única volta e proteger melhor os pneus na corrida”, explicou o consultor Helmut Marko, que deixou evidente o que separa realmente a Red Bull a McLaren.
De fato, o ritmo de corrida dos líderes do campeonato é muito maior. Se em classificação o cenário se mostra parelho, o desempenho em condições de prova destoa demais. Mas aqui é importante dizer: a simulação de GP foi bastante afetada pelo acidente de Yuki Tsunoda na parte final do TL2. Assim, os ensaios ficaram mais curtos do que o habitual. E neste quadro, Piastri se mostrou melhor em cima dos pneus médios e foi seguido de perto por George Russell, da Mercedes, e Charles Leclerc, da Ferrari. Também há uma história para ficar de olho: Gasly exibiu um ritmo muito próximo dos carros da ponta e pode se tornar um elemento surpresa tanto no sábado quanto no domingo.
E é aí que Ferrari e Mercedes entram. A escuderia italiana teve uma sexta-feira de extremos. Enquanto Leclerc se dedicou ao melhor entendimento do acerto da SF-25, especialmente em corrida, Lewis Hamilton se viu em dificuldades para colocar os pneus em uma janela de funcionamento razoável. O heptacampeão terminou o dia apenas em 13º. O monegasco, por sua vez, foi o quarto mais rápido, em uma volta de classificação tardia com os pneus macios. Interessante perceber que os dois abortaram várias voltas durante a simulação de volta rápida, o que deixou claro: a sessão que vai definir as posições de largada também será pautada por uma boa localização em pista. O trânsito será um dos principais desafios neste sábado nas ruas de Jedá.
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Do outro lado, as Flechas de Prata sofreram com os pneus macios. Em temperaturas diferentes, a Mercedes precisou trabalhar mais na preparação da volta rápida e terá muito o que fazer até a briga da pole. Só que, em corrida, o W16 mostrou força nos pneus médios. Embora a McLaren pareça um degrau acima em termos de prova, não dá para descartar o time alemão, que vem conseguindo aproveitar todas as chances que aparecem neste início de campeonato.
No fim, Russell tem razão sobre o sábado: “Será uma batalha apertada de novo para ver quem é o segundo melhor e vamos tentar ficar no topo. A McLaren está na frente.”
Mas não está só.
A Fórmula 1 realiza o GP da Arábia Saudita, em Jedá, entre os dias 18 e 20 de abril, quinta etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REAL, além de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. No sábado (19), o TL3 acontece às 10h30 (de Brasília, GMT-3), ao passo que a classificação será às 14h. Por fim, no domingo (20), os pilotos disputam o GP da Arábia Saudita às 14h. O Briefing chega para comentar na GPTV após o fim de cada dia de atividades.
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