Chuva em Ímola empurra Aston Martin aos pontos, mas é cedo para falar em evolução

A Aston Martin chegou em Ímola como única equipe zerada, mas conseguiu dar a volta por cima e colocar seus dois carros na zona de pontuação. Alguns fatores contribuíram para esse resultado, e a equipe tem total consciência disso

Ostentando o posto de única equipe zerada do grid, a Aston Martin chegou em Ímola sabendo que não poderia dar espaço a erros, principalmente depois do fim de semana desastroso na Austrália, com Sebastian Vettel batendo várias vezes e Lance Stroll também envolvido em acidentes e punições. Mas eis que os céus resolveram dar uma ajudinha — literalmente — na Emília-Romanha, e equipe inglesa conseguiu colocar não um, mas os dois carros na zona de pontuação.

Será que, enfim, a Aston Martin encontrou durante o fim de semana na Emília-Romanha o caminho certo em 2022?

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Alguns fatores são responsáveis por esse resultado, e o primeiro, incontestavelmente, foi a chuva. Foi a primeira vez que as equipes viram o comportamento real dos novos carros em pista molhada, e isso trouxe alguns problemas pontuais para todos, como, por exemplo, a dificuldade em achar a temperatura ideal dos pneus.

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Lance Stroll terminou o GP da Emília-Romanha em décimo (Foto: Aston Martin)

Só que também é na chuva que o talento de alguns pilotos sobressai, por menor que seja a equipe, e nesse quesito, não tem como tirar o mérito de Vettel. Muito contestado após a péssima performance na Austrália, o tetracampeão já mostrou que Ímola seria diferente na sexta-feira, ao terminar o treino livre 1 na oitava colocação. Na classificação para a sprint race, ficou novamente entre os dez, lamentando não ter tido uma volta limpa no Q3 para largar num posto melhor que o nono. E no domingo, mesmo alinhando em 13º, provou mais uma vez seu talento para guiar em pista molhada, cruzando a linha de chegada em oitavo.

“Parece claro que a temperatura mais amena, o piso escorregadio, ajudou a gente sexta-feira e domingo, mas também tínhamos de aproveitar isso de alguma forma. E conseguimos com boa estratégia e colocando os pneus de pista seca no momento certo”, avaliou o alemão após a corrida.

O segundo ponto foi o cuidado com os pneus, algo que, por exemplo, custou a Charles Leclerc a vitória com a Ferrari na sprint. Vettel chamou a atenção para o desgaste dos compostos macios ainda na corrida de classificação e foi para o domingo certo sobre o que teria de ser feito para conseguir uma posição melhor. “Talvez a gente não tenha tido o ritmo puro na corrida, mas cuidamos bem dos pneus e colocamos os dois carros na zona de pontos.”

Vettel é muito bom de chuva, e isso é algo que não se pode contestar (Foto: Aston Martin)

Décimo colocado, Lance Stroll também falou sobre como o cuidado com os pneus fez a diferença na luta contra os adversários diretos. “Todos estavam lutando contra o superaquecimento dos pneus e uma pista que secava cada vez mais, mas mantivemos [Lewis] Hamilton atrás e pressionamos [Yuki] Tsunoda à frente. Assim que mudamos para o pneu médio, continuamos a mostrar bom ritmo e conseguimos nos separar do trem de carros atrás.”

O terceiro fator foi que suas adversárias diretas, Williams e AlphaTauri, tiveram mais dificuldades tanto com a chuva quanto com os pneus. Sim, Tsunoda conseguiu terminar a corrida em sétimo, é verdade, mas no geral, considerando classificação e sprint, a Aston Martin foi superior.

Agora, é claro que o ótimo resultado comparado aos outros GPs não mascara a realidade da Aston Martin, e ela é muito consciente de seus problemas. O próprio chefe da equipe, Mike Krack, declarou logo após Vettel colocar o AMR22 no Q3 que “os problemas não desaparecem da noite para o dia, mas é preciso aproveitar o momento quando ele aparece”.

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O porpoising ainda é um problema para a equipe inglesa (Foto: Aston Martin)

A Aston Martin também sofre com o ‘porpoising’, e tal qual a Mercedes, se vê obrigada a comprometer a aerodinâmica do carro para amenizar os quiques. “Quanto mais no chão pilotarmos os carros, melhor será o downforce, mas tem o problema dos saltos. Isso tem sido muito ruim para nós em algumas ocasiões”, explicou Stroll.

O próprio chefe da equipe reconheceu que, em condições normais, a equipe não teria ido tão longe em Ímola, mas admitiu que terminar nos pontos foi “um bom reforço moral”. E é por esse objetivo que Vettel e Stroll lutarão em 2022.

“Vamos lutar por vitórias nesta temporada? Não. Vamos lutar por pódios? Provavelmente não. Chegaremos em condições de lutar por pontos? Eu realmente espero que sim, e acredito que seja possível se tivermos ideia sobre como resolver algumas de nossas limitações”, declarou o piloto canadense.

Em suma, é importante para a Aston Martin esse conhecimento acerca do seu atual lugar. É o ponto de partida necessário para buscar os ajustes certos. É fundamental também que Vettel use da sua vasta experiência para empurrar o time — time esse que já demonstrou ter muita garra, vide os mecânicos trabalhando intensamente na Austrália para dar ao alemão a chance de se classificar para a corrida. A imagem da comemoração deles, aliás, é muito emblemática.

É o que a equipe tem hoje nas mãos para buscar esse progresso. E aí sim, após Miami, será possível dizer se ela vai deslanchar mesmo.

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