Ocon cresce e carrega Alpine nas costas enquanto Alonso tenta se reencontrar na F1

Esteban Ocon faz um começo de temporada 2021 dos mais honestos e é responsável não apenas por dois terços dos pontos da Alpine, mas também pelas melhores performances da equipe no campeonato. Fernando Alonso, por sua vez, ainda não se reencontrou no seu regresso à F1

F1 troca Turquia por Estíria e mantém 23 corridas no calendário 2021 (GRANDE PRÊMIO com Reuters)

Já foram quatro corridas realizadas neste ainda princípio de temporada 2021 da Fórmula 1, mas é possível dizer que Esteban Ocon está levando a Alpine nas costas. A afirmação do analista vai muito além de uma simples olhadela na tabela do Mundial de Pilotos e da pontuação do francês, que soma dois terços dos pontos da equipe de Enstone (10 dos 15 tentos no total), contra apenas 5 do seu novo e badalado companheiro de equipe, o bicampeão Fernando Alonso. Mas enquanto o espanhol ainda sofre para se encontrar no seu regresso à F1 depois de dois anos longe do grid, Ocon não apenas faz uma temporada consistente e bastante decente com o carro que tem às mãos como chama a atenção até mesmo do exigente Toto Wolff, chefe da Mercedes, que já o colocou na lista de candidatos a uma vaga no cockpit mais cobiçado do grid para 2022.

Com exceção do GP do Bahrein, primeira etapa, que foi muito ruim para a Alpine como um todo — seus dois pilotos abandonaram —, o crescimento a partir do GP da Emília-Romanha é nítido, sobretudo para Ocon.

O piloto dono do carro #31 foi ao Q3 em todas as três provas seguintes e mostrou considerável evolução em ritmo de classificação: nono no grid em Ímola, sexto no alinhamento inicial em Portugal e quinto na sessão que definiu o grid do GP da Espanha, deixando para trás concorrentes fortes como as McLaren de Daniel Ricciardo e Lando Norris, a Ferrari de Carlos Sainz e, principalmente, a Red Bull de Sergio Pérez. Um grande mérito para o francês.

ESTEBAN OCON; ALPINE; GP DA ESPANHA; F1;
Esteban Ocon faz excelente temporada com a Alpine neste começo de 2021 (Foto: Alpine F1 Team)

A evolução da Alpine ainda não é tão cristalina em ritmo de corrida, e, novamente, os resultados do seu melhor piloto até agora mostram isso: nono na Emília-Romanha e na Espanha e sétimo no GP de Portugal. No fim das contas, as colocações obtidas pelo francês até agora refletem o real nível da equipe anglo-francesa na Fórmula 1: quinta força, atrás de Mercedes, Red Bull, McLaren e Ferrari.

A posição nesta ordem é a mesma do fim do ano passado, considerando que em 2020 a Racing Point lutou com a McLaren pelo terceiro lugar, enquanto a Renault ficou um pouco mais atrás, porém bem à frente da Ferrari. Neste princípio de temporada 2021, a McLaren se manteve no top-3, mas vê o impulso dado pela escuderia de Maranello, enquanto a Aston Martin, novo nome da Racing Point, despencou.

Sobre Ocon, é importante salientar o amadurecimento do piloto nesta última temporada, quando teve ao seu lado nos boxes um dos melhores nomes do grid, Daniel Ricciardo. Ao longo do ano passado, Esteban se viu bastante atrás do australiano, que acumulou dois pódios que comprovaram o crescimento da Renault, mas Ocon também fechou o campeonato com um pódio ao terminar em segundo no GP de Sakhir. O resultado, no fim das contas, lhe serviu como um divisor de águas diante da concorrência que estava por vir contra o midiático bicampeão Alonso.

Ao mesmo tempo em que terminava 2020 em ascensão, Esteban via um Alonso extremamente motivado e super em forma nos trabalhos de preparação para seu regresso à Fórmula 1. Só que o grande reforço da Alpine ainda não convenceu e parece ter sentido o baque de ter sido superado pelo companheiro de equipe ao menos neste princípio de campeonato.

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FERNANDO ALONSO; ÍMOLA; ALPINE; GP DA EMÍLIA-ROMANHA; F1;
Fernando Alonso ainda sofre para encontrar o melhor ritmo neste ano do seu retorno à F1 (Foto: Alpine F1 Team)

Fernando até foi surpreendentemente bem na classificação do GP do Bahrein e conseguiu ir ao Q3 logo na corrida que marcou seu retorno ao Mundial. Sofreu com problemas nos freios e abandonou no Bahrein, mas provou que a velocidade continua lá. Entretanto, mesmo com o ponto herdado graças à punição imposta a Kimi Räikkönen, foi mal no fim de semana GP da Emília-Romanha.

Em Portugal, sentiu demais o sábado ruim de classificação, amargou uma segunda eliminação seguida no Q2 e ainda foi grosseiro com a jornalista brasileira Mariana Becker. No domingo, é preciso dizer, Alonso foi bem na corrida, garantiu seu melhor resultado, oitavo lugar — disse o piloto que acelerou com a “força do ódio” — e depois pediu desculpas à repórter da Band.

Naquele mesmo fim de semana em Portugal, Alonso bradou contra os jornalistas e analistas que atribuem o começo difícil de campeonato às dificuldades de adaptação, algo que todos os pilotos que trocaram de equipe para a atual temporada — Carlos Sainz, da McLaren para a Ferrari; Daniel Ricciardo, da Renault para a McLaren; Sebastian Vettel, da Ferrari para a Aston Martin; e Sergio Pérez, da Racing Point para a Red Bull — estão sentindo na pele.

Alonso, de qualquer forma, não é o único a sofrer deste mal em 2021.

O fim de semana em Barcelona revelou alguns aspectos interessantes. No Q1 da classificação, os dois pilotos da Alpine viraram o mesmo tempo: 1min18s281. Só que Alonso precisou de duas tentativas de volta rápida e gastou um jogo de pneus macios a mais para empatar com Ocon. No Q2, o francês foi 0s2 mais rápido e, na fase decisiva da classificação, com a dupla da Alpine no Q3, Esteban virou 1min17s580 — apenas 0s070 mais lento que Charles Leclerc e quase 0s6 mais rápido que Alonso.

Na corrida, os dois tentaram o que foi possível. Ocon fez o que dava com o que tem às mãos e novamente cruzou a linha de chegada em nono, sendo o melhor depois dos carros de Mercedes, Red Bull, McLaren e Ferrari. Alonso partiu para o tudo ou nada ou, como definiu o próprio bicampeão, uma “estratégia suicida” ao tentar a tática de somente uma parada. Não deu certo, mas o 17º lugar não reflete a realidade, de modo que um décimo lugar seria o resultado mais ok para o bicampeão.

Em um surto de humildade, Alonso reconheceu a melhor forma do seu novo companheiro de equipe. “Ele é bom, e estamos vendo isso. Está em grande forma e totalmente integrado à equipe. Ano passado conseguiu ir ao pódio no Bahrein e, agora, está fazendo fins de semana perfeitos. Isso é muito bom. É impressionante o que ele está fazendo agora. Estou dando meu 100% e, obviamente, não é o bastante para estar no nível dele atualmente, então preciso continuar evoluindo”, disse.

Ocon impressionou até mesmo Toto Wolff, chefe da Mercedes, que se disse impressionado com a forma do piloto nascido em Évreux. Uma vaga na principal equipe do grid para 2022 parece improvável e muito mais destinada a George Russell, mas ser cortejado pelo dirigente austríaco é mais um reflexo do grande começo de temporada que faz o ainda jovem piloto, de 24 anos e 71 GPs disputados.

Merecidamente cheio de moral, Ocon sabe que vive grande fase e está em melhor forma na comparação a Fernando nos boxes da Alpine. Alonso não desaprendeu, que fique claro, e o GP de Portugal mostrou isso, mas ainda falta aquele encaixe ao carro e à equipe como um todo.

A dúvida é se o veterano de 39 anos vai ter paciência o bastante se continuar a ser seguidamente batido pelo companheiro de equipe.  

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