Opinião GP: GP da Bélgica reacende velhos incômodos e pede socorro à Fórmula 1
O fim de semana da Fórmula 1 na Bélgica reacendeu algumas questões, entre elas a legitimidade da permanência de Spa-Francorchamps no calendário, além das decisões ultraconservadoras de quem rege as corridas. Mas há também um incômodo latente que gira em torno da insossa disputa do título em 2025. No fim das contas, a etapa belga resgatou velhos problemas que o Mundial teimou em não resolver e agora urge alguma ação
A FÓRMULA 1 VIVEU um fim de semana de muitas camadas na Bélgica, como se diz por aí. Acontece que a etapa belga acabou por despertar velhos aborrecimentos e reacendeu críticas que a maior categoria do esporte a motor ainda teima em deixar para lá. Claro que não passou incólume o fato de Lando Norris oferecer pouquíssima resistência ao companheiro de equipe e encerrar cedo demais qualquer chance de uma disputa mais acirrada pela vitória — Oscar Piastri venceu sem sustos. No entanto, incomodou mais algo já visto na medonha sprint de sábado: a extrema dificuldade de ultrapassagem em Spa-Francorchamps, o que abriu uma questão importante: será que a icônica pista precisa estar realmente todos os anos no calendário? E isso só não foi mais difícil de aturar do que o inexplicável atraso na largada e tudo que ocorreu a partir daí. Portanto, será imperativo tocar em algumas feridas.
É bem verdade que Spa-Francorchamps é um dos circuitos mais clássicos da história. Fez parte do primeiro campeonato, 75 anos atrás, mas atualmente oferece mais dificuldades do que propriamente emoção e disputa. Ainda que seja um traçado de verdade, velocíssimo e delicioso de se pilotar, há uma barreira quase intransponível em termos de briga por posição. A prova curta do sábado deixou tudo muito claro neste sentido. Uma vez que Max Verstappen assumiu a ponta, não houve mais chance de mudança, mesmo com carros de excelência atrás. Foi mais uma procissão — certamente, o conceito aerodinâmico dos carros atuais também tem seu papel, mas essa característica já se percebe há alguns anos por lá.
A última boa edição na Bélgica talvez tenha sido em 2018, com uma vitória de Sebastian Vettel e, antes disso, 2011, também com o alemão na frente. Dentro do atual regulamento, é bom dizer que a do ano passado foi interessante, mais pela disputa entre os pilotos da Mercedes. De resto, vem sendo bem menos empolgante do que o circuito de curvas tão famosas mereceria. Então, talvez fosse o caso de adicionar um revezamento no calendário, até para deixar um tiquinho de saudade.
LEIA MAIS
▶️ 5 coisas que aprendemos no GP da Bélgica, 13ª etapa da Fórmula 1 2025
De toda a forma, a prova deste domingo se encaminhava para o mesmo roteiro do sábado — a chuva que marcou o início das atividades acabou mascarando esse problema. Aliás, a chuva é o grande ponto aqui. Porque a intempérie é também o que torna Spa tão especial, nunca se sabe quando e de onde vai vir a água. Mas se não há como os carros andarem nessas condições, pouco ajuda. Antes de entrar na celeuma de ontem, há um exemplo recente que fundamenta o caos do circuito das Ardenas.
Depois do vexame de 2021, quando a direção de prova acabou por cancelar a corrida da Bélgica devido a uma tempestade, em 2023, o cenário mudou e, mesmo com a pista encharcada, houve a sprint — claro que atrasou e teve sua duração reduzida. A prova foi divertidíssima, melhor que a corrida principal do domingo, realizada em piso seco.
Depois disso, a direção voltou a um modo mais cauteloso, como se viu na edição 2025. O atraso da largada é outro ponto de críticas do fim de semana belga da F1. É incompreensível imaginar que o Mundial teme correr com chuva, porque simplesmente não confia em seus equipamentos. Tanto que precisou esperar passar toda a chuva e secar a pista para que, então, fosse autorizado o começo da corrida. Obviamente, é necessário levar em consideração todos os aspectos de segurança, mas também ouvir os pilotos e agir com sensatez. E talvez tenha sido Verstappen quem melhor descreveu a situação.
Ao analisar todo o cenário do atraso de mais de 1h em Spa devido à chuva, Verstappen foi no ponto. “Quer saber? Vamos parar de correr na chuva e esperar até que esteja seco”.
“Eu teria saído pontualmente às 15h. Nem estava chovendo. Claro, havia bastante água entre as curvas 1 e 5, mas com duas voltas atrás do safety-car, tudo teria ficado muito mais visível. E o resto da pista, de qualquer forma, já estava pronto para a corrida. Quanto mais você avança, melhor fica, e se você não enxergar, sempre pode tirar o pé. Em algum momento, você verá… É uma pena. Sabia que eles seriam mais cautelosos depois de Silverstone, mas isso também não fazia sentido”, afirmou Max, lembrando das decisões diferentes tomadas pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) há três semanas, durante o GP da Inglaterra.
“Nunca mais veremos aquelas corridas clássicas na chuva. Mas acho que elas ainda podem acontecer. E também acho que a chuva que caiu depois teria sido administrável se tivéssemos continuado na pista. Você toma todas as suas decisões com base em uma corrida na chuva, e isso acaba arruinando um pouco a prova toda.”
Lewis Hamilton também criticou o atraso. “Avisei pelo rádio que já estávamos em condições de correr, mas continuamos atrás do safety-car. Eles exageraram um pouco em relação ao que aconteceu em Silverstone, quando pedimos para eles não começarem a corrida muito cedo por causa da visibilidade ruim. Então eles foram muito cautelosos hoje, além disso não precisávamos de uma largada em movimento”, destacou.
▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
Quer dizer, novamente, a Fórmula 1 se vê às voltas com questões antigas e que não se resolvem, ou se resolvem em termos. Porque a opção de largada lançada apenas por conta do pedido do pole também é algo que entra nesse balaio. Norris reclamou demais no rádio e acabou convencendo a FIA de que seria melhor não seguir um início tradicional. Portanto, há muito o que debater neste sentido e já passou da hora de uma solução final para casos como esses da Bélgica. Ou não ironicamente, é até mais honesto deixar claro mesmo que não se corre mais no molhado.
E falando em Norris, ele também entra nas muitas camadas deste fim de semana. Novamente, o piloto britânico caiu em armadilhas que já deveria saber como lidar. O rival Piastri foi, mais uma vez, decidido e arrancou a liderança já no início, aproveitando um vacilo do colega. A partir daí, não deu mais chances, cuidou bem dos pneus e venceu, para abrir 16 pontos para Lando, que agora sofre uma derrota dolorosa em um momento que tentava reacender a briga. Desta vez, no entanto, o cenário parece mais desolador.
A apatia na briga e o fato de a McLaren ter de ajudar a entender o que fazer também coloca em dúvida a capacidade do piloto #4 em disputar o título. Então, diante de tudo, a Bélgica foi mais um pedido de socorro à F1 do que qualquer outra coisa.
A Fórmula 1 volta de 1º a 3 de agosto em Hungaroring, palco do GP da Hungria, 14º da temporada.
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!