FIA passa pente fino em busca de resfriamento líquido e legitima sistema de freios da McLaren

Não há nada resfriando os freios da McLaren a não ser fluxo de ar, concluiu a Federação Internacional de Automobilismo (FIA). O carro de Oscar Piastri passou por uma varredura depois do GP de Miami

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) decidiu realizar nova inspeção minuciosa no carro da McLaren para não deixar dúvidas de que o sistema de freios do MCL39 está em conformidade com o regulamento técnico. A análise foi conduzida depois do GP de Miami e se preocupou principalmente em checar se, de fato, não há uso de líquidos para ajudar no resfriamento, o que é proibido.

A informação é do portal The Race desta quinta-feira (15). O carro avaliado foi o de Oscar Piastri, vencedor da corrida, e os inspetores técnicos da FIA focaram em dois artigos do regulamento: o 3.13, que diz respeito à carroceria das rodas, e o 11.5, que afirma que o uso de líquido para resfriamento dos freios é proibido.

O regulamento detalha no artigo 3.13 todas as áreas abrangidas na carroceria das rodas, incluindo tambores de freios, pás, dutos de resfriamento interno, defletores de tambor e calotas. Todas os itens foram considerados totalmente legais pela entidade.

Outro detalhe importante citado pelo portal inglês é que a FIA já havia esclarecido antes que o uso de qualquer truque tecnológico para ajudar a resfriar os freios os pneus seria considerado ilegal. A aprovação de agora, portanto, significa que não há nenhum outro fator, como materiais que mudam de fase, que não seja ar para controlar a temperatura, conforme enfatizado no artigo 10.8.4.

Não há nada resfriando os freios da McLaren a não ser ar, concluiu a FIA (Foto: McLaren)

O texto afirma que, além do uso de cobertores para ajudar no aquecimento dos pneus, “qualquer outro dispositivo, sistema ou procedimento [exceto a condução do carro] cujo objetivo e/ou efeito seja aquecer as rodas, os cubos ou os freios acima da temperatura do ar ambiente, ou manter a temperatura se já estiverem quentes, é proibido”.

A FIA também se manifestou. Um porta-voz disse ao The Race que “acreditamos que o único método permitido para resfriar freios, tambores de roda ou pneus é o fluxo de ar gerado pelo movimento do carro para a frente”.

O sistema de freios do MCL39 ficou em evidência principalmente depois do GP de Miami, realizado há duas semanas. Mesmo com o forte calor, o carro papaia não sofreu com alto desgaste ou mesmo superaquecimento de pneus, ao contrário da própria Red Bull. Max Verstappen, por exemplo, até largou na pole, mas não teve ritmo de corrida para nem sequer terminar no pódio.

Só que isso ligou o alerta nas rivais, sobretudo os taurinos, que passaram a caçar alguma irregularidade por conta da capacidade da equipe inglesa de controlar as temperaturas dos pneus traseiros de forma muito mais eficiente que os outros times, o que naturalmente faz com que os compostos se desgastem menos.

Para obter esse efeito, a McLaren encontrou uma forma de resfriar a superfície externa dos tambores traseiros, o que torna a desaceleração da roda mais eficiente e menos quente. Ou seja, a equipe encontrou o equilíbrio entre conseguir esquentar os discos e não transferir calor demais para as rodas. O resultado é uma frenagem muito mais equilibrada e que cuida melhor da borracha.

O curioso é que o segredo da McLaren reside em uma figura muito conhecida em Milton Keynes. Segundo a revista alemã Auto Motor und Sport, o projetista-chefe Rob Marshall, ex-diretor de engenharia da Red Bull, é a mente por trás do sistema inteligente que permite a circulação de ar nos tambores de ventilação do freio, de modo que eles permanecem quentes, mas os pneus resfriados, sem perderem calor ou superaquecerem.

O carro de Charles Leclerc também foi inspecionado depois da corrida norte-americana. A federação considerou a SF-25 #16 em conformidade com as regras relativas ao conjunto do volante, dispositivo de operação da embreagem e outras regras eletrônicas.

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