F1

Com dívidas quitadas e “versão nova do Windows”, Racing Point projeta “crescimento orgânico” na F1

A Racing Point já tem um plano de crescimento com o dinheiro injetado por Lawrence e Lance Stroll. Andy Green, diretor-técnico, quer uma equipe com melhor estrutura e evolução gradativa ao invés de investir tudo de imediato no carro

Grande Prêmio, de Barcelona / VITOR FAZIO, do Circuito da Catalunha
A Racing Point, herdeira do legado da Force India na Fórmula 1, começa 2019 com um novo horizonte. Com dinheiro da família Stroll, a escuderia planeja uma evolução de longo prazo – tanto no sentido de investir mais no carro quanto no sentido de melhorar a estrutura na sede da equipe, em Silverstone. Mas nada de pressa: o diretor-técnico Andy Green quer começar com passos menores, como o fim das dívidas e a atualização de notebooks.
 
“Nós tivemos uma mudança financeira na equipe”, disse Green em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO. “Acabamos com todas as dívidas, que é uma grande ajuda. Acho que desse ponto em diante vai levar algum tempo até que o dinheiro se transforme em infraestrutura e performance no carro. Essas coisas levam tempo, mas está acontecendo. Está acontecendo no ritmo que queremos. Não vamos crescer rápido demais, cedo demais”, seguiu.
Sergio Pérez deixa os boxes com a nova Racing Point (Foto: Racing Point)
Encarar os próximos anos com calma faz parte da ideologia de uma Racing Point que nunca quis dar passos maiores do que a perna. Com dinheiro escasso nos dias de Vijay Mallya, a cautela foi chave. Mesmo com orçamento maior, a esquadra ainda quer busca um crescimento “orgânico”.
 
“Teremos a mesma mentalidade que tivemos nos últimos anos. Quando crescermos, vamos crescer organicamente. Vamos ter as pessoas certas na equipe, vamos ter as ferramentas certas internamente, e isso leva tempo. Temos novos hardwares chegando na fábrica. A primeira coisa é usar computadores e notebooks que não tenham oito anos de idade, usar uma versão nova do Windows. Paramos de usar o Windows 3.1”, brincou Green, fazendo referência ao sistema operacional de 1992. “Há sinais de que as coisas estão mudando, mas essas coisas levam tempo”, encerrou.
 
Um dos projetos de crescimento da Racing Point na F1 envolve a construção de uma nova fábrica. A equipe quer ter uma estrutura moderna em Silverstone para encarar novos desafios, como a mudança de regulamento para 2021.
 
Na pré-temporada da F1, com Sergio Pérez e Lance Stroll à disposição, a Racing Point ainda dá os primeiros passos da nova era. Questionado sobre a performance do carro de 2019, Green foi breve: “Estou feliz com o que vimos, e feliz também por ver que os pilotos estão felizes”.

GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ a pré-temporada da F1 em Barcelona com os repórteres Evelyn Guimarães, Vitor Fazio, Eric Calduch e o fotógrafo Xavi Bonilla. Acompanhe tudo aqui.