Diários de Viagem: A saga da corrida ao redor do primeiro setor de Barcelona

Eu precisava pegar a tal credencial, mas o taxista fez o favor de me deixar literalmente no lado oposto do autódromo. O que se viu na sequência foi uma corrida tão empolgante quanto patética ao redor do Circuito da Catalunha para simplesmente ter acesso ao paddock

Se você leu o primeiro capítulo dessa jornada através da Catalunha, já sabe do drama da minha busca pelas credenciais da Fórmula 1. Eu teria que acordar às 6h da manhã, ainda com céu escuro, para resolver isso. Bem, acordar não é a parte difícil. Na verdade, não espera que nenhuma parte fosse difícil. Afinal, era só chegar num lugar, mostrar que sou quem sou e receber a tal credencial.
 
Só que é claro que não seria só isso. Esse não seria um texto bom se as coisas dessem certo, no fim das contas. Seriam dois parágrafos e ponto final.
 
Bom, preciso pegar um táxi para ir da cidade de Parets del Vallès à de Montmeló, onde o Circuito da Catalunha fica. O carro chega e digo que preciso ir para o portão 3, que é perto do centro de credenciais. Eu devo ter dito com alguma hesitação, porque o motorista prontamente perguntou se aquele era o portão certo. A dúvida bateu e ele disse que tinha quase certeza que era no portão 1. Bom, um de nós tinha nascido na região e o outro tinha nascido em Porto Alegre. Confiei.
 
Quando percebo, estou num lugar bem diferente do esperado. Eu deveria estar no ponto azul do mapa abaixo, mas estou no vermelho. Eu deveria estar na parte de trás do autódromo, mas estava quase no portão principal. O tempo de perceber a burrada foi o tempo de o taxista zarpar. Eram 7h da manhã e eu estava levemente perdido.
O trecho que precisava percorrer apenas para pegar minha credencial (Imagem: Reprodução/Google Maps)

Não fazia sentido chamar outro táxi, que provavelmente demoraria muito para chegar. Pedi informações para um funcionário qualquer e fui para a caminhada. O plano era tão simples quanto cansativo: eram quase dois quilômetros com uma mochila nas costas, caminhando por estradas que contornavam o autódromo e quase não tinham acostamento. Ou melhor, tinham, mas imagino que não sejam capinadas desde o último título do Fernando Alonso. O trecho ia ao redor do ponto da linha de partida e chegada até a saída da curva 3. Em outras palavras, o primeiro setor inteiro da pista de F1.

 
Tive a sorte de que nenhum carro estava passando para ver aquela cena simplesmente lastimável. Eu deveria tirar uma foto para ilustrar esse texto, mas só conseguia pensar na série de eventos que me colocou naquela situação infeliz. Vale lembrar que os lançamentos de Haas e Alfa Romeo aconteciam por volta das 8h e eu estava começando a ter medo real de deixar Fernando Silva e Pedro Henrique Marum, que me ajudavam na retaguarda da cobertura, de mão abanando só porque eu resolvi bancar a Dora Aventureira em Montmeló.
 
Eventualmente cheguei no centro de credenciais. Foram uns 20 minutos de caminhada apressada, intercalados por verdadeiros sprints, chegando lá às 7h30. Mais uma caminhada apressada até chegar ao já citado portão 3 e de fato ganhar acesso ao paddock. Eba.
 
Esse é o momento em que o texto fica mais simples, porque as coisas de fato correram bem. A cobertura rendeu bons frutos, como você já pode comprovar no GRANDE PRÊMIO. Só voltei a passar por apuros no fim da tarde, quando uma sequência de coletivas de imprensa em pontos quase opostos do autódromo me fez correr como um infeliz e quase dar um tackle involuntário no Lance Stroll.
 
Bom, as coisas correram bem. Conheci um pouco melhor as redondezas do Circuito da Catalunha, que é mais do que muitos podem dizer, mas que ninguém quer poder dizer. Um exercício físico vez que outra não pode fazer mal.

O GRANDE PRÊMIO cobre AO VIVO, em TEMPO REAL e 'in loco' os testes de pré-temporada da F1 em Barcelona com o repórter Vitor Fazio. Siga tudo aqui.

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