Ferrari aproveita raro erro da Red Bull e se põe forte em Singapura, mas ainda não é o bastante

A temporada 2022 se afeiçoou a ver a Ferrari se atrapalhar em momentos decisivos, o que realmente a afastou de qualquer chance de título, mas, desta vez, os italianos souberam tirar proveito das mazelas da Red Bull e saem na pole com Charles Leclerc. É um passo importante rumo à vitória, mas ainda não há nada garantido, especialmente diante de uma Mercedes que cresce no domingo e de um Max Verstappen que não se pode subestimar

A noite em Singapura reservou uma inesperada reviravolta na Fórmula 1 2022. Isso porque a temporada se acostumou com as trapalhadas da Ferrari, enquanto uma Red Bull atenta quase sempre tirava proveito das mazelas da rival. O sábado (1), no entanto, acompanhou um enredo raro: desta vez, foram os italianos quem se saíram melhor em um dia equivocado dos taurinos. À frente de todos, Charles Leclerc não deixou a oportunidade passar e cravou a pole-position para a corrida deste domingo em uma classificação intensa, marcada por uma mudança frenética das condições do asfalto. No fim, o monegasco soube garantir seu espaço, ao mesmo tempo que os taurinos tiraram de Max Verstappen a possibilidade da primeira fila.

E agora, sendo Marina Bay um circuito tão singular, a posição de honra se materializa na melhor chance de vitória dos vermelhos nesta segunda fase do campeonato. Mas há ressalvas.

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A primeira delas tem a ver com a própria Ferrari. Ainda que o traçado urbano da cidade-estado entregue uma grande vantagem a quem sai na frente, por ser um palco de difícil ultrapassagem e arriscado, é igualmente verdade também dizer que há uma incerteza quanto ao ritmo de corrida ferrarista. A sexta-feira se encerrou de forma inclusiva, uma vez que Leclerc sequer teve tempo para simular o desempenho para a prova. Existe um elemento de adaptação: a SF-75 gosta de pistas como essa de Singapura, pois o carro tem excelente aderência mecânica e é capaz de equilibrar o downforce, mesmo diante do incômodo porpoising. Só que o modelo vermelho também vem sofrendo com desgaste de pneus e nada é tão simples em um clima instável que se avizinha.

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BRIEFING: A ANÁLISE DA CLASSIFICAÇÃO DO GP DE SINGAPURA DE F1

Portanto, a corrida vai exigir dos vermelhos perfeição – da configuração à estratégia. “Cometi um erro na última volta e pensei que não conseguiria a pole. Mas agora, embora não tenhamos muitos dados para a corrida, se fizermos a execução perfeita, devemos vencer”, assegurou o monegasco.

Leclerc terá a seu lado Sergio Pérez. O mexicano também se deu bem no agitado fim do Q3 e, mais que isso, mostrou que a Red Bull tinha uma chance de até figurar na primeira fila. Será dele também a responsabilidade de combater, ao menos no início, os carros italianos. Isso porque Verstappen sai só em oitavo. Certamente, não se pode subestimar o líder do campeonato, que já obteve triunfos saindo de sétimo, décimo e 14º neste ano. De fato, a posição de largada não representa nenhum grande entrave ao holandês. Ainda assim, dá para entender a frustração do campeão vigente com o equívoco da equipe austríaca nos momentos decisivos.

Verstappen estava em um desempenho fortíssimo e a chance de pole era real – até mesmo os rivais esperavam: a Mercedes projetou uma diferença de 0s7. De todo o jeito, o erro de cálculo, quase inacreditável, tirou qualquer possibilidade. Mas também evitou uma punição ainda maior. Se Max tivesse completado a volta, ficaria sem amostra de combustível exigida pelo regulamento e poderia ser desclassificado. Então, desse ponto de visto, a colocação do grid nem é tão problemática. E ainda há o ritmo de corrida, que normalmente no caso taurino é sempre muito mais forte que o de classificação, em que pese a natureza do circuito de Marina Bay.

“Acho que foi um erro de cálculo da nossa parte. Abastecemos o carro por cinco voltas porque a pista estava melhorando tão rápido, tivemos uma volta extra de tão perfeito que foi o encaixe. Mas, obviamente, é obrigatório dar a amostra de combustível, então foi a decisão mais difícil do mundo quando ele estava 2s5 mais rápido na volta”, reconheceu o chefe dos taurinos, Christian Horner.

Max Verstappen ficou furioso com a Red Bull pelo erro na quantidade de combustivel do carro no Q3 (Foto: AFP)

O piloto de 25 anos expressou uma visão diferente. “Olhando agora, eu deveria ter terminado a volta em que estava atrás de Pierre (Gasly) de qualquer maneira”, contou o dono do carro #1, lembrando que a equipe o chamou uma primeira vez para evitar que a AlphaTauri o atrapalhasse nos instantes finais, quando todos estavam na pista aproveitando a melhora do asfalto. Mais tarde, alertaria para a quantidade de combustível, o que fez o competidor desistir da volta derradeira e decisiva.

“É certo que temos todos os sensores do mundo para ver quanto combustível há no carro. É frustrante porque o carro estava muito bem e realmente gosto das condições difíceis como as dessa classificação, por isso é uma pena”, lamentou Max, que viu a Ferrari tomar a ponta.

E ainda frustrado, Verstappen preferiu a cautela. “Não quero nem pensar nisso [vitória], porque realmente é muito difícil. Acho que será complicado com pista seca, mas se chover talvez possa tenha alguma chance. Só que nada disso é tão simples.”

Verdade. Não é também por causa da Mercedes. Lewis Hamilton manteve a performance forte que exibiu na sexta-feira e foi um dos nomes a tentar a pole. Foi por pouco – 0s054 o afastaram do posto de honra. O heptacampeão procurou reproduzir a sensacional volta de 2018, mas a faltou aderência ao W13. Mesmo assim, o desempenho é consistente e muito real, o que coloca os prateados em uma posição de destaque para a corrida – tal como os taurinos, os alemães costumam elevar o jogo no domingo.

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Hamilton entrou na briga pela pole, mas acabou mesmo em terceiro no grid (Foto: Roslan Rahman/AFP)

“Tentei muito. Esses caras (Ferrari e Red Bull) são sempre muito rápidos — mas pensei que talvez, só talvez, com a volta perfeita poderíamos brigar pelo primeiro lugar. Apenas não tive aderência o suficiente na última volta. Mas, ainda assim, estou grato de estar na segunda fila e agradeço ao time pelo esforço. Espero que amanhã o dia seja melhor para nós”, afirmou Hamilton, que larga em terceiro.

“Nós não sabíamos o quão perto estaríamos neste fim de semana. Sabíamos que o carro seria mais forte do que em Monza, isso sim, mas não o quão perto estaríamos. Perder (a pole) só por esse pouquinho… está tudo bem. Vamos nos erguer e lutar novamente amanhã”, completou o piloto.

É nisso que a Mercedes se apega: uma melhor adaptação ao circuito. A esquadra de Toto Wolff trabalhou muito no acerto fino do carro e procurou uma configuração de maior pressão aerodinâmica e cuidado com os pneus. “Vai ser uma corrida muito ligada ao que acontecer na largada: será difícil para quem não estiver na frente. Esperamos um bom fim de semana porque nossas simulações mostraram que estamos nos desenvolvendo na direção certa”, acrescentou Wolff.

De fato, a largada terá um grande peso no que vai ser o GP de Singapura, bem como o clima em Marina Bay. A Ferrari parece ter um jogo real nas mãos e está pronta, mas não pode nem pensar em vacilar em um cenário em que a Mercedes segue como ameaça e a Red Bull busca redenção.

GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e EM TEMPO REAL todas as atividades do GP de Singapura de Fórmula 1. No domingo, a largada está marcada para 9h [de Brasília, GMT-3].

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