Andretti-Cadillac “discorda veementemente” da decisão da Fórmula 1 sobre vaga no grid

A Andretti e a Cadillac, parceiras no projeto F1, responderam à decisão da maior categoria do esporte a motor, que negou a entrada da equipe americana no grid. Em nota, as marcas rejeitaram as justificativas usadas pelo Liberty Media para rejeitar o time

A Andretti e a Cadillac publicaram um comunicado conjunto em que “discordaram veementemente” da decisão da Fórmula 1, que nesta quarta-feira (31) negou o ingresso da parceria americana no grid. A maior das categorias do esporte a motor rejeitou a proposta, alegando que as marcas “não agregam valor” ao campeonato. A justificativa foi rebatida pelas duas empresas.

O grupo que atende por um dos sobrenomes mais famosos do automobilismo dos Estados Unidos se associou à Cadillac para tentar um lugar na F1. O pedido foi aprovado pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), mas não foi o bastante para convencer o Liberty Media, o detentor dos direitos comerciais da F1, e nem mesmo as equipes que hoje integram o grid.

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“Andretti Cadillac revisou as informações que a FOM (Formula One Management Limited) compartilhou e discorda veementemente de seu conteúdo”, disse a esquadra em comunicado.

” A Andretti e a Cadillac são duas organizações globais de automobilismo de sucesso, comprometidas em colocar uma equipe genuinamente americana na F1, competindo ao lado dos melhores do mundo. Estamos orgulhosos do progresso significativo que já fizemos no desenvolvimento de um carro e motor altamente competitivo, com uma equipe experiente por trás dele, e nosso trabalho continua em ritmo acelerado”, completou.

As duas marcas também agradeceram o apoio que receberam dos fãs por meio das redes sociais. “Andretti Cadillac também gostaria de reconhecer e agradecer aos fãs que expressaram seu apoio”.

Michael Andretti não estará na F1 em 2026 (Foto: Indycar)

Pai de Michael, Mario Andretti também se manifestou sobre a decisão da Fórmula 1 e se disse devastado. O ex-piloto esteve na Fórmula 1 entre o final da década de 1960 e o início dos anos 1980. Foi campeão do mundo em 1978 e é um dos grandes ícones do esporte americano.

Sem maiores avisos de que o anúncio era iminente, a Fórmula 1 soltou a explicação com prós e contras e os motivos para rejeitar a Andretti. Mas o principal está na avaliação de que a equipe não trará mais valia para a categoria até 2027. A partir de 2028, caso de fato a GM, por meio da Cadillac, concretize a promessa de fabricar um motor próprio, a coisa muda de figura. Meses atrás, a Cadillac oficializou a intenção com um registro de fabricante de motor a partir de 2028, mas apenas para trabalhar ao lado da Andretti.

“Não acreditamos que a candidata tenha mostrado que agregaria valor ao campeonato”, afirmou a categoria. “Nós olharíamos de forma diferente para uma tentativa de entrada no Mundial de 2028, com uma unidade de potência da GM, seja como uma equipe de fábrica ou cliente da GM”, emendou.

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ENTENDA O CASO ANDRETTI F1

O desejo de entrar na F1 é antigo para a Andretti. A FIA anunciou, no fim de 2022, que abriria um processo seletivo para identificar equipes que desejam participar da Fórmula 1 a partir de 2025.

Em resposta, a Andretti firmou uma parceria com a General Motors para criar uma nova equipe na Fórmula 1 com a marca Cadillac. Além da operação comandada pelo americano Michael Andretti, Hitech e Carlin, ambas da Fórmula 2, também submeteram seus nomes. A empresa asiática LKY SUNZ, que garantiu estar disposta a desembolsar US$ 600 milhões [cerca de R$ 2,96 bilhões na cotação atual] pela vaga, também foi descartada. Os americanos foram os únicos aprovados.

O time receberia motores de outra fabricante, mas tanto Andretti quanto Cadillac ofereceriam todo o suporte técnico. A equipe operaria na nova sede da Andretti Global, que está em construção na cidade de Fishers, Indiana, nos Estados Unidos, e deve começar a funcionar em 2025. Uma outra sede, na Europa, também serviria para as operações.

A parceria com a General Motors representava a melhor chance de entrada da Andretti na Fórmula 1. O time, já conhecido por suas operações em Indy, Fórmula E, IMSA e Extreme E, manifestava o desejo de estar no Mundial desde 2021. O conglomerado chegou a se aproximar de um acordo para comprar a Sauber, mas que colapsou de última hora.

A Andretti já sabia que não teria um tempo tecnicamente viável para ter dois carros no grid em 2025 por conta própria – uma vez que a Cadillac só conseguiria colocar o seu próprio motor para rodar pouco antes de 2027. Por isso, os americanos assinaram um pré-contrato com a Renault, montadora por trás da Alpine, anos atrás. No entanto, expirou em março de 2023, e Bruno Famin, vice-presidente e também chefe interino da equipe de Enstone, deixou claro que não havia planos para novas conversas.

À revista alemã Auto Motor und Sport, Famin ainda salientou que, hoje, as prioridades da Alpine mudaram. “Nossa principal prioridade é desenvolver o melhor motor possível para 2026”, concluiu.

No entanto, o processo para a entrada da parceria Andretti Cadillac precisava do apoio da F1 e das outras equipes do grid, além de uma taxa de entrada de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) como um fundo que seria dividido entre o grid atual para compensar a divisão do dinheiro que acontece com a entrada de um novo time.

Em outubro do ano passado, a FIA divulgou uma nota confirmando que aprovou inscrição de entrada da equipe Andretti Global no grid da Fórmula 1 a partir de 2025. No entanto, o conglomerado americano precisava ainda debater questões comerciais e da aprovação da Formula One Management (FOM) para oficializar a entrada. Mohammed Ben Sulayem, presidente do órgão regulador, era um grande defensor da presença da Andretti no grid, inclusive.

Nesta mesma semana, a Andretti revelou que estava preparando um carro de F1 dentro das regras vigentes para ser desenvolvido em túnel de vento – ainda que estivesse aguardando o sinal verde da F1, que não veio. Desde outubro do ano passado, o time que leva o nome do campeão da F1 de 1978, Mario Andretti, usa as instalações da Toyota em Colônia e já preparava um programa de testes completo para 2025. 

Fórmula 1 retorna às pistas de 21 a 23 de fevereiro, com os testes coletivos da pré-temporada no Bahrein, no circuito de Sakhir.

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