Coluna Apex, por Andre Jung: Brumas de Monte Carlo

Embora Nico Rosberg esteja num grande momento, sua vitória acontece sob uma nuvem de desconfiança que ainda vai render pano para manga

O GP de Mônaco de 2013 teve todos os ingredientes que costumamos esperar dessa prova singular: batidas, safety-car e ultrapassagens a fórceps. Ao final, o cada vez melhor Nico Rosberg acabou por coroar sua sequência de pole-positions vencendo uma prova que ele controlou do início ao fim. Mas, embora o alemão esteja num grande momento, sua vitória acontece sob uma nuvem de desconfiança que ainda vai render pano para manga.

Controle foi mesmo a palavra-chave que prevaleceu no traçado estreito de Monte Carlo. E não foi o fato de ser muito difícil ultrapassar o que garantiu a vitória da Mercedes. Nico também correu de olho no desgaste de pneus, o imperativo da temporada, mas sobrou; as Red Bull nunca o pressionaram e, pelo contrário, tiveram de segurar Hamilton depois de o superarem após o acidente de Felipe Massa.

As polêmicas da F1 ainda vão dar muito pano pra manga (Ilustração: Marta Oliveira)

A demora da Mercedes em reagir ao acidente, que claramente iria provocar a entrada do safety-car, e o excessivo intervalo estabelecido para a parada consecutiva dos dois carros, provocou a perda do segundo lugar.

Assim, Vettel, num fim de semana sem inspiração, acabou por aumentar sua vantagem na tabela, contando ainda com o afoito Sergio Pérez, que, sem se dar por contente com a excelente corrida que fazia, abateu Kimi Räikkönen do quinto posto ocupado desde a largada.

O ritmo mais do que lento da corrida fez com que improváveis oportunidades de ultrapassagens fossem criadas, e Perez, com duas manobras bem executadas na chicane da saída do túnel, e Sutil, com duas ultrapassagens na lentíssima curva Lowes, tiveram seus momentos de brilho.

O alemão da Force India, que por várias vezes tinha demonstrado seu talento para dirigir no carrossel do Principado sem obter resultado expressivo, dessa vez fez uma corrida impecável e cruzou na quinta posição. Seu companheiro também fez ótima corrida ao sair do 17º lugar no grid para chegar num valente nono posto, situação que consolida o quinto lugar do time indiano no Mundial de Construtores.

Alonso, talvez frustrado com a impotência para superar seus oponentes na corrida e no campeonato, fez uma prova muito fraca, levando belas ultrapassagens, de Perez, Sutil e Button, esse nos momentos derradeiros da prova. Coisa rara de se ver no histórico do espanhol.

Massa, que largara da última fila, depois de provocar um acidente estranho e violento no último treino livre, viu sua Ferrari, com problemas de suspensão dianteira, repetir o acidente do sábado, com incrível precisão. A batida, que num primeiro momento pareceu uma repetida falha de Felipe, comprovou-se mais tarde não ter responsabilidade do piloto.

Ao fazerem um treino de três dias, em Barcelona, utilizando o carro 2013, a cargo de Nico Rosberg e Lewis Hamilton, a Mercedes e a Pirelli agiram em conluio, provocando a ira coletiva dos demais. O domínio dos alemães em Mônaco deixa claro que soluções para o crônico desgaste de pneus foram encontradas no privilegiado e extenso teste no traçado catalão.

Difícil antecipar qual será a conduta da FIA para punir os alemães e aplacar a insatisfação das outras dez equipes. Um teste de mesma extensão, vetado apenas a Mercedes, pode ser uma parte da solução.

Enquanto isso…

Romain Grosjean está em completa crise, não consegue mais ser o piloto veloz que era, mas continua a dar despesas enormes para a equipe…
…depois de amargar um prejuízo recorde em 2012, a Lotus viu seu piloto cometer a façanha de destruir o carro quatro vezes num mesmo final de semana…
…nesse andar, não será surpresa se a equipe apresentar um novo piloto na segunda parte da temporada…
F1 em ritmo de GP2 tenha dó. Está mais do que na hora de aposentar os pneus de isopor.

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