Chefe da Ferrari fala em alívio por melhora, mas admite: “Ainda está nos faltando motor”

A Ferrari já pensa no projeto da unidade motriz de 2022 para dar outro passo e estar ao mesmo nível das concorrentes no grid da Fórmula 1. No entanto, Mattia Binotto, especialista em motores e chefe da equipe de Maranello, é claro no seu diagnóstico: “Ainda estamos devendo em todas as áreas”

Hamilton vence na estratégia e pega Verstappen: assista como foi o GP do Bahrein (Vídeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

A Ferrari definitivamente melhorou e deu um passo à frente, mas é preciso muito mais para voltar a lutar por pódios e vitórias de forma constante na Fórmula 1. Quem diz é Mattia Binotto, chefe da equipe de Maranello, depois de ver Charles Leclerc conquistar o sexto lugar no GP do Bahrein do último domingo, enquanto Carlos Sainz, que estreou pelo time italiano no último fim de semana, foi o oitavo colocado. O engenheiro ítalo-suíço entende que um dos grandes pontos fracos do ano passado evoluiu, mas ainda não o suficiente: o motor.

A nova unidade motriz construída em Maranello teve, como principal objetivo, dar um novo impulso à Ferrari e também às clientes Alfa Romeo e Haas depois da falta de performance vista ao longo de toda a temporada passada. No entanto, Binotto, especialista em motores, crava que é preciso mais para alcançar o nível das concorrentes. A esperança do engenheiro é que a Ferrari esteja no mesmo patamar das adversárias com um novo motor, mas só no ano que vem.

“Não creio que temos todos os detalhes ainda, mas vimos aqui que aparentemente estamos devendo em todas as áreas”, comentou o dirigente em entrevista ao site holandês RacingNews365.

Charles Leclerc teve uma pilotagem aguerrida e lutou contra as McLaren de Lando Norris e Daniel Ricciardo no Bahrein (Foto: Pirelli)

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“Acho que ainda está nos faltando motor, menos do que antes, certamente. Portanto, acho que a diferença foi reduzida e estamos nos aproximando e, com esperança, no ano que vem, quando tivermos uma nova unidade de potência, vamos alcançar o nível das outras”, apostou Binotto.

A fala de Mattia pode parecer pessimista, mas traz um realismo com viés otimista diante da evolução que foi mostrada pela Ferrari na abertura da temporada.

“O importante é que estamos trabalhando nas direções certas e com as ferramentas certas. E é isso que nos vai tornar mais fortes no futuro”, disse o ítalo-suíço, muito mais tranquilo com o que viu e com a certeza de que, diferente do ano passado, a tendência é que 2021 nem de longe seja desastroso para Maranello.

“Estou aliviado porque, certamente, podemos trabalhar para buscar melhores posições, e isso é muito saudável para a equipe. É importante que a equipe esteja em melhores posições, ajuda a dar tranquilidade e otimismo. E, para mim, isso é o que importa: vir aqui, ver o que o carro avançou, ver a equipe agora tendo estabilidade, poder trabalhar de uma forma ainda melhor. Então isso foi importante”, salientou.

Para Binotto, há muitos pontos positivos a tirar do fim de semana no Bahrein porque, no fim das contas, tudo melhorou neste novo pacote da Ferrari na comparação com o ano passado. “Não somente em termos de motor, mas é o chassi, a parte aerodinâmica, as ferramentas certas, correlação [com o túnel de vento]… Tudo isso foi importante para nós, acho que fundamental”.

No treino classificatório do GP do Bahrein, no último sábado, a Ferrari foi, de todas as dez equipes do grid, a que menos perdeu tempo em relação ao que se viu no ano passado em Sakhir. Os tempos mais altos já eram esperados em razão das mudanças na regra que visaram a redução de 10% do nível de downforce dos carros. Enquanto a Mercedes, por exemplo, perdeu 2s121, a Ferrari registrou somente déficit de 0s541. Mas mesmo com a evolução clara do carro deste ano em relação à antiga SF1000, Binotto entende que ainda não tem como afirmar o quanto desta melhora se deve ao novo motor.

“É difícil dizer o quanto de melhora está vindo da unidade de potência porque, na comparação com os concorrentes, não é um valor absoluto e não sabemos a evolução das nossas adversárias. Você tem de falar sempre sobre o pacote como um todo e não sobre coisas pontuais”, concluiu.

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