Ex-chefe, Todt vê Ferrari mais unida na época de Schumacher do que na de Vettel

Jean Todt, ex-chefe da Ferrari, sente que a união permitiu o domínio de Michael Schumacher no começo dos anos 2000. O dirigente exalta o talento de Sebastian Vettel, mas sente que faltou harmonia interna para desafiar Mercedes e Lewis Hamilton

Michael Schumacher conseguiu cinco títulos pela Ferrari. Sebastian Vettel, ao que tudo indica, encerra seu ciclo com zero. Os dois alemães são campeões da Fórmula 1, mas tiveram passagens quase opostas pela equipe italiana. Para Jean Todt, ex-chefe da escuderia e atual presidente da Federação Internacional de Automobilismo [FIA], o grande problema em Maranello é a falta de união na atualidade.
 
“Os resultados, bons ou ruins, sempre tinham uma explicação”, disse Todt à SkySports, recordando sua passagem pela Ferrari. “Tivemos muito sucesso porque nós, com o Michael [Schumacher] e a equipe inteira da Ferrari, éramos muito unidos. A gente se apoiava, ainda mais nos momentos difíceis. É fácil ficar um do lado do outro quando está tudo bem, mas você só vê quem é um bom marinheiro quando o mar está agitado. Quando o mar agita e estamos todos no mesmo barco, acho que é aí que vemos a diferença”, seguiu.
 
A Ferrari do começo dos anos 2000 era uma estrutura sólida. Os dirigentes Jean Todt e Ross Brawn, o projetista Rory Byrne e os pilotos Michael Schumacher e Rubens Barrichello cumpriam bem seus respectivos papéis. A consequência foi uma série de seis Mundiais de Construtores entre 1999 e 2004. Na atualidade, a escuderia italiana se acostumou a trocar dirigentes frequentemente, sempre sem conseguir dar um passo adiante. A frustração crescente fez Vettel optar pela saída ao fim de 2020.
Sebastian Vettel não conseguiu unir a Ferrari da mesma forma que Michael Schumacher (Foto: Ferrari)
Todt, entretanto, faz uma ressalva: mesmo sem um título pela Ferrari, Vettel ainda será lembrado como um gigante da F1.
 
“O Vettel é um dos maiores talentos do esporte a motor. Um anúncio foi feito e ele não vai pilotar por sua equipe além de 2020. Há muitas outras oportunidades. Só podemos desejar o melhor a ele, e eu realmente sinto que, quem quer que fique com ele, será uma pessoa muito sortuda. Ele claramente é um piloto que, com o carro certo, pode vencer campeonatos. Quando o Michael [Schumacher] chegou em 1996, só venceu três corridas. Não por falta de motivação, mas porque ele não tinha um carro para ser campeão. Desenvolvemos o carro e a equipe aos poucos, o que tornou isso possível. É uma combinação. Você olha para o Hamilton, ele não seria campeão sem um carro vencedor. Já vimos isso com o Alonso, já vimos com o Vettel. É a lógica”, encerrou.

 

Paddockast #61
VETTEL: ACERTOS, ERROS E… AZAR NA FERRARI

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