Em último GP da Itália pela Ferrari, Vettel se despede sem público: “É melhor assim”

Já em clima de despedida, Sebastian Vettel entende que seria muito difícil dar adeus aos apaixonados tifosi como piloto da Ferrari. O tetracampeão tem em Monza um local especial como palco da sua primeira vitória na Fórmula 1

A cada corrida disputada, diminui a contagem regressiva de Sebastian Vettel a caminho da sua despedida como piloto da Ferrari. Sem futuro ainda definido na Fórmula 1 a partir de 2021, o tetracampeão do mundo vai correr em um palco especial na carreira, Monza, pela primeira vez sem a presença do público. O alemão entende que vai ser triste, mas que vai doer menos fazer seu último GP da Itália vestindo o macacão vermelho sem os apaixonados tifosi nas arquibancadas.

Às vésperas de acelerar em Monza neste fim de semana, Vettel concedeu entrevista coletiva por vídeo-conferência e deixou claro que o aspecto emocional de correr novamente na terra da Ferrari.

“Será uma grande pena não ter fãs, será a primeira vez que verei Monza sem fãs, e talvez não só para mim. De certa forma, é melhor assim, mas não me entenda mal. Nos últimos anos, ao redor do mundo sempre fui surpreendido pelo carinho dos torcedores da Ferrari, na Itália de uma forma especial”, explicou.

Sebastian Vettel vive um calvário com a Ferrari na temporada 2020 (Foto: Ferrari)

“Acho que seria muito difícil correr vendo todo mundo torcendo por você sabendo que é sua última vez vestido de vermelho. Nesse sentido, talvez seja um pouco melhor assim”, acrescentou o tetracampeão.

Monza é um circuito que traz grandes lembranças para Vettel. Foi lá que, em 2008, o alemão, hoje com 33 anos, venceu pela primeira vez na Fórmula 1, quando ainda corria com a Toro Rosso e era um promissor piloto. Depois, venceu em outras duas oportunidades, 2011 e 2013, nos anos de domínio da Red Bull.

Curiosamente, o alemão jamais venceu na Itália correndo pela Ferrari. Na grande chance, no ano passado, Vettel já estava em baixa na carreira e teve de ver o triunfo do seu jovem companheiro de equipe, Charles Leclerc, no ano passado.

Em clima de despedida da Ferrari, Vettel foi perguntado sobre o que mais vai sentir falta em Maranello dentro de alguns meses. “As pessoas com quem trabalhei ao longo dos anos. Já conheci muitas pessoas, algumas das quais me sinto muito próximo, e acredito que esse vai ser o aspecto que vou mais sentir saudades”.

Vettel já disputou 108 GPs como piloto da Ferrari desde 2015 e venceu 14 vezes. O alemão é o terceiro piloto que mais triunfou representando a escuderia italiana, atrás de Michael Schumacher, imbatível com 72 triunfos, e Niki Lauda, com 15. Dentre as conquistas logradas ao longo dos últimos anos, o tetracampeão foi indagado sobre qual é a maior lembrança deste período correndo com o macacão vermelho.

“Normalmente, minha fuga nessas questões é dizer que a melhor lembrança é aquela que ainda está por vir, mas acho que esse ano vai ser difícil, então provavelmente não diria a verdade. Acho que a melhor lembrança até agora é provavelmente a primeira vitória ao volante da Ferrari na Malásia, em 2015. Depois disso, vieram muitas outras vitórias, mas a primeira sempre tem um sabor particular, você vê a equipe do pódio como você nunca jamais havia visto antes, ouve o hino italiano, e depois fizemos uma bela festa depois da corrida”, comentou.

“Tenho muitas boas lembranças relacionadas a esse dia. Estou pensando no passado ao longo dos anos e posso dizer que não me arrependo. Nos divertimos muito, penso em muitos bons momentos. Mas se tiver de colocar um na frente de todos, escolho a Malásia”, complementou.

Indagado também sobre o que não deu certo e o que faltou para que a Ferrari ter ficado longe do objetivo de voltar a conquistar um título mundial, Vettel disse que há muitos fatores. Mas deixou claro também que não há arrependimentos.

“Não é uma questão simples. Sobre o que deu errado, diria que nunca recebemos o pacote para lugar realmente pelo título até o fim. Mas não há um só motivo, são vários”, disse.

“Como todas as histórias, há um começo e um fim, mas como disse antes, não tenho ressentimentos ou arrependimentos, e é a mesma impressão que recebo da equipe. Sou um grande fã desta marca, sempre foi meu sonho pilotar pela Ferrari e tive o privilégio de fazer acontecer. Mas agora mal posso esperar o futuro chegar, seja ele qual for”, concluiu.

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