Classificação maluca cria primeira chance de embate direto entre Hamilton e Verstappen

Lewis Hamilton deu uma aula neste sábado no Red Bull Ring. É certo que a Mercedes tem o carro a ser batido, mas o que o inglês fez hoje vai muito além da máquina. Naturalmente, se coloca como favorito amanhã, faça chuva ou faça sol. Mas tem com quem se preocupar: Max Verstappen

É muito comum na F1 o hábito de condicionar os resultados de certos pilotos ao carro. Afinal, não há muita discussão sobre o fato de que a máquina tem um peso significativo em um bom ou em um péssimo desempenho. E essa premissa naturalmente costuma ser um pouco mais severa com aqueles que tem nas mãos o melhor carro. Quem nunca ouviu ou proferiu que “só venceu porque tinha o melhor carro” ou ainda “até eu com esse carro”. Bem, acontece de verdade. Só que há vezes na Fórmula 1 em que o cenário subverte tudo e o carro perde feio essa briga. Este sábado representou uma dessas vezes. Sim, a Mercedes tem o carro mais rápido e eficiente do grid, mas o que Lewis Hamilton fez foi muito além disso. O hexacampeão deu uma aula na pista encharcada da Áustria. Sem erros e abusando do seu conhecido talento com condições de chuva, guiou bem mais do que o carro, para cravar uma das poles mais impressionantes de sua carreira – e olha que ele já possui 89 delas.

E o que torna tudo ainda mais espetacular é Max Verstappen, outro talento incontestável no piso molhado. O jovem holandês tentou de tudo e extraiu o que pode do RB16 para ameaçar o rival, mas errou na volta decisiva e viu Lewis ser ainda mais veloz, quase como uma brincadeira. Na frieza dos números, 1s216 separou os dois homens da primeira fila. Ficou a lição também, sem qualquer dúvida.

Lewis Hamilton celebra a 89ª pole da carreira na F1 (Foto: AFP)

O que fica também dessa agitada e lotérica classificação é que a corrida deste domingo ainda representa uma segunda chance, para os ambos, depois do que aconteceu na semana passada. No último sábado, Hamilton perdeu a pole para o companheiro Valtteri Bottas e ainda tomou uma punição pouco tempo antes da largada, que o jogou para quinto. A prova até sugeriu que Lewis pudesse se recuperar, mas as oportunidades se esgotaram na preocupação dos engenheiros com a caixa de câmbio, o calor, as estratégias espertas dos rivais e as várias intervenções do safety-car. Agora, a história tende a ser outra. E não só para Lewis. Vale recordar que Verstappen também vinha bem, quando precisou abandonar com problemas elétricos.

Até existe uma previsão de 51% de chance de tempestade para a região na pista austríaca, por volta de uma hora antes da largada. É claro que se a prova começa com pista molhada, o duelo da classificação se repete lindamente na corrida. Ninguém vai reclamar disso, pois. Porém, por enquanto, as equipes trabalham com a ideia de um GP com piso seco. E o que mudaria? Bem, o desempenho da Mercedes. Na sexta-feira de treinos livres, foi possível observar que a Red Bull deu um passo à frente em relação ao fim de semana passada. Os ajustes feitos com as atualizações tornaram o carro menos nervoso e mais dócil nas curvas de baixa. Mas o ritmo de corrida ainda não está no nível dos carros pretos. Bottas foi cerca de 0s3 mais veloz nos stints mais longos na comparação com os taurinos. Mas também é verdade que Hamilton teve dificuldades, a equipe sequer soube explicar a queda de performance, mas, neste sábado, o entendimento do inglês com o carro foi melhor, especialmente com a parte traseira, que era uma queixa.

Max Verstappen fez de um tudo para tirar a pole de Hamilton (Foto: AFP)

Também é importante destacar o clima: as duas primeiras sessões foram disputadas sob temperaturas muito elevadas, e o W11 sente mais, como se sabe. Só que toda essa chuvarada de hoje vai causar também uma mudança no tempo. O domingo amanhece bem mais frio, como prefere o carro alemão.

De qualquer maneira, a disputa parece mais equilibrada do que na semana passada, faça chuva ou faça sol. Mais do que isso, o grid também sugere a primeira grande chance de um embate direto entre Hamilton e Verstappen. E isso está no radar da Mercedes. “Amanhã é uma história muito diferente, apenas por causa do clima. Estará seco, mas não tão quente quanto na sexta-feira. Max está na primeira fila, então tudo é possível. Ele pode vencer a corrida. Valtteri tem de tentar passar por Carlos Sainz. A McLaren está muito bem, assim como na semana passada”, disse o chefão dos alemães, Toto Wolff.

É um fato a considerar. A McLaren imprimiu um ritmo forte na semana passada, que colocou Lando Norris no pódio. Agora, Sainz aproveitou toda a adversidade da classificação para garantir a terceira posição, à frente de Bottas. Os ingleses parecem ter o quatro melhor carro do grid neste momento, atrás da Mercedes, da Red Bull e da Racing Point – que decepcionou neste sábado.

Carlos Sainz tem 103 GPs no currículo e obteve sua melhor posição de largada na Áustria (Foto: AFP)

A partir da terceira fila do grid, a briga tende a ser feroz e igualmente equilibrada. Esteban Ocon fez ótimo trabalho com a quinta marca do Q3 e terá a difícil missão de segurar Alexander Albon, Pierre Gasly e o próprio companheiro Daniel Ricciardo, além de Lando Norris.

Aí chega-se a Ferrari. Na sexta-feira, a escuderia trocou a preparação para o fim de semana pela avaliação das peças aerodinâmicas novas – dianteiras e traseiras. A ideia era antecipar o grande pacote da Hungria. Enquanto Sebastian Vettel se mostrou mais satisfeito com as novidades, sobretudo o assoalho e os freios, Charles Leclerc não se adaptou e reclamou da falta de velocidade. Na classificação de hoje ficou evidente as dificuldades do carro vermelho, que pareceu ainda mais inguiável na chuva. O tetracampeão até foi capaz de se colocar na fase final da sessão, mas o monegasco, não. E ainda tomou uma punição por bloquear Daniil Kvyat. É, a coisa vai mal em Maranello. Quando nem a chuva ajuda a minimizar a diferença para os rivais, tem algo muito errado.

George Russell colocou a Willians no Q2 (Foto: AFP)

E se lá no começo deste texto, falamos sobre como essas condições complexas na pista favorecem os melhores, é importante fazer uma menção aqui ao trabalho de George Russell. O inglês não só conseguiu colocar a Williams no Q2, como também obteve com o 12º posto seu melhor desempenho em grid na F1. O piloto ainda ganhou uma posição com a punição de Leclerc.

Por fim, as estratégias. Com a expectativa de pista seca amanhã, depois do sábado chuvoso, pilotos e equipes estão livres para escolher os compostos de largada. A Pirelli, fornecedora única, fala em uma corrida com um pit-stop apenas, se tudo correr dentro da normalidade, claro. E a tática mais interessante é que aponta um início com pneus vermelhos macios, com a troca entre as voltas 28 e 33. O restante da corrida passa a ser disputado com os pneus duros. Basicamente a escolha da Mercedes na semana passada, por exemplo. Por outro lado, vale dizer também que, na última corrida, os compostos macios foram particularmente competitivos e usados em diferentes planos. A única questão que paira é mesmo o quanto a temperatura vai influir.

As possíveis estratégias para a corrida deste domingo (Foto: Pirelli)

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