Asfalto ruim cria GP da Turquia diferente e torna luta por pole questão de vida ou morte

Não há aderência alguma no asfalto novo em Istambul, que virou um rinque de patinação para a Fórmula 1. Essa variável pega todo mundo de surpresa e indica dinâmica rara: largar na pole vale ouro, enquanto quem partir do lado sujo da pista fica com um problemão

A semana começou com uma empolgação escancarada no mundo da Fórmula 1. Era hora de voltar à Turquia e correr no Istanbul Park, matando a saudade de uma das melhores pistas deste século. Hora de encarar curvas desafiadoras, como a icônica curva 8. Só que isso tudo já é coisa do passado: os treinos livres de sexta-feira (13) mostraram que o assunto do fim de semana não será um reencontro aguardado, e sim a dificuldade de lidar com um asfalto que gera aderência extremamente baixa.

Para entender a situação atual, é preciso voltar um pouco no tempo. Istanbul Park não recebe a F1 desde 2011 e, salvo campeonatos menores, entrou em estado de semi-abandono. O retorno inesperado ao calendário de 2020 levou a um recapeamento, colocando asfalto novo de última hora na casa do GP da Turquia. Não é um problema em si, já que Portimão passou pelo mesmo processo para o GP de Portugal. Só que a nova superfície turca é incrivelmente escorregadia, rendendo pilotagem digna de corrida na chuva em um dia de sol e céu azul.

A pista foi emborrachando aos poucos, com os tempos de volta do TL2 bem mais rápidos que os do TL1. Só que as condições ainda vão mudar bastante para classificação e corrida, quando há até mesmo risco de chuva. Isso diminui a importância da liderança de Max Verstappen na sexta-feira, mas mantém a esperança de uma corrida que saia do roteiro de 2020 – Lewis Hamilton em primeiro, Valtteri Bottas em segundo e o holandês em terceiro.

Lewis Hamilton teve dificuldades com o asfalto. Bom para o público? (Foto: AFP)

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A pista vai emborrachar mais, mas não a ponto de acabar com os problemas dos pilotos. Na verdade, pode criar mais: só o traçado normal de corrida está emborrachando, com outros trechos na pista seguindo no estilo rinque de patinação.

Isso nos leva à sessão que será ainda mais decisiva do que de costume: o treino classificatório. Quem largar na pole-position fica em situação favorável; quem largar em segundo lugar tem chances de despencar na largada. É que todas as posições pares são na área menos emborrachada da reta principal, aumentando diferença que é pequena em outros traçados.

Essa situação já foi vista no GP dos Estados Unidos de 2012, o primeiro em Austin. A pista também era emborrachada apenas de um lado e não deu outra: apenas um dos 11 pilotos que largaram no lado pouco aderente ganhou posição, e fora até mesmo do top-20. Lewis Hamilton largou em segundo e chegou à primeira curva em terceiro, perdendo posição para Mark Webber. Sim, Webber, um dos piores largadores da história da F1.

Esse problema era previsto desde o começo do fim de semana, e gerou ação extrema da Ferrari. Fernando Alonso, inicialmente destinado a largar em oitavo, lutava por título com Sebastian Vettel, pole. O espanhol estava na temida posição par e atrás de Felipe Massa, sexto. A escuderia italiana não pensou duas vezes e rompeu de forma proposital o lacre da caixa de câmbio do brasileiro, que perdeu cinco posições no grid. O brasileiro era agora 11° e, mais importante, o espanhol era sétimo. Ajudou um monte: agora no lado bom da pista, Fernando saltou para quarto e eventualmente garantiu pódio.

F1; FÓRMULA 1; MAX VERSTAPPEN; GP DA TURQUIA; SEXTA-FEIRA; TREINOS LIVRES;
Max Verstappen foi o mais rápido da sexta-feira de treinos na Turquia (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Não dá para dizer que isso possa se repetir nesse fim de semana, até por ser uma medida para lá de antiética e controversa. Mas cabe a reflexão: com diversos pilotos dizendo que nunca enfrentaram asfalto tão ruim quanto o da Turquia em 2020, é de assumir que é pior até mesmo que o dos Estados Unidos em 2012. E largar em posição par vai valer ouro.

Pilotos como Hamilton e Verstappen já bradam contra o novo asfalto da Turquia. É compreensível: sem aderência, a experiência do GP da Turquia não é tão intensa quanto antes. Dependendo do clima no resto do fim de semana, talvez nem dê para quebrar o recorde da pista, mesmo com carros bem mais rápidos que o de 2011. A cereja nesse bolo é a Pirelli trazendo pneus duros demais, quando poderia muito bem trazer os mais macios e criar voltas ainda mais rápidas.

Mesmo com tudo isso, não há como olhar para os acontecimentos da sexta-feira em Istambul e ficar chateado ou incomodado. A F1 terá um fim de semana diferente, talvez até mesmo com reviravoltas na luta pela pole-position e pela vitória. Isso é muito valioso em um ano de Mercedes sobrando em voltas rápidas e Lewis Hamilton possivelmente heptacampeão com três GPs de antecedência. Se for para ter um GP da Turquia louco, de derrapagens e rodadas pelo asfalto ruim, o fã de Fórmula 1 tem entretenimento garantido no sábado e no domingo.

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