Verschoor lidera protagonismo de veteranos em etapa da F2 de confusão da FIA em Jedá
Na teoria, Richard Verschoor venceu as duas corridas da rodada da Arábia Saudita, mas uma punição controversa o fez tomar 5s na sprint. A FIA, aliás, tentou roubar o protagonismo ao colocar nada menos do que 15 pilotos na salinha por uso indevido do DRS, o que não deu em nada — só serviu para fazer bagunça
Se a rodada do Bahrein viu o brilho dos novatos, a Arábia Saudita trouxe os veteranos à baila na Fórmula 2 2025 para provar que quilometragem nas costas faz, sim, muita diferença, principalmente quando o momento exige gestão de pneus para colocar uma boa estratégia em prática. Foi exatamente dessa forma que Richard Verschoor chegou ao degrau mais alto de pódio na corrida de domingo depois de uma punição na sprint daquelas que sempre rendem debates em rodas de amigos.
Com quatro temporadas completas nas costas, o neerlandês é de uma geração que veio no embalo do fenômeno Max Verstappen e tem duas conquistas importantes no currículo: a F4 Espanhola, em 2016, e o badalado GP de Macau, em 2019. Os dois, aliás, em parceria com a MP, equipe de Felipe Drugovich na conquista do título de 2022.
Não é, portanto, tão surpreendente vê-lo em alta depois de uma rodada complicada, em um circuito urbano e de alta velocidade. Mas o retrospecto também mostra que Richard costuma ir muito bem em Jedá: foi segundo colocado na corrida principal em 2022, quando defendia a Trident, e venceu a sprint do ano passado também com a equipe italiana, porém foi desclassificado por infração técnica. De certa forma, era um dos favoritos, ainda que isso tenha passado batido para muitos.
Na corrida sprint, aliás, aproveitou o grid invertido para incomodar os atrevidos pilotos da Campos, Josep María Martí e Arvid Lindblad, e só não venceu porque os comissários consideravam que ele espalhou demais na curva 3, jogando o espanhol para fora do traçado. Foram 5s de punição por conta disso que o deixaram até fora do pódio.

Veio o domingo, e Verschoor, junto com a MP, entendeu rapidamente que era possível ter um bom ritmo com os pneus médios e esticar ao máximo o stint inicial. Quando esteve de cara para o vento, emendou sequência de voltas rápidas em performance impressionante, melhor que a de Jak Crawford, adversário direto na luta pela vitória, calçado com a borracha mais nova. Quando voltou de supermacios para quatro voltas, não tomou conhecimento do carro da DAMS à frente.
“Meu engenheiro disse que meu ritmo estava muito forte, mais rápido do que os que tinham acabado de parar para trocar os pneus médios. Sabia que ia conseguir um bom resultado”, disse na coletiva pós-corrida, no domingo. “Estabelecemos uma meta: se não houvesse safety-car, entraríamos nos boxes com cinco voltas para fim, e eu teria algum tempo para recuperar o terreno. Foi o que fizermos”, salientou.
Foi, de fato, uma atuação maiúscula, mas, ainda assim, é difícil colocá-lo como um dos favoritos ao título, pois se trata de um campeonato que exige regularidade, e este é um ponto que ainda pega para Verschoor. Porém o fato de ter conseguido dois pódios em quatro corridas disputadas com a MP no final da temporada 2024 traz alguma esperança de que pode trilhar o mesmo caminho de Drugovich.
Crawford também merece destaque, embora tenha se envolvido em incidente com Gabriele Minì na sprint. A pole-position foi importante, principalmente por ter batido Victor Martins, que mais uma vez surgiu forte em volta rápida. Em uma pista de difícil ultrapassagem, seria questão de cuidar bem da tática e ficar livre de problemas para vencer a primeira no ano. Não deu, mas o segundo lugar o fez anotar os primeiros pontos na temporada e, quem sabe, pegar o embalo.
Quanto ao francês da ART, dessa vez conseguiu corrigir a largada e só terminou em terceiro porque foi pego no contrapé com a estratégia de Verschoor, ainda que tenha admitido na coletiva a “chateação” com a equipe por não ter sido instruído para forçar o ritmo frente à ameaça do piloto da MP. No geral, foi uma rodada bem mais tranquila, visto que também salvou um suado pontinho na sprint. Mas o caminho ainda é longo para enfim deslanchar e brigar por alguma coisa.

Agora, em meio a tudo isso, quem mais uma vez tentou aprontar das suas foi a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), que colocou nada menos do que 15 pilotos sob investigação por uso indevido do DRS na primeira volta da sprint — algo proibido pelo regulamento —, entre eles, o vencedor de fato, Lindblad. Só que foi muito barulho para nenhuma ação: ficou somente na reprimenda — a FIA aliviou por ter constatado que a abertura durou menos de 5s e não houve vantagens, já que ninguém ultrapassou ninguém.
Entretanto, é mais uma fagulha do quão problemática é a direção de prova nas categorias de base, pois o veredito veio horas depois do fim da corrida da F1. E ainda que a justificativa para a não punição seja adequada, abre um precedente, pois o regulamento proíbe a ativação do DRS na volta 1. O que não faltam, aliás, são situações em que a entidade parece usar dois pesos e duas medidas para mais bagunçar do que ajudar a vida dos competidores.
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