F1

Dennis admite que Alonso ficou inconsciente, mas reafirma ausência de lesões e extremo cuidado dos médicos

Diretor-executivo da McLaren, Ron Dennis falou a respeito do acidente de Fernando Alonso e assegurou que a equipe não está escondendo nada: o piloto não teve lesões, mas os médicos, preocupados com as chances de “lesões cumulativas”, foram extremamente cuidadosos

Warm Up, de Barcelona / RENAN DO COUTO, de Barcelona

A McLaren, na pessoa do diretor-executivo Ron Dennis, tornou a afirmar que Fernando Alonso não sofreu nenhuma lesão no acidente do último domingo — embora tenha tido alta do hospital somente na quarta-feira.
 
O dirigente se disse incomodado com as teorias de que Alonso recebera uma descarga elétrica dentro do cockpit, por exemplo, e foi categórico ao afirmar que não houve nada de errado nem com o carro, nem com Alonso.
 
Dennis admitiu que Alonso chegou a perder a consciência no carro após o acidente, mas assegurou que todos os exames indicaram que o piloto está plenamente saudável. Nem mesmo uma concussão detectada.
 
“A única coisa que podemos fazer é analisar os fatos e compartilhar o que sabemos. Não estou protegendo a McLaren, Fernando, nada disso. Podemos categoricamente afirmar que ele não tem nenhuma lesão. Podemos categoricamente dizer que o carro não falhou”, declarou em entrevista acompanhada pelo GRANDE PRÊMIO em Barcelona nesta quinta-feira (26).
 
O período de inconsciência mencionado pelo britânico durou “alguns segundos”, sem precisar quantos, e foi constatado após a parada do carro. A McLaren percebeu isso porque o rádio estava ligado, mas era possível escutar apenas a respiração do piloto. Dennis ainda disse que não é possível cravar que o espanhol estava consciente antes da batida, porém garantiu que o time tem, pela telemetria do carro, todos os indícios de que sim. Também houve perda de memória.
Ron Dennis garantiu que Fernando Alonso está livre de qualquer lesão (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Segundo Dennis, Alonso chegou a apresentar os sintomas de uma concussão no hospital, mas nada foi confirmado pelos exames.
 
“O período que o Fernando permaneceu no hospital foi determinado pelos médicos, não por nós, e nós apoiamos completamente”, relatou. “Tem existido um grande foco em lesões na cabeça. São lesões que aconteceram em vários esportes nos últimos meses, algumas com consequências severas. No esqui, no hóquei no gelo, etc. Há cada vez mais evidências de que você precisa tomar cuidado com lesões cumulativas.”
 
Alonso, por isso, não participa da última bateria de testes da F1 em Barcelona, sendo substituído por Kevin Magnussen. Os médicos recomendaram descanso, e será necessário passar por um teste da FIA antes do GP da Austrália. “Não vejo razão para ele não passar”, falou Dennis.

A causa
 
Dennis revelou que Alonso, que estava fazendo avaliações aerodinâmicas no momento do acidente, já havia mencionado o vento antes de se acidentar. “Em todas as saídas anteriores o Alonso estava falando que estava traiçoeiro e que o vento estava balançando o carro”, contou. Ele também disse que um torcedor que estava próximo do local enviou uma mensagem à equipe comentando a respeito da força do vento e mostrou um vídeo que mostra isso.
 
A investigação da FIA
 
A Federação Internacional de Automobilismo vai analisar o acidente que Alonso sofreu na curva 3 de Barcelona. Há um vídeo, feito pelo sistema de segurança do circuito, mas a qualidade é péssima, de acordo com Dennis. O dirigente falou que foi ele quem procurou o delegado de segurança da FIA, Charlie Whiting, para sugerir uma análise, e os dois devem se encontrar nesta sexta em meio aos testes. “A FIA está particularmente interessada na posição do capacete em relação às estruturas de segurança. Queremos compartilhar tudo para satisfazer a FIA”, assegurou.