Fangio, Moss, Da Silva: quem eram os grandes nomes nas 24 Horas de Le Mans de 1955

Além de grandes campeões da Fórmula 1, como Juan Manuel Fangio e Phil Hill, o grid da 23ª edição da corrida no histórico Circuito de La Sarthe ainda contou com a presença do brasileiro Nano da Silva, assim como Ken Miles, que teve os anos finais da carreira retratados nas telas do cinema. Confira quem eram os principais personagens daquela prova marcada pelo desastre que matou 84 pessoas

Para o mundo do automobilismo, o dia 11 de junho jamais será lembrado como uma data a ser comemorada. Muito pelo contrário. Há exatos 70 anos, durante a 23ª edição da corrida de longa duração mais tradicional do mundo, o Circuito de La Sarthe foi palco do maior acidente da história das 24 Horas de Le Mans, que resultou nas mortes do piloto Pierre Levegh e de 83 espectadores. Mas além do francês, que da pior forma ficou eternizado como grande protagonista da tragédia, o grid daquele ano contava com outros personagens marcantes.

Num mundo que aos poucos se recuperava das profundas marcas deixadas pela Segunda Guerra Mundial, Jaguar e Mercedes despontavam como principais forças, levando para as pistas a antipatia entre ingleses e alemães. Do lado das Flechas de Prata, Juan Manuel Fangio e Stirling Moss se destacavam, enquanto Mike Hawthorn e Ivor Bueb eram a esperança por parte dos felinos.

Fangio, claro, dispensa qualquer tipo de apresentação. Naquela altura da carreira, o argentino já era bicampeão de Fórmula 1 e caminhava para o terceiro título, em 1955 mesmo, antes de levar a melhor em 1956 e 1957 para dominar completamente a primeira década da principal categoria do automobilismo — em tempos ainda sem muito glamour, dando os primeiros passos.

Como dupla, ‘El Chueco’, como era conhecido, pôde contar com ninguém menos que Moss, considerado por muitos o maior piloto da história a nunca ter conquistado um título de F1. Naquele mesmo ano, o britânico já havia levado a melhor na Mille Miglia, famosa corrida de 1.500 km na Itália, quando completou a prova no tempo recorde de 10h08min, desbancando o próprio Fangio, que ficou em segundo. Eram os queridinhos da marca alemã, companheiros de equipe na F1 e escolhidos para buscar a glória de Le Mans.

Stirling Moss com a Mercedes W196R (Foto: LAT Images)

Além da estrelada dupla, a Mercedes deu entrada nas 24 Horas de Le Mans com mais dois carros de fábrica. Em um deles, Karl Kling — que foi eleito ‘Personalidade Esportiva Alemã’ em 1952 — e o francês André Simon, que também vestiu as cores da Gordini e da Ferrari até 1965, quando decidiu se aposentar de vez das pistas. No outro, o francês Levegh, que morreria naquela corrida, e o norte-americano John Fitch, que além de ter sido o primeiro piloto do país a ter sucesso na Europa no período pós-guerra, também deixou legado muito grande com o trabalho realizado no desenvolvimento de sistemas avançados de cápsulas de segurança para os competidores.

Já do lado da Jaguar, Hawthorn e Bueb eram os grandes destaques e, por isso, acabaram ficando com o triunfo daquela edição em La Sarthe — a Mercedes decidiu retirar os carros da prova horas após a tragédia. Enquanto o segundo teve uma carreira mais discreta, o primeiro se tornou campeão mundial de F1 em 1958, fato determinante para a decisão de se aposentar logo após o fim daquele campeonato. Os dois morreram em acidentes automobilísticos antes do fim da década: Bueb, numa corrida de F2; Hawthorne, aposentado, enquanto fazia uma viagem.

Mas a montadora inglesa tinha mais dois carros de fábrica na disputa: Tony Rolt — condecorado pelo exército britânico pela participação na Segunda Guerra Mundial — e Duncan Hamilton formavam uma das parcerias, enquanto Don Beauman e Norman Dewis formavam a outra dupla. Porém, as equipes Ecurie Francorchamps e Briggs Cunningham também competiam com um modelo da Jaguar, com Johnny Claes — que antes da fama como piloto, foi trompetista de jazz e líder de banda de sucesso na Grã-Bretanha —, Jacques Swaters, William Spear e Phil Walters ao volante.

As grandes personalidades estavam também fora do pacote Mercedes-Jaguar. Ken Miles, por exemplo, que teve o trabalho no desenvolvimento do Ford GT40 e a participação nas 24 Horas de Le Mans de 1966 retratados no filme ‘Ford v Ferrari’, estava presente naquela edição, pela MG, ao lado do britânico Johnny Lockett, e terminou na 12ª posição.

A Jaguar #6 de Mike Hawthorn e Ivor Bueb (Foto: 24 Horas de Le Mans)

Assim como Colin Chapman, importante designer, inventor e fundador da empresa de carros esportivos Lotus. Embora tenha competido na F1, ficou mais conhecido pelas diversas inovações desenvolvidas para a categoria: chassi monocoque, aerofólios e assoalhos cujo formato produzia o chamado ‘efeito-solo’. O britânico foi desclassificado das 24 Horas de Le Mans de 1955 por ter feito uma manobra de reversão para retornar à pista após ter saído dela, o que violava as regras.

Primeiro norte-americano de nascimento a ganhar um campeonato de F1, três vezes vencedor da prova em La Sarthe, três vezes das 12 Horas de Sebring e duas vezes dos 1.000 km de Nürburgring, Phil Hill também carimbou presença, com o vermelho da Ferrari, mas completou apenas 76 voltas antes de abandonar. Da mesma forma, Maurice Trintignant, que participou das primeiras 15 temporadas da F1 e que também representou o time de Maranello em Le Mans, completou somente 107 giros e não viu a bandeira quadriculada.

Por último, mas não menos importante: Hermano da Silva Ramos — mais conhecido como Nano da Silva. Filho de mãe francesa e de pai brasileiro, foi o terceiro piloto do Brasil a competir na F1 — depois de Chico Landi e Gino Bianco —, mas também fez carreira em outras competições, como o Tour de France Auto e as 24 Horas de Le Mans, sempre competindo por grandes marcas: MG, Ferrari, Aston Martin, Maserati, Jaguar, Cooper, Lotus e Porsche. Em 1955, pela Gordini e ao lado de Jacques Pollet, foi até o 26º lugar e precisou abandonar no 145º giro.

Os carros do Mundial de Endurance (WEC) aceleram entre os dias 11 e 15 de junho para a principal corrida do ano, as 24 Horas de Le Mans, quarta etapa da temporada. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades da temporada 2025 e transmite todas as etapas AO VIVO e COM IMAGENS no canal do YouTube e na GPTV.

As atividades de pista começam para valer nesta quarta-feira (11), às 9h (de Brasília, GMT-3), com o TL1. Depois, às 13h45, acontece a primeira parte da classificação, e o dia encerra às 17h, com o TL2.

Na quinta-feira (12), o TL3 será às 9h45, enquanto a definição da pole-position começa a partir das 15h. Em seguida, às 18h, o TL4 fecha o dia. Por fim, no sábado (14), os pilotos realizam o warm-up às 7h, e a largada está programada para as 11h.

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