Al-Attiyah destaca força de Ben Sulayem na FIA e desdenha de Sainz: “Não será presidente”
De acordo com Nasser Al-Attiyah, este "não é um bom momento" para Carlos Sainz deixar as competições de rali e se aventurar na disputa política contra Mohammed Ben Sulayem
Lenda do rali, Carlos Sainz declarou recentemente o desejo de concorrer ao cargo de presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) nas próximas eleições, programadas para acontecer no fim deste ano. No entanto, Nasser Al-Attiyah, outro grande piloto do mundo off-road, mostrou certo ceticismo quanto às capacidades do espanhol — além de ter deixado claro a força política que Mohammed Ben Sulayem possui atualmente.
No início de maio, em entrevista ao jornal El Confidencial, o quatro vezes vencedor do Dakar confirmou que estava pensando seriamente em se candidatar ao mais alto cargo da entidade que gere o esporte a motor. Além disso, em resposta às manifestações que surgiram na época, descartou qualquer conflito de interesse com o filho, também Carlos Sainz, que compete pela Williams na Fórmula 1.
Ciente da iminente ameaça de perder o imenso poder dentro da FIA, Ben Sulayem não bobeou e rapidamente começou a trabalhar nos bastidores para promover mudanças no estatuto que o beneficiassem. E deu certo. No último dia 12, durante a reunião da Assembleia Geral, em Macau, as alterações propostas pelo emiradense foram aprovadas com ampla margem.
“Será que ele quer fazer isso? Não será presidente”, afirmou Al-Attiyah, nitidamente incomodado com as intenções de Sainz de tentar ser o líder da FIA. Na verdade, o catari não mostrou muita confiança de que o colega de profissão será capaz de mudar realmente o que acontece no órgão dirigente neste momento.

“No fim das contas, todo mundo tem alguma ideia. Carlos, Nasser, Mohammed ou qualquer um. Entrar na política não é realmente fácil, porque você precisa estar 100% livre para poder fazer esse tipo de coisa”, afirmou. Ao falar sobre liberdade, Nasser se referiu ao contrato que Sainz possui com a Ford, pelo menos até o próximo Dakar — e caso vire candidato, teria de deixar as competições.
Na sequência, apontou a força política de Ben Sulayem. De fato, no fim de maio, o dirigente recebeu apoio de 36 clubes automotivos e federações — em sua maioria de países da América do Norte e América do Sul. A manifestação veio em forma de uma carta conjunta, assinada por autoridades como o presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Giovanni Ramos Guerra, e pela vice-presidente de Esporte da FIA na América do Sul, Fabiana Ecclestone, esposa de Bernie Ecclestone.
“A realidade é que ele vai ter dificuldades, porque Sulayem é muito forte em nível mundial e mantém boas relações. Mas por que não? Se Carlos quer conseguir isso, ele tem de tentar, e se conseguir vencer, fazer mudanças também pode ser o seu objetivo. Mas este não é um bom momento”, declarou.
Embora veja uma mudança na liderança da FIA como algo complexo, Al-Attiyah entende que “agora Carlos quer experimentar coisas diferentes”. Por fim, lamentou que isso significaria perder “um dos melhores pilotos contra quem já competi”.
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