Conta-giro: na posição de líder pela 1ª vez, Massa se anima com papel no desenvolvimento da Williams

Em 2014, Felipe Massa tem pela primeira vez na carreira na F1 um companheiro de equipe que estreou depois dele na categoria e se vê na posição de líder no desenvolvimento do carro da Williams, situação que o anima bastante

AO ASSINAR COM FELIPE MASSA, a Williams procurava um piloto experiente para tentar sair do buraco em que entrou em 2013 e voltar a viver dias mais dignos. E o brasileiro está contente com a confiança nele depositada e a oportunidade de liderar o desenvolvimento de um carro na categoria máxima do automobilismo mundial.

Não que Felipe nunca tenha colaborado com um time na preparação de um bólido. É que, na Williams, ele se encontra em uma situação nova: é a primeira vez em 12 anos de F1 que ele tem um piloto com menos experiência ao seu lado.


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Até 2013, todos os colegas de time de Massa haviam estreado antes dele na F1, sem exceção: Nick Heidfeld, Giancarlo Fisichella, Jacques Villeneuve, Michael Schumacher, Kimi Räikkönen e Fernando Alonso. Desse grupo, só o espanhol é mais novo que o brasileiro – três meses.

Com Valtteri Bottas, o cenário é bem diferente. O finlandês debutou na F1 em 2013 e tem no currículo só 19 GPs. Mesmo que tenha mostrado muito potencial no ano de estreia – apesar do péssimo FW35 –, ele ainda não tem tanta bagagem.

Massa, por outro lado, leva à Williams nove anos de contato direto com o modus operandi da maior campeã da F1, a Ferrari. Ainda que os italianos não sejam grande exemplo de organização, especialmente nos últimos tempos, o conhecimento adquirido pelo piloto em Maranello pode ajudar os ingleses a aproveitarem melhor a boa estrutura da fábrica de Grove – o que tem sido o ponto fraco da escuderia. Colocando isso tudo na balança, ela pende para o lado do brasileiro. Até que se prove o contrário, é Massa o primeiro piloto.

Felipe Massa tem se mostrado positivo com relação às chances para 2014 (Foto: Williams)

E a relação desenvolvida ao longo dos primeiros meses de trabalho no Reino Unido está deixando o vice-campeão de 2008 animado.

Desde que foi anunciada sua ida para a Williams, Massa disse várias vezes que o fator que mais o animou foi o desejo do time de Sir Frank em contar com seus serviços. Agora, outra coisa que o alegra é a velocidade com que seu feedback resulta em mudanças. O primeiro gosto disso veio nos testes em Jerez de la Frontera, no fim de janeiro.


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“Gostei muito do jeito da equipe trabalhar e consegui passar informações boas, que a equipe mudou de um dia para o outro para tentar evoluir ainda mais. Tudo o que eu falo, eles tentam mudar de um momento para o outro. Senti uma força muito grande, sempre acreditando 100% naquilo que eu falava”, afirmou Massa.

“É importante a gente misturar tudo aquilo que eu sei, que eu sinto no carro, que eu estava acostumado a fazer em outra equipe, o jeito de trabalhar”, disse.

“O Bottas é um moleque bom, jovem, que quer aprender o máximo possível e estava lá acompanhando o meu trabalho. Lógico, ele tem apenas um ano de competição, uma experiência mais baixa comparada com a minha, então, sem dúvida, a minha experiência é muito positiva para a equipe num momento como esse”, completou.

Massa tem colaborado bastante com os engenheiros da Williams (Foto: Williams)

Massa deixou claro, contudo, que não está trabalhando mais agora do que enquanto vestia o macacão da Ferrari. “A Ferrari me ouvia muito”, enfatizou.

O piloto relatou que atuou intensamente nos bastidores para tentar melhorar a performance do bólido vermelho em 2013, mas, devido aos problemas do túnel de vento de Maranello, as novas peças não funcionavam como deveriam. Sem o progresso ao longo da temporada, um ano que começou promissor e contou com duas vitórias de Alonso nos cinco primeiros GPs terminou com a escuderia na terceira posição do Mundial de Construtores, atrás de Red Bull e Mercedes.


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“O túnel de vento não funcionava do jeito que a gente queria. Na maioria das pistas, tinham peças novas que não funcionavam no carro. Simulador, praticamente, eu era o único piloto oficial que fazia, o Alonso não ia. Então eu trabalhei demais”, declarou.

“Acabou não tendo um desenvolvimento bom no ano passado não pelo trabalho do piloto. A equipe precisa trabalhar de uma maneira para fazer o carro evoluir, até porque eu não sou engenheiro aerodinâmico, então é difícil ir ao túnel de vento e falar ‘tem que fazer isso, isso e isso’. Meu lado é entender o carro na pista e passar a informação certa, aí sim o engenheiro entende e tenta trabalhar naquele caminho que você explicou”, acrescentou.

Para fazer a Williams retomar o caminho do sucesso, é essa mesma relação entre pista e fábrica que precisa ser aprimorada, só que de um modo diferente: usar corretamente as boas ferramentas disponíveis em Grove. Massa está consciente disso.

“Estrutura tem. O importante é tentar encaixar, fazer todas as partes da equipe trabalharem de uma maneira forte e conjunta”, analisou.

Felipe Massa conduz FW36 em Jerez (Foto: Getty Images)

Falando a respeito das perspectivas para 2014, Massa manteve os pés no chão. Após os primeiros testes, ele acredita que o FW36 tem tudo para ser um carro competitivo, mas não arrisca previsões mais embasadas por considerar que ainda não há informações suficientes para tal.

Em Jerez, o tempo de 1min23s276 registrado na estreia no carro azul o colocou na segunda posição no combinado da semana de testes.

“É muito cedo para comemorar qualquer coisa. Treino é treino, corrida é corrida, a gente está acostumado com isso. É capaz de uma equipe que começou mal os treinos entender o novo regulamento, evoluir rapidamente e estar bem no primeiro GP”, alertou.

“Mas não me tira, sem dúvida, a felicidade de ter encontrado uma equipe que pode ser competitiva, sim. Independente de disputar o campeonato ou não, acho que a gente pode ter um bom carro”, disse.

A F1 está no Bahrein para dar início, nesta quarta-feira (19), à segunda bateria de testes de pré-temporada. As atividades se estenderão até o sábado. Depois, após um intervalo de cinco dias, pilotos e equipes voltarão a acelerar no Circuito Internacional de Sakhir em mais quatro dias de testes, entre 27 de fevereiro e 2 de março.

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