F1 duvida que equipes sabotem novas regras e recriem ar sujo para expelir dos carros

Ross Brawn, diretor-esportivo da Fórmula 1, crê que o trabalho para dificultar perseguições entre os carros teria custo-benefício ruim

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É possível que as equipes da Fórmula 1 trabalhem em prol de sabotar as condições de corrida das rivais para 2022? O novo regulamento traz dúvidas naturais sobre o que os times serão capazes de fazer nos próximos meses e anos. Uma delas é se os times vão investir na sabotagem das próprias esteiras aerodinâmicas e, assim, dificultar que outros carros se aproximem dos seus. Figuras das mais poderosas da parte técnica do esporte, como o diretor esportivo da F1, Ross Brawn, acreditam que não vai acontecer.

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A possibilidade de aproximação entre os equipamentos é um dos pilares das novas regras da F1. Com a última geração de carros, a reclamação era que o arrasto aerodinâmico tão forte expelia muito ar sujo para trás, causando uma esteira aerodinâmica – basicamente gases sujos jogados para trás pelos carros – que dificultava muito a aproximação de outros bólidos para, por exemplo, a briga por posições. A expectativa é que essa esteira seja um problema muito menor a partir de 2022 o efeito-solo é o grande propulsor aerodinâmico.

As equipes, porém, poderiam trabalhar ativamente para criar um efeito de arrasto que cause turbulência em carros que se aproximarem, mas, em tempos de teto orçamentário, Brawn acha que seria um esforço totalmente desnecessário.

“Acredito que qualquer perda de habilidade em seguir [outros carros de maneira próxima] será uma consequência acidental na busca de desempenho. Não creio que algum time danificaria propositalmente a esteira aerodinâmica própria só para que outros carros não consigam seguir. Não há tempo ou recursos o bastante para isso, você tem de buscar tempo a todo momento. Isso nunca aconteceria, na minha visão”, opinou à revista inglesa Autosport.

Ross Brawn foi chefe da Brawn GP e hoje é diretor da F1 (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

“Como consequência de buscar performance, talvez vejamos que não acertamos totalmente nesse quesito, de carros seguindo uns aos outros, mas será muito melhor que antes, porque os carros eram terríveis. Mesmo que sejamos 5% piores que o esperado, ainda estaremos muito à frente. E vamos evoluir”, analisou.

De acordo com uma das figuras mais influentes na preparação das novas regras, o diretor de monopostos da FIA Nikolas Tombazis, é possível, sim, que as equipes e seus engenheiros consigam sabotar a esteira aerodinâmica dos carros. Ele, no entanto, crê que não irá acontecer, porque não há benefício prático em tomar essa decisão.

“É claro que os engenheiros de aerodinâmica vão trabalhar o máximo no desempenho de seus carros em relação aos rivais. A maneira como o desenvolvimento é feito, no túnel de vento e com CFD [fluidodinâmica computacional], além de muitas aceleração a céu aberto, nas classificações e outros momentos importantes, significa que não é prático projetar um carro que sabote quem vem atrás”, garantiu.

“Você ainda precisa ter certeza de que seu carro é tão rápido quanto seja possível e esperar que ninguém mais se aproxime. Não esperamos que trabalhem em coisas assim somente por razões benevolentes, mas achamos que vamos ficar dentro de todos os objetivos por conta da forma como o desenvolvimento acontece. Haverá deterioração, mas não tão grande, eu espero”, finalizou.

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