Coluna Rookie Text, por Douglas Borges: Segunda força

A tão falada “segunda força” parece tomar forma. Não fosse a polêmica desclassificação de Daniel Ricciardo, doravante chamado O Azarado, a equipe austríaca já somaria dois pódios, sempre perdendo apenas para esta soberba Mercedes, arrebatadora de poles e vitórias em 2014. Não seria matematicamente a segunda força, uma vez que McLaren somaria mais pontos, mas seria a equipe ali, logo à espreita, esperando um vacilo Mercêdico para faturar uma vitória

Pensei em dezenas de maneiras de começar este texto, mas não encontrei nada criativo, surpreendente ou inesperado. Não encontrei trechos literários passíveis de uma possível intertextualidade, nem mesmo uma expressão em francês (ai que démodé!) que salvasse essa introdução. Agora que já gastei algumas linhas falando muito sem dizer nada, apelando à velha metalinguagem que não nos abandona nas horas de vazio inspiracional, proclamo: a Red Bull chegou, amigos.

Antes que o leitor, irritado, reclame que leu em um parágrafo inteiro algo que podia ser escrito em apenas um período – e foi – saiba que é exatamente assim que me sinto com a atual temporada da F1. Especialmente quando o assunto é Red Bull. Se uma pré-temporada é longa, uma temporada regada a suposições, pessimismos e grandes expectativas é ainda maior.

Sebastian Vettel comemora pódio da Malásia (Foto: Getty Images)

Após quase dois meses do mais puro fracasso, muitas vezes sem conseguir dar uma única volta o dia inteiro, o RB10 parecia fadado ao fracasso. Não brigará por vitórias, diziam os mais otimistas. Não passará do Q1, bradavam os coléricos revolucionários formulaúnicos, sedentos de uma nova ordem de forças onde Red Bull e Caterham dividiriam as últimas filas protagonizando o fracasso dos motores Renault. Confessá-los-ei duas coisas. Aprecio o uso de mesóclises mesmo quando estas não são essenciais, é algo que carrego comigo. A outra coisa é que eu também não considerava a turma dos energéticos como concorrência para o Mundial de Construtores.

Ok, ainda que os germânicos da Mercedes estejam com uma vantagem confortável para a concorrência, não devemos desprezar a esquadra de Sebastian Vettel, Adrian Newey, Christian Horner, Helmut Marko e cia. São muitos nomes de peso, e menosprezá-los em uma eventual briga pelo título seria uma ingenuidade gigantesca. O campeonato é longo, o inverno rigoroso e as recompensas no final maravilhosas. Quando se tem um piloto do naipe de Sebastian Vettel sob suas trincheiras, desistir não é uma opção.

A tão falada “segunda força” parece tomar forma. Não fosse a polêmica desclassificação de Daniel Ricciardo, doravante chamado O Azarado, a equipe austríaca já somaria dois pódios, sempre perdendo apenas para esta soberba Mercedes, arrebatadora de poles e vitórias em 2014. Não seria matematicamente a segunda força, uma vez que McLaren somaria mais pontos, mas seria a equipe ali, logo à espreita, esperando um vacilo Mercêdico para faturar uma vitória. Soma-se a isso também as quebras de Vettel na Austrália e d’O Azarado em Sepang para vermos quantos pontos foram perdidos.

Arrisco dizer que em quatro ou cinco corridas o RB10 pode alcançar o desempenho do W05, emparelhando as coisas e criando uma verdadeira disputa no campeonato. Até lá, Felipe Massa que me desculpe, mas a segunda força do campeonato não bebe Martini, e, sim, Red Bull.

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