Presidente da FIA debate questões de direitos humanos e defende África no calendário da F1

Mohammed Ben Sulayem prometeu que a FIA vai analisar o lado financeiro e "se há estabilidade em outras áreas do país" na hora de escolher uma sede para a Fórmula 1 no continente africano

Mohammed Ben Sulayem voltou a defender abertamente o retorno da Fórmula 1 à África nos próximos anos. O presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), porém, não escapou das perguntas relacionadas às violações dos direitos humanos e ao polêmico ‘sportswashing’, questões amplamente discutidas em alguns dos países que demonstraram interesse em sediar uma corrida.

Em dezembro do ano passado, Ruanda aproveitou a semana da festa de premiação da entidade no país para oficializar a candidatura a uma vaga no calendário. O circuito está sendo projetado pelo ex-piloto Alexander Wurz, que também está envolvido no trabalho de desenvolvimento da nova pista em Qiddiya City, na Arábia Saudita, que deve sediar uma prova da categoria quando estiver pronta — entre 2028 e 2029.

Alguns meses depois, Stefano Domenicali, CEO da F1, garantiu que existiam conversas em andamento também com a África do Sul, com propostas para uma etapa em Kyalami ou no traçado urbano da Cidade do Cabo. Mas não parou por aí: Marrocos abriu os cofres para criar um projeto ambicioso, avaliado em US$ 1,2 bilhão (R$ 6,65 bilhões, na cotação mais recente) e entrar na disputa.

Em entrevista ao site da revista neerlandesa Formule 1, Ben Sulayem foi questionado sobre o processo de escolha de uma sede na África e negou ter qualquer tipo de preferência por Ruanda ou qualquer outro local especificamente. “Não é por Ruanda, mas por toda a África. Sabe, ainda acredito que precisamos de mais equipes e mais corridas”, começou.

Encontro da FIA com representantes de Ruanda (Foto: Reprodução X/@MotorsportRw)

“A questão é que os pilotos já vieram até mim dizendo ‘por favor, não queremos mais corridas’. Para eles, 24 corridas são exigentes demais. Mas a África, como continente, sempre foi um pouco esquecida. Tenho orgulho de que, no ano passado, pela primeira vez na história da FIA, organizamos a Assembleia Geral em Ruanda”, recordou o mandatário.

Na sequência, foi confrontado com o fato de muitos países africanos — principalmente Ruanda — apresentarem casos de violações aos direitos humanos e até mesmo ‘sportswashing’ — prática em que se usa o esporte como forma de melhorar a imagem pública de uma pessoa, grupo ou Estado, desviando a atenção de questões controversas ou negativas.

“Sim, podemos seguir nessa direção. E quando se fala do Oriente Médio, onde temos quatro corridas de F1, também se fala muito sobre direitos humanos e ‘sportswashing’. Tudo bem, mas no início deste mês estivemos em um GP da Inglaterra patrocinado pela Qatar Airways. Então isso simplesmente não faz sentido”, respondeu.

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Mohammed Ben Sulayem prometeu avaliar estabilidade em questões sociais para retorno da F1 à África (Foto: AFP)

“Sou um defensor da África. Quando consideramos uma localização na África, seguimos nosso procedimento padrão e analisamos cuidadosamente o lado financeiro da questão e a estabilidade financeira. Além disso, certamente vamos avaliar também se há estabilidade em outras áreas do país em questão”, concluiu Ben Sulayem.

Fórmula 1 volta de 25 a 27 de julho em Spa-Francorchamps, que recebe o GP da Bélgica.

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